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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

É possível que o skate seja a melhor coisa que aconteceu aos Jogos Olímpicos em muito tempo

Esta quarta-feira poderia haver história no Ariake Urban Park: se Kokona Hiraki ou Sky Brown fossem ouro no skate, seriam as mais jovens campeãs olímpicas em mais de 120 anos de Jogos Olímpicos. Assim não aconteceu, mas há outra história para contar: como a entrada do skate no programa olímpico foi um rotundo sucesso, uma modalidade cool, jovem, cheia de bons sentimentos e que está aqui para ficar

NurPhoto/Getty

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Está tanto, mas tanto calor em Tóquio neste 4 de agosto (sensação térmica de 42 graus, dizem) que à entrada do Ariake Urban Park, onde têm decorrido as competições de skate, voluntários distribuem uns sacos cilíndricos de gelo. O povo fica a olhar para aquilo, mas rapidamente vai perceber que aqueles saquinhos vão dar um jeitaço para assistir à prova feminina de park, nas bancadas viradas ao sol. Mete-se um no pescoço e o insuportável torna-se um bocadinho mais tolerável.

A sorte é que lá em baixo, naquela espécie de piscina onde as oito finalistas têm três oportunidades para fazer as manobras mais arriscadas, o espectáculo é bom.

E, mais que bom, poderá ser histórico, porque as favoritas à vitória são Sky Brown, filha de mãe japonesa e pai inglês e a representar a Grã-Bretanha, e Kokona Hiraki, cá da casa. Em caso de vitória de qualquer uma delas, teremos o mais jovem campeão olímpico da história. Brown tem 13 anos, Hiraki tem 12, são ambas mais novas que Marjorie Gestring, a norte-americana que aos 13 anos e 268 dias venceu o ouro nos saltos para a água nos infames Jogos Olímpicos de Berlim de 1936. Bem, pelo menos oficialmente, porque reza a lenda que nos Jogos Olímpicos de Paris de 1900, um par de remadores holandeses chamou um miúdo local, com não mais de 10 anos, para ser o timoneiro da embarcação. Ganharam, mas o rapaz desapareceu.

Mas voltando à modernidade. Esta quarta-feira pode haver história e por isso há casa mais que cheia numa modalidade que chamou desde logo muita gente a Ariake. A sala de imprensa teve de ser aumentada com improviso, coisa que os japoneses odeiam. Há mesas colocadas na zona do bar, onde antes eram gabinetes do staff. Na tribuna, não cabe mais ninguém, os jornalistas são convidados a sentarem-se nas bancas vazias destinadas ao público, que não pode estar, e a confusão aumenta quando chega Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional, junto da sua equipa e seguranças. Ele senta-se no meio das comitivas dos países que participam na final, sem salamaleques nenhuns e às tantas, talvez no espírito da competição, até põe o chapéu com a pala para trás, como um tio mais velho muito porreiro.

E seguramente que Bach saiu de Ariake com a certeza que o skate veio para ficar no programa olímpico. Ou melhor, tem de ficar.

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