Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Tóquio 2020

Tóquio 2020

Jogos Olímpicos

Pichardo: “Sou como um robô que o meu pai foi construindo peça por peça. Quando o mecânico do robô não está, o robô não funciona bem”

Chegou a Portugal em abril de 2017, naturalizou-se português em dezembro do mesmo ano e em maio de 2018 bateu o recorde português, que pertencia a Nelson Évora, ao saltar 17,95m. O seu recorde pessoal é 18,08m. Na altura em que Pedro Pichardo conquista a medalha de ouro do triplo salto nos Jogos Olímpicos de Tóquio, republicamos a entrevista de vida publicada na revista de 11 de maio de 2019

Alexandra Simões de Abreu

Cameron Spencer/Getty

Partilhar

Sonha ser recordista do mundo e campeão olímpico por Portugal e que de uma vez por todas o considerem português em vez de luso-cubano. Não são tarefas fáceis. Mas, para quem teve de fugir do seu país de origem, Cuba, para poder continuar a ser atleta de alta competição, nada é impossível. Aos 25 anos, Pedro Pichardo, o atleta do triplo salto que assinou pelo Benfica, destronou Nelson Évora e sem querer acentuou ainda mais a rivalidade dos grandes de Lisboa, faz o seu dia a dia em Setúbal onde encontrou a paz e as condições necessárias para, ao lado da mulher e da filha, se concentrar naquilo que é o mais importante para si, debaixo da supervisão do seu mentor, o pai. Sobre voltar a Cuba, diz, nem pensar.


A partir de agosto pode representar Portugal em todas as competições. Já se sente português?

Ainda não. Acho que só me sentirei totalmente português quando passar mais algum tempo e quando falar a língua melhor. Mas quero falar português e sentir-me verdadeiramente português.

Houve polémica pelo facto de ter obtido a nacionalidade portuguesa muito rápido. O que sente perante as críticas?

Não sinto nada, fico focado no meu trabalho. Essa parte das críticas não me diz respeito. Eu faço triplo salto, não sou o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que é quem trata dos papéis dos imigrantes. O meu processo foi um bocado diferente porque o Estado, a Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) e o Comité Olímpico de Portugal (COP) tinham interesse em que eu representasse Portugal e devem tê-lo manifestado junto do SEF. É o que acho. Sei que há gente que está à espera dos documentos há anos. Mas as pessoas têm de perceber que a culpa não é minha. Eu não fui ao SEF com uma arma ameaçar ninguém ou obrigar a alguma coisa. Eu não fiz nada. As pessoas que não têm documentos e estão à espera há algum tempo não entendem que sou um atleta e que há um interesse do país.

Fica magoado com Nelson Évora por também ter feito críticas abertamente?

Não. Eu sou sempre um atleta, em Portugal, em Cuba, onde quer que me encontre. Se digo que sou um bom atleta, tenho de saltar para mostrar que sou um bom atleta sempre, em Cuba, em qualquer parte do mundo. Quando chega um outro atleta e eu começo a atirar bocas porque é melhor do que eu, então tenho de falar com o meu treinador e comigo próprio para treinar e ser melhor do que o atleta que chegou. Quando eu estava em Cuba já competia com o Nelson e nunca houve problemas, nunca houve esta confusão. Agora é diferente, estamos a representar o mesmo país e para mim é bom. É uma pena que ele não o veja assim. É difícil aceitar deixar de ser o melhor para passar a ser o segundo, mas há que treinar. Imagina o Cristiano que está quase a terminar a carreira e surge um melhor do que ele em Portugal, que vai fazer o Cristiano? É a vida, é normal. Se calhar daqui a um tempo pode haver um atleta em Portugal, não tem de vir de fora, melhor do que eu. Em qualquer área, em qualquer trabalho. Ninguém fica para sempre. É a vida comum.

Não o choca ver, por exemplo nos Jogos Olímpicos (JO), um país cujos atletas são na sua maioria naturalizados?

