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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Se foi a despedida, então fica para a história: Megan Rapinoe marcou um golo olímpico pela 2.ª vez em Jogos. E os EUA levaram o bronze

Se esta história fosse escrita, no final do livro o sentimento seria “tinham que ser elas”. Na lista de jogadoras que podem estar perto da porta de saída da seleção norte-americana, Carli Lloyd e Megan Rapinoe aparecem no topo. Foram elas que decidiram o jogo contra a Austrália que deu o bronze aos Estados Unidos, em Tóquio - em que a segunda fez um golo de canto direto

Rita Meireles

Brad Smith/ISI Photos

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No final do jogo frente à seleção do Canadá, que afastou a equipa norte-americana do primeiro ou segundo lugar no torneio olímpico, Megan Rapinoe estava visivelmente emocionada. O tema da conversa era Carli Lloyd que, com 39 anos, podia ter jogado, em Tóquio, os seus últimos minutos com a camisola dos EUA.

“É duro. Ela é uma das melhores jogadoras a vestir esta camisola. Quem sabe, podem não ser os seus últimos Jogos Olímpicos, mas provavelmente são. Queremos que toda a gente termine com um momento feliz e hoje não fomos capazes de o fazer”, afirmou então Rapinoe, à "NBC".

Mas, esta quinta-feira, no jogo pela medalha de bronze frente à Austrália, Rapinoe, que pode também estar perto do final da carreira ao serviço da seleção, fez questão de garantir que quem está de saída, sai com uma medalha olímpica. E Lloyd seguiu-lhe os passos.

Se este foi o último jogo de um grande torneio internacional que as duas jogaram, com certeza foi um jogo memorável.

Zhizhao Wu/Getty

Rapinoe foi a primeira a marcar e não fez a coisa por menos. Nos Jogos Olímpicos marcou um raro “golo olímpico”, marcado diretamente da marca de canto. Ou melhor, raro para outros e outras jogadores deste mundo - nos Jogos de Londres, em 2012, a jogadora fez o mesmo, então contra o Canadá, na meia-final.

Nesta partida, a Austrália ainda conseguiu responder através de Sam Kerr, mas Rapinoe voltou à carga e fez o 2-1.

No final da primeira parte entrou Lloyd em cena. Um golo aos 45+1 e outro aos 51 minutos não só garantiram a medalha de bronze para os Estados Unidos, como também deram à jogadora o título de melhor goleadora de sempre dos EUA em Jogos Olímpicos, ultrapassando Abby Wambach.

A equipa australiana ainda tentou reagir de novo, mas os golos de Caitlin Foord e Emily Gielnik, na segunda parte, não foram suficientes para derrotar as norte-americanas.

O próximo grande torneio está marcado para daqui a dois anos. Trata-se do Mundial de 2023. Olhando para a atual equipa dos EUA, que venceu o Mundial em 1991, 1999, 2015 e 2019, algumas das suas maiores estrelas têm já mais de 30 anos. Além de Lloyd, Rapinoe e Becky Sauerbrunn têm 36, e Tobin Heath e Kelley O’Hara têm 33.

Ainda assim, se esta quinta-feira marcou o fim de uma era para a equipa norte-americana, fica ainda por descobrir.