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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Para se tornar o 5.º campeão olímpico português, Pichardo não se pôde despedir da avó em Cuba. E não deixa Nelson Évora sem resposta

Um salto de 17,98 metros deu a Portugal o seu primeiro título olímpico em 13 anos. Pedro Pablo Pichardo queria mais, um recorde olímpico ou mesmo mundial, mas chegou o dia pelo qual em 2017 deixou Cuba, para poder continuar a trabalhar com o pai, para quem este título, diz, significa tudo. O saltador de 28 anos frisa que o ouro é para homenagar os portugueses, o país que o acolheu e também a avó, que lhe disse para deixar Cuba mesmo sabendo que nunca mais o iria ver, porque lá ele é um pária. Para Nelson Évora, que durante a final deu algumas indicações a Zango, de quem é amigo e com quem treinou antes dos Jogos, um pedido embrulhado em pergunta: "Ele já ganhou tudo, então porque não me deixa fazer a minha carreira em paz?"

JONATHAN NACKSTRAND/Getty

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A voz que anuncia os atletas que vão participar na final do triplo salto no Estádio Olímpico de Tóquio comete uma pequena gaffe.

Representing Portugal, Pedro Pablo ‘Picardo’ Peralta

Nada que atrapalhe o atleta de 28 anos: no final da prova, a pessoa por trás daquela voz vai saber exatamente como se pronuncia Pedro Pablo Pichardo Peralta. Até porque da próxima vez vai ter de o anunciar como “campeão olímpico Pedro Pablo Pichardo Peralta”.

O 5.º ouro da história de Portugal nos Jogos Olímpicos chegou 13 anos depois do último, em Pequim 2008, curiosamente na mesma prova, o triplo salto. E este terá sido um dos menos sofridos de todos eles. Pichardo abriu o concurso com 17,61, uma marca que não o deixou nada satisfeito mas que por si só já lhe dava o título olímpico. No salto seguinte, igualou o primeiro, às centésimas. E no terceiro veio a marca que matou definitivamente a competição: 17,98, recorde nacional e o melhor salto numa final olímpica do triplo desde os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, na vitória do norte-americano Kenny Harrison.

Seguiu-se um nulo e um 5.º salto que Pichardo dispensou em parte por se ter magoado no salto anterior, mas também para ganhar forças para tentar na derradeira oportunidade o único objetivo que lhe faltou nesta quinta-feira: tentar bater o recorde olímpico de Harrison (18,09m) ou mesmo o mundial de Jonathan Edwards, que está nos 18,29m desde 1995.

Não deu. No Estádio Olímpico, para comemorar o campeão português, dança-se funaná. Os telemóveis modernos dizem que se trata da canção “Paz Pás”, da banda Némanus. Não se põe fado porque o nosso fado é aquele do qual nos andamos a desviar nestes Jogos Olímpicos de Tóquio: de repente, deixámos o quase, festejamos quatro medalhas, coisa inédita.

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