Não. Para mim o desporto é livre. A diferença é a bandeirinha que está ao lado do nome. Na Diamond League, quando ganhamos um título representamos a nós mesmos, não há bandeira nenhuma. Faz sentido eu deixar de disputar títulos, como já aconteceu, porque não tenho um país a representar? Às pessoas choca uma parte e a parte que me choca é no ano passado ter sido o melhor atleta do ano e não ter podido fazer nenhuma competição porque não tinha uma bandeirinha a representar. Temos de fazer uma análise justa, não só uma análise a favor de mim. No caso do Nelson, entendo que o chateia, é difícil deixar de ser o melhor, queremos sempre cuidar do nosso estatuto, em todos os países em toda a parte é assim. Entendo isso, a sério. Mas eu também estou a defender o meu lado e as pessoas que estão de fora têm de tentar perceber ambas as partes. Se eu não posso representar um país o que faço? Fico sem saltar durante oito, dez anos até que possa representar um país?

O seu próximo objetivo é vencer os mundiais?

Este ano, sim. Mas continuo focado e a trabalhar para ser recordista do mundo e campeão olímpico.

Começou a praticar atletismo aos seis anos. Quando surge o triplo salto?

Comecei por fazer todas as disciplinas. Aos oito, nove anos já fazia saltos, mas triplo salto só mais tarde, com 14, 15 anos.

Antes da opção pelo triplo salto qual a disciplina de que mais gostava?

Eu fazia barreiras. Era a disciplina onde poderia vir a ser um melhor atleta, numa altura em que o meu pai estava numa missão, como treinador, na Venezuela. Como o meu pai estava fora, um amigo dele tomou conta de mim, mas como trabalhava barreiras e não sabia treinar saltos, tive de começar a fazer barreiras. Tinha 11 anos.

O seu pai ficou fora quanto tempo?

Quase dois anos. Ele não levou a sua missão na Venezuela até ao fim porque comecei a não ter bons resultados e a escola da província de Santiago de Cuba já não me queria. Ao saber disso o meu pai regressou logo a Cuba. Disseram que eu não era bom para fazer atletismo. O meu pai ficou espantado, dizia: "Como não é bom, se quando o entreguei na escola era o melhor e tinha o recorde dos 60 metros?" Eu com 10 anos fazia os 60 metros em oito segundos. Era o mais rápido do país e, se não me engano, ainda é o recorde daquela categoria, em Cuba. O meu pai voltou e foi aí que começou realmente a nossa luta em Cuba.

Que luta?

Puseram-me fora da escola da província, mas voltei a treinar com o meu pai. O nosso primeiro objetivo era demonstrar aos dirigentes que me tiraram da escola que eu era verdadeiramente um bom atleta. Comecei a treinar com ele e de um momento para o outro já era o melhor em saltos, comprimento e triplo, da minha província.

Quando os resultados reapareceram não o deixaram voltar para a escola nacional de desporto?

Não. Só me deixavam voltar sem o meu pai. A verdade é que sempre que trabalhei com outros treinadores os meus resultados pioravam.

Foi por isso que quiseram sair de Cuba?

Sim. Ou saía ou deixava de ser atleta. Eu queria continuar a fazer desporto, mas em Cuba não me deixavam trabalhar com o meu pai. Em Cuba há um mecanismo que não é fácil perceber para quem está de fora. É um país comunista que tem um regime. Mau ou bom é o regime deles, é assim que eles pensam. Se não gostas, não há nada a fazer, vai-te embora. Cuba é um país onde tudo é gerido e dominado pelo Estado. Todas as instituições saem do Estado e são dirigidas pelo Estado. Lá não existem clubes como aqui. Disseram ao meu pai que ele não pertencia ao sistema, quando ele estudou e se graduou como professor no INDER (Instituto Nacional de Desporto). Despediram-no para que não pudesse treinar-me. Como não tinham mais nenhuma solução, fizeram isso. Tinha eu 19, 20 anos.

O que fez o seu pai?

Graças a contactos foi treinar para um clube da Suécia. Foi aí que começámos a planear a minha saída de Cuba.

Quais foram os primeiros passos?

