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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Quem é Jade Carey, a ginasta que substituiu Simone Biles e venceu uma medalha de ouro?

Os Jogos Olímpicos de Tóquio têm sido uma experiência, no mínimo, fora do comum para a norte-americana Jade Carey. Uma qualificação diferente de qualquer outra, uma substituição de última hora, mas no fim o esforço acabou por compensar. Carey venceu a medalha de ouro na competição de solo, do torneio olímpico de ginástica

Rita Meireles

Adam Pretty

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Jade Carey chegou a Tóquio pronta para competir, como qualquer outro atleta, mas sem esperar o desafio que iria encontrar pela frente. Na agenda tinha as competições de salto e solo, no torneio olímpico de ginástica, mas de um momento para o outro recebeu uma nova tarefa: substituir nada mais nada menos do que a vencedora de quatro medalhas de ouro nos JO de 2016, Simone Biles.

A notícia chegou depois de Biles, que já tinha ficado de fora da final de equipas, se retirar do concurso completo individual de ginástica, o all-around. A ginasta norte-americana tomou a decisão de não participar das duas competições para se focar na sua saúde mental.

E chegou a vez de Jade Carey.

A ginasta a que muitos chamam “Jaderade” poderia ter conseguido um lugar no all-around, uma vez que na fase de qualificação terminou em 9.º lugar, mas a Federação Internacional de Ginástica tem uma regra que limita a participação na final a duas atletas por país. Entre as atletas dos Estados Unidos, Carey ficou em terceiro.

Com a vaga que pertencia a Biles em mãos, a ginasta chegou ao oitavo lugar. A prova não lhe correu tão bem como a qualificação, mas tendo em conta que só soube que iria competir no próprio dia, os 54.199 pontos que conquistou não desiludiram. Até porque no salto conseguiu a segunda melhor marca (15.200) e no solo a terceira (13.966).

“Sinto-me muito orgulhosa de mim própria pela forma como assumi a responsabilidade no último minuto e competi”, afirmou Carey aos jornalistas após a sua prestação.

Na bancada tinha uma apoiante especial: Simone Biles esteve sempre a apoiar as compatriotas e fez questão de dar um conselho a Carey antes da prova.

“Ela desejou-me boa sorte, disse-me para fazer o melhor que consigo e para me divertir”, disse Carey, que seguiu as palavras à risca e divertiu-se.

Entre tudo isto, a ginasta norte-americana teve ainda tempo de cumprir os seus objetivos. Esta segunda-feira, Jade Carey venceu a medalha de ouro da competição de solo. Com 14.366 pontos, a norte-americana deixou para trás a italiana Vanessa Ferrari (14.2000), medalha de prata, assim como a russa Angelina Melnikova e a japonesa Murakami Mai. As atletas empataram com uma pontuação de 14.166 e ficaram as duas com as medalhas de bronze.

Jamie Squire

Percurso atípico

Natural de Phoenix, no Arizona, Jade Carey, de 21 anos, chegou aos Jogos Olímpicos de Tóquio de uma forma invulgar. Todos os anos em que há competição, as atletas dos Estados Unidos passam por uma série de provas - Olympic Team Trials - e depois esperam que o comité anuncie o grupo de quatro ginastas que vão representar o país.

No final de junho, quando os nomes foram divulgados, Carey não estava na lista.

É que pela primeira vez, uma atleta norte-americana conseguiu assegurar um lugar individual nos Jogos, através das “Apparatus World Cup Series”. Ou seja, Carey chegou a Tóquio após o ouro nas competições de salto e solo numa série de mundiais.

O percurso pelos pontos começou em Cottbus, na Alemanha, e seguiram-se Baku, no Azerbeijão, Doha, no Catar, e Melbourne, na Austrália. A primeira foi a única onde Carey não chegou ao ouro, mas as três restantes foram suficientes para garantir a sua presença nos Jogos.

Pelo caminho ficou adiada a entrada na universidade, sendo que essa fase será retomada no outono de 2021, na Universidade do Estado de Oregon.

A carreira como ginasta parecia destinada para Carey, mas a atleta considera que aconteceu por acaso. O pai é seu treinador e proprietário de um ginásio. Em declarações à Teen Vogue, pouco tempo antes de partir para Tóquio, a ginasta afirmou que cresceu no ginásio e andava sempre a brincar por lá, por fim acabou por se “apaixonar pela modalidade”.

Brian Carey é um dos poucos familiares que conseguiu acompanhar uma atleta nos Jogos, depois de todas as restrições impostas por causa da pandemia.

O plano do pai e treinador foi sempre manter a paixão que Carey tem desde pequena pela ginástica, ainda que praticando a modalidade ao mais alto nível. “Eu queria que ela conseguisse desfrutar e amar o desporto, caso isso acontecesse, seguíamos em frente”, disse Brian Carey à Teen Vogue.

A receita resultou, até porque só assim foi possível a atleta ter passado por uma qualificação tão exigente, ter substituído uma das melhores ginastas do mundo à última da hora e ter vencido uma medalha olímpica, mantendo a ideia de que estava ali para se divertir e fazer aquilo que mais gosta.