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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

“Se tivesse de apostar numa campeã olímpica? Apostava em mim. Vamos ver o que consigo fazer. E Deus vai fazer o resto”

Auriol Dongmo lançou 18.80 metros, precisamente a marca de qualificação, sem tirar nem pôr, e está na final do lançamento do peso. Para domingo há muito na sua cabeça. Lançar finalmente os 20 metros. E medalhas, claro

Cameron Spencer/Getty

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Ela pegou no peso e lançou. Ele, quase com vontade própria, e cirúrgica, foi cair precisamente na fita onde está a marca de qualificação para a final do peso: 18.80, nem mais, nem menos para Auriol Dongmo, que pegou nas suas trouxas e seguiu o seu caminho. A final é já domingo de manhã, no horário de Tóquio, e qualquer hora a mais de descanso é bem-vinda.

“É importante fazer a marca de qualificação logo ao primeiro ensaio para descansar mais, ficar mais tranquila”, diz a atleta de 30 anos que, ainda assim, garante que não se poupou por aí além.

“Na qualificação também tens de dar tudo, porque se não dás tudo na qualificação também não vais à final. Na minha cabeça estava a ideia de fazer logo marca ao primeiro ensaio. Para despachar”, conta. Os 18.80 chegam, mas até são modestos porque ela garante que no aquecimento estava a lançar mais de 19 metros. “Mas na prova fiz o mais importante, 18,80, para hoje chega!”, conta, numa desarmante sinceridade.

A portuguesa que em março foi campeã da Europa indoor, chega a Tóquio no top 5 de marcas do ano. É, por isso mesmo, candidata a medalhas. Garante que todas as adversárias são fortes. Que há ali gente a lançar mais de 19 metros, até mais de 20. E o 20 é um dos números dourados para Auriol neste Jogos Olímpicos. É o lançamento que ela quer, não quer parar nos 19,75 que é recorde pessoal e nacional.

Esse lançamento, diz, “depende de muitas coisas, da pressão, do que se passa à volta”. Mas Auriol garante que a preparação foi feita nesse sentido: “E essas coisas sentem-se nos treinos”.

Quanto a medalhas, elas estão na sua cabeça. “É o sonho de todos os atletas. E todos lançam com uma medalha na cabeça. Uma qualquer? Sim, mas eu gosto do ouro, vou dar tudo”. Não há lugar para falsas modéstias, para expectativas poucas. À pergunta em quem aposta para ser campeã olímpica, Auriol tem resposta imediata: “Apostava em mim!”.

Domingo é o dia do senhor e também pode ser o dia de Auriol Dongmo. “Vamos ver o que eu consigo fazer. E Deus vai fazer o resto”. Assim seja.