A primeira coisa era ter paciência. Havia que arranjar dois bons momentos. Um momento que ninguém suspeitasse e um momento em que também pudéssemos estar juntos.

O que fez em Cuba quando o seu pai foi para a Suécia?

Estava na escola em Havana a treinar na equipa nacional, com outro treinador, com o mesmo treinador que era também diretor técnico nacional (DTN). Cá em Portugal, o DTN não pode treinar atletas, mas em Cuba sim. Foi ele quem despediu o meu pai para me treinar. E continua a ser o DTN de Cuba

Os resultados começaram a cair de novo?

Sim.

Mas porquê, se já era mais velho e tinha mais conhecimentos?

Sempre treinei com o meu pai, desde os seis anos. Comecei a fazer triplo com o meu pai. É ele que ensina e estrutura a minha técnica. Ele esteve a estudar a biomecânica, parte de física, para buscar os ângulos e as alturas perfeitas para mim. Para chegar à melhor forma. E isso requer um tipo de treino diferente. Para chegar a determinado objetivo é preciso fazer este, este e mais este passo. As pessoas que estavam de fora não conheciam, não sabiam o que era preciso fazer para eu saltar bem. Costumo dizer à minha família que eu sou como um robô que o meu pai foi construindo peça por peça. Quando o mecânico do robô não está o robô funciona, mas não funciona bem. Era o que acontecia. Saltava bem no princípio da época mas depois ia piorando.

Quanto tempo ficou em Cuba sem o seu pai?

Comecei a treinar com outro treinador em 2015, em 2016 tive a fratura no tornozelo e não fui aos JO do Rio. Em 2017 fui-me embora. Fiquei dois anos ainda em Cuba, mas só competi um.

Como prepararam a saída?

Percebemos que ia haver um momento em que eu e ele estaríamos fora de Cuba. Porque já tinha acontecido eu estar fora em estágio ou em competição mas ele estava em Cuba de férias. Havia que encontrar uma altura em que estivéssemos ambos fora de Cuba. Aconteceu em 2017. Eu vinha para a Alemanha supostamente para treinar. Quando chego à Alemanha começo a ouvir que tinha de competir. Eu não tinha treinado para competir. Mas estava calmo porque sabia que me ia embora. Estive uma semana a estudar a forma de fazer tudo, porque a equipa de Cuba está sempre acompanhada por um agente de segurança do Estado. Em cada competição, em cada estágio. Ia falando com o meu pai, no quarto, através de mensagens. Não falávamos ao telemóvel porque podiam ouvir a voz. Era só por SMS.

O que combinaram em concreto?

Depois de estudar todos os passos, inclusivamente se alguém me apanhasse o que iria fazer, e senti que estava pronto, avisei o meu pai. Ele fez 30 horas de carro com um amigo, ficou num parque duas ou três horas a descansar e depois foi ter ao hotel onde eu estava. Primeiro ficou a observar, depois ajudou-me com as malas. Escolhi o melhor momento, o segurança e os treinadores não me viram e graças a Deus correu tudo bem.

Foi de manhã, à noite?

Foi à noite. Jantei com a equipa, que era obrigatório, voltámos para o hotel e depois fui-me embora. Foram outras 30 horas de carro para a Suécia. O que me lembro mais dessa viagem é da fronteira da Dinamarca. A polícia mandou parar o carro, viram os passaportes, revistaram o carro, fizeram perguntas.

Ficou com medo?

Claro que sim. Não sabia se alguém tinha telefonado a alertar. E telefonaram, mas foi para Cuba. Desde então não posso voltar a Cuba. O meu passaporte cubano foi cancelado. A minha sorte foi terem telefonado para Cuba e não para outro país.

Não ficou na Suécia porquê?

Na Suécia há muito frio [risos]. Não gosto do frio.

Pensaram ir para onde nessa altura?

Tínhamos várias opções. Turquia, Itália, Espanha, Portugal, Bahamas. Mas o boss [pai] começou a estudar, a fazer contas e decidimos vir para Portugal. Não foi por causa do dinheiro, porque havia outros países que pagavam mais do que o Benfica. O clima aqui era bom e supostamente não havia muitos cubanos. O meu pai não gosta de estar com muitos cubanos juntos porque acha que atrai problemas. Em Espanha há muitos. Queríamos estar focados no nosso treino.

