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Bielorrússia obriga velocista Krystsina Tsimanouskaya a regressar a casa. Mas ela diz que não vai - e ainda não foi

A atleta bielorussa Krystsina Tsimanouskaya disse aos jornalistas que foi levada para o aeroporto de Tóquio contra a sua vontade, depois de ter criticado os seus treinadores. O regime de Alexander Lukashenko é conhecido por não tolerar opositores e um desvio de avião há uns meses prova que a sua determinação é de aço. A velocista pediu asilo e não embarcou no voo que lhe era destinado

Ana França

Krystsina Tsimanouskaya pediu asilo político nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Scoop Dyga/Getty Images

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Krystsina Tsimanouskaya, velocista bielorrussa de 24 anos, estava inscrita disputar os 200 metros na segunda-feira, mas este domingo foi levada para o aeroporto de Haneda, em Tóquio, por representantes do Comité Olímpico da Bielorrússia, por ter acusado os seus treinadores de “negligência”.

Na sua conta de Instagram, Tsimanouskaya reclamou por ter sido inscrita nos 400 metros obstáculos porque os restantes membros da equipa nacional foram considerados inelegíveis para competir por não se terem submetido a suficientes testes de doping. Depois da crítica pública, Tsimanouskaya recebeu ordens para regressar ao seu país, e foi escoltada para o aeroporto de Haneda, em Tóquio, por representantes olímpicos bielorrussos. Mas recusou-se a embarcar.

“O treinador principal chegou ao pé de mim e disse que havia uma ordem lá de cima para me removerem”, disse a própria, em declarações à agência de notícias "Reuters". Quando chegou ao aeroporto, a atleta aproximou-se dos agentes da polícia japonesa, disse que tinha sido retirada da competição contra a sua vontade, e que precisava de proteção por temer pela vida caso regressasse ao seu país.

Num vídeo divulgado pela Belarusian Sport Solidarity Foundation (BSSF), uma organização não-governamental que ajuda atletas em conflito com o regime de Alexander Lukashenko, Presidente da Bielorrússia há quase 30 anos e que, recentemente, tem-se tornado ainda menos tolerante do que sempre foi com qualquer crítica à sua governação, Tsimanouskaya disse estar “sob imensa pressão” para regressar ao país. “Peço ao Comité Olímpico que interfira”.

O Comité Olímpico Internacional (COI) já se comprometeu, através de uma mensagem publicada no Twitter, em procurar “clarificações” junto dos representantes da Bielorrússia, que, poucas horas depois, ofereceram uma versão diferente para o que se terá passado com a velocista. “Tsimanouskaya saiu da competição por conselho dos seus médicos” devido a complicações “do foro emocional e psicológico”, disse o Comité Olímpico em comunicado, citado pela “Deutsche Welle”. A atleta nega ter sido vista por qualquer médico.

A televisão japonesa e outros meios de comunicação internacionais correram para o aeroporto para o desenvolvimento de tudo isto assim que a notícia estourou. Entre eles esteve a "Nexta TV", um canal fortemente opositor do regime bielorusso, no qual, aliás, trabalhava Roman Protasevitch, o jornalista que foi preso após um ato de pirataria aérea, quando um voo da Ryanair da Grécia para a Lituânia recebeu ordem de desvio para Minsk.

Nas redes sociais, o canal televisivo disse ter informação de que os representantes da seleção bielorrussa tinham comprado um bilhete para Tsimanouskaya poucas horas antes.

“O COI e a organização dos Jogos Olímpicos de Tóquio falaram esta noite com Krystsina Tsymanouskaya. Ela está com as autoridades japonesas e está a ser acompanhada pelo nosso pessoal. Disse-nos que se sente a salvo”, escreveu ainda o COI, no Twitter.

O voo Turkish Airlines em que deveria regressar não a levou, resta agora saber o que é que as autoridades bielorrussas podem fazer para forçar Tsimanouskaya. O caso do desvio do avião entre duas capitais de países da União Europeia é motivo suficiente para não duvidar da determinação de Alexander Lukashenko.