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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Diogo Abreu, Rio de Janeiro, Tóquio e um déjà vu

Tal como há cinco anos no Rio de Janeiro, Diogo Abreu arrancou bem na prova dos trampolins, era sétimo no final da primeira série e por isso dentro da final, mas um erro na 2.ª rotina deitou tudo a perder

TIAGO PETINGA/LUSA

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A primeira rotina correu bem. Não tão bem como há cinco anos, no Rio, mas bem. Diogo Abreu era 7.º e por isso com boas perspectivas para a segunda série e para um bom resultado combinado que colocasse o atleta do Sporting na final.

Mas então, o déjà vu.

Em 2016, Diogo Abreu era 4.º no final da primeira apresentação, a final era uma questão de não errar, mas ele errou. Saiu do trampolim e ali se acabaram as esperanças numa presença na final e até numa medalha. Este sábado, no Centro de Ginástica de Ariake, Abreu começou com um 52.135 e a segunda corria bem, fluída, difícil. Mas um salto um pouco mais desviado precipitou nova queda. Tal como no Rio.

Diogo leva as mãos à cabeça, junta-se ao treinador. É a repetição do pesadelo.

Mas quando chega à zona mista, já deixou de lado alguma da tristeza. Ao ver todos os telemóveis e gravadores dos jornalistas, que aqui são colocados numa bandeja por um voluntário e levados depois para junto do atleta, coisas da pandemia, lança um bem-disposto. “Olha, vou vender isto tudo no OLX”. E depois explica o que se passou.

“A primeira série, foi relativamente boa, houve alguns pormenores em que podia ter feito melhor, mas a nota até foi boa, estava numa boa posição. Estava confiante para a série dois”, diz Diogo já na conversa com os jornalistas, aos quais assumiu que sabia que tinha potencial para a final.

“Os treinos estavam a correr bem. Na prova comecei bem, estava bastante centrado no trampolim, mas houve ali um salto em que tecnicamente houve um erro, houve qualquer coisa que fez com que eu saísse fora do trampolim”, explica ainda. “Quando saí para o salto, notei logo que estava bastante fora, ainda tento meter os pés um bocadinho de lado para ver se consigo um salto mais simples e voltar ao meio, mas estava completamente desequilibrado e não tinha hipótese nenhuma”, lamenta.

E nos trampolins é difícil haver segundas oportunidades: quando se sai fora, e este sábado aconteceu isso mesmo a vários atletas, não há hipóteses de continuar. “E ficamos com uma nota bastante mais baixa”, diz o ginasta de 27 anos.

TIAGO PETINGA/LUSA

Com o 41.285 da segunda série, Diogo Abreu foi apenas 11.º, ainda assim melhor que o 16.º do Rio e a apenas três lugares da final, para onde se apuram os oito melhores. Se há cinco anos Diogo não sabia se iria continuar a competir, desta vez há mais certezas na sua cabeça. E é para seguir até Paris 2024.

“Tenciono continuar e tentar o apuramento para os próximos Jogos Olímpicos. Obviamente que depende de várias coisas, mas se a saúde física estiver bem, penso que posso continuar. Apesar de esta prova não ter corrido bem, nas provas internacionais que disputei tenho tido bons resultados e o meu nível internacional é bastante bom”, lembra, deixando palavras para o apoio do “Sporting, federação e Comité Olímpico de Portugal”.

“Paris é uma boa possibilidade, mas como sabemos são 16 os que se apuram nos trampolins, vai ser difícil, mas é a intenção”, sublinha ainda.

Sobre um possível balanço, o atleta formado em engenharia eletrónica admite a tristeza por não passar à final, apesar da melhoria de resultado face ao Rio, mas retira algo de bom da experiência de estar nuns Jogos Olímpicos.

“Foi um apuramento bastante mais longo que o normal e bastante difícil porque estávamos três portugueses a competir [Abreu, Diogo Ganchinho e Pedro Ferreira] e felizmente somos todos amigos, mas foi bastante stressante. Nunca tinha sonhado ir a uns Jogos Olímpicos, quanto mais a dois. Por isso é uma experiência positiva”, remata.