O que conheciam de Portugal?

Nada, mas já tínhamos ouvido falar.

Como foi o primeiro impacto?

Muito bom. Imagina a sensação de chegar cá, em abril, e estar temperaturas de verão? Fomos para a Ericeira, para um hotel perto da praia. Ficámos logo encantados. Como é possível na Europa haver um país assim tão quente? Vínhamos da Suécia, onde em abril havia neve, treinava-se em pista coberta e tinha dores nos dedos dos pés, não os sentia. Apanho um avião, venho para outro país da Europa e é tudo diferente. Foi bom. Era o que estávamos à procura.

Nessa altura já tinham decidido fazer o processo de naturalização?

Não. Nessa altura o que tínhamos em mente era só voltar a saltar. Ser melhor atleta e continuar a ganhar.

Quem propõe a mudança de nacionalidade?

Acho que houve vontade de todos. Nossa, do Benfica, da FPA. Acho que era um bocadinho a vontade de todos e meti o processo.

Não lhe fez confusão deixar de correr pelo país onde nasceu?

Não. Eu não queria nem quero representar Cuba. Não os cubanos, porque os cubanos não têm culpa, mas os dirigentes e as pessoas que estão à frente do país, esses não quero representar. Nem gosto quando as pessoas falam em luso-cubano, quero que tirem a parte do "cubano". A minha mulher até me diz: "Mas tu nasceste em Cuba!" Não quero nada com Cuba, só a minha família e chega. Passei tantos problemas em Cuba só para fazer desporto. Aqui não tenho problemas com ninguém.

Quando cá chegou disse que Portugal é um país cheio de burocracia. Já mudou de opinião?

Não. As pessoas que cá nasceram também se queixam. Para tudo é preciso um papel ou um carimbo.

Mas já tem mais facilidade em treinar nas pistas portuguesas.

Esse aspeto sim, melhorou muito. Comprei casa no Pinhal Novo e estou a treinar no complexo de Setúbal. É muito melhor do que Lisboa para treinar. Tenho o meu próprio espaço, o Benfica criou-me um ginásio para poder treinar lá. A Câmara Municipal de Setúbal deu-me boas condições, posso trabalhar na relva sem problemas. No Estádio da Luz, trabalhar na relva era impossível. Se não joga futebol não pode tocar na relva. Lá tenho quatro caixas de areia só para mim [risos]. Estou agradecido ao Benfica e à Câmara.

Sabia da rivalidade entre Benfica e Sporting?

Já tinha ouvido falar, mas só agora, estando cá, é que entendo que é forte.

Quando o Nelson Évora disse que a sua vinda era uma vingança do Benfica por causa da saída dele, o que pensou?

Eu estava fora e não percebia muito. Com o tempo é que fui percebendo.

Há alguma coisa em que já se tenha tornado português?

Não sei. Gosto muito de churrasco, tanto de peixe como de carne. Gosto de sardinha assada. Tenho vários amigos portugueses também. E já vejo alguns jogos do Benfica.

Está a pensar fazer salto em comprimento também?

Sim e uma ou duas competições de velocidade em 100 e 200 metros.

No último campeonato nacional de clubes deu-lhe um gosto especial vencer o Nelson Évora?

Não. Eu não percebo porque é que as pessoas continuam com essa rivalidade.

Cumprimentaram-se?

Não.

Porquê?

Eu estava lá a aquecer, ele chegou de capuz na cabeça e não me cumprimentou. Foi ele que chegou. Quem chega é que cumprimenta. Não falamos um com o outro. Não sinto gosto especial em ganhar ao Nelson. Sei que ele é campeão olímpico, mundial, da Europa, como ele próprio diz, mas só me ganhou uma vez, quase sempre ganhei-lhe, por isso da minha parte não há essa coisa de "Ah, vou ganhar-lhe", no sentido de fazê-lo sentir-se mal. Não há isso da minha parte.

