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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Liliana Cá: o que teria sido sem aquele dilúvio bíblico e um 5.º lugar que deixará os filhos orgulhosos (e Teresa Machado lá em cima também)

A lançadora ainda andou pelos lugares do pódio na final do disco e talvez a luta pelas medalhas fosse possível não tivesse desatado a chover no Estádio Olímpico de Tóquio. Com a pista molhada, Liliana Cá caiu, magoou-se no pé esquerdo e no joelho direito e a partir daí não conseguiu melhorar o 63.93 da segunda tentativa. O recorde nacional, que, acredita, poderia ter batido esta segunda-feira, teria dado direito a subida ao pódio. O 5.º lugar é bom, mas Liliana não sai do Japão tão feliz quanto poderia sair. "Eu sei que poderia ter feito mais", garante

BEN STANSALL/Getty

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O tempo acordou zangado esta segunda-feira em Tóquio, talvez não goste delas como Bob Geldof, mas para quem anda no horário olímpico uma segunda-feira é igual a um domingo ou um sábado ou a uma quarta-feira. Mas sim, é segunda-feira, entrámos na última semana de Jogos Olímpicos e o céu zanga-se, lá terá as suas razões. A seguir ao almoço vem a primeira bátega, ao suor junta-se a chuva morna e tudo fica pegajoso, os corpos, as roupas, as máscaras.

A coisa melhora tarde dentro, o céu parece aguentar-se mas olhando para cima no início da sessão noturna no Estádio Olímpico de Tóquio, as nuvens rondam o quarteirão que nem um leão a cheirar uma gazela. Irá chover, resta saber quando.

Chegam uns primeiros chuviscos mas é em seco que começa a final do lançamento do disco. Liliana Cá faz a estreia olímpica em Tóquio aos 34 anos. A vida nem sempre é uma linha reta, a de Liliana Cá teve várias curvas e aos 25 anos decidiu parar de competir. Foi mãe, viveu em Inglaterra, voltou a ser mãe e um encontro fortuito com o treinador Luís Herédio num centro comercial, quando já estava de volta a Lisboa, meteu-a de novo de disco na mão, cinco anos depois de o ter deixado. Como ela diria no final da prova olímpica, quando voltou “era só mesmo para brincar, mas a brincadeira acabou por ir longe demais”.

Chegou a Tóquio, imagine-se. E por pouco não chegava a uma medalha.

Logo a segunda a lançar, Cá arrancou o concurso com 62.31 metros, uma marca simpática, que dava luz verde para arriscar nas seguintes. No final da primeira ronda de lançamentos estava em lugar de pódio.

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