E da parte dele?

Acho que sim. No meeting de Madrid de pista coberta, no ano passado, ganhou-me e começou a dançar, a festejar efusivamente. Eu não. Ganhei-lhe e fico na mesma. Mas não fiquei zangado com ele. Continuo a fazer o meu trabalho. Eu gostava que as pessoas percebessem que nós saímos de Cuba simplesmente porque um pai não podia estar ao lado do seu filho, não podia treinar o seu filho. Não queremos substituir ninguém, queremos apenas trabalhar. Não nos arrependemos da decisão que tomámos.

O ano passado chegou a dizer que se as condições não melhorassem, ia para fora assim que tivesse a nacionalidade portuguesa. Ainda pensa nisso?

Não. Quando chegámos foi complicado porque houve locais onde não me deixaram treinar ou porque as pessoas eram do Sporting, ou porque gostam mais do Nelson Évora, e eu vim de fora e tive alguns problemas. As coisas mudaram, em Setúbal tenho boas condições para treinar. Mas quero fazer estágios fora. Quando estiver mais frio aqui, como em Setúbal não tenho pista coberta, se calhar vou treinar para um país com um clima melhor.

Numa próxima competição, se chegar e o Nelson Évora já lá estiver vai cumprimentá-lo?

Acho que agora não. Porque foi ele que começou com essa atitude.

Ele é o seu principal rival?

O meu principal rival é 18m29, o recorde mundial que ainda pertence a Jonathan Edwards. É o resultado, não é o Nelson ou outro atleta. Eu compito contra a marca. Estou focado nos resultados e nos títulos, essa é a minha motivação.

Tirando o atletismo de que outro desporto(s) gosta?

Boxe. Cheguei a praticar quando era miúdo. Antes gostava de Mike Tyson, agora gosto muito do Anthony Joshua.

Continua a ouvir reggaeton e kuduro?

Sim e agora descobri cá que há uns músicos, o Badoxa e a Yasmine, que têm algumas canções de que gosto.

Vive cá com o seu pai, a sua mulher e a sua filha, de 15 meses. A restante família está toda em Cuba?

Claro que sim. Sair de Cuba é difícil. Não é como aqui, que podem sair à vontade para fazer turismo num outro país. Em Cuba tens de ser chamado por alguém de fora, além de que ninguém tem dinheiro para conseguir viajar.

O que fazem os seus irmãos profissionalmente?

Estão em Cuba. Em Cuba as pessoas não trabalham muito. A maioria das pessoas arranja a sua vida na rua, fazendo qualquer coisa. Eles estudaram, têm diplomas, mas não exercem. Estão ali por estar.

Gostava de voltar a Cuba?

Sinceramente, de todo o coração, não. Pelo menos por enquanto. Se calhar daqui a cinco ou dez anos posso querer lá ir, mas de visita.

O Campeonato do Mundo de Atletismo realiza-se em setembro e se tudo correr bem será a sua primeira grande competição como atleta luso. Já aprendeu o hino?

Em agosto vão ver se aprendi ou não.

  • Para se tornar o 5.º campeão olímpico português, Pichardo não se pôde despedir da avó em Cuba. E não deixa Nelson Évora sem resposta
    Jogos Olímpicos

    Um salto de 17,98 metros deu a Portugal o seu primeiro título olímpico em 13 anos. Pedro Pablo Pichardo queria mais, um recorde olímpico ou mesmo mundial, mas chegou o dia pelo qual em 2017 deixou Cuba, para poder continuar a trabalhar com o pai, para quem este título, diz, significa tudo. O saltador de 28 anos frisa que o ouro é para homenagar os portugueses, o país que o acolheu e também a avó, que lhe disse para deixar Cuba mesmo sabendo que nunca mais o iria ver, porque lá ele é um pária. Para Nelson Évora, que durante a final deu algumas indicações a Zango, de quem é amigo e com quem treinou antes dos Jogos, um pedido embrulhado em pergunta: "Ele já ganhou tudo, então porque não me deixa fazer a minha carreira em paz?"