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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Campeões de sofá. Como Portugal “esquece” a prática desportiva e se senta à espera de medalhas nos Jogos Olímpicos

O ciclo olímpico repete-se e, apesar das sucessivas promessas políticas e do esforço de alguns no terreno, parece eternizar-se

Luís Francisco

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Expectativas elevadas, confronto com a realidade, procura de culpados”, sintetiza Olímpio Coelho. Apesar de admitir que “este ano possa ser um bocadinho melhor, até porque foi definida pela missão portuguesa uma expectativa oficial”, o ex-docente da Universidade Lusófona, treinador de basquetebol e formador assume que a relação dos portugueses com as suas delegações olímpicas não mudou muito em décadas. A cada quatro anos (cinco neste caso, por força da covid-19), o país sonha com medalhas e, inevitavelmente, com um ou outro momento de euforia pelo meio, acaba a criticar os seus atletas que terminam longe dos lugares de destaque.

A enorme montra dos Jogos enche-se de campeões, de grandes proezas desportivas, de histórias de superação. Mas também de derrotados e desilusões. De drama e de glória. Mas, em Portugal, há outro ingrediente forte no final de cada ciclo olímpico: a cobrança. Os adeptos criticam os atletas pela sua alegada falta de atitude, estes criticam os políticos por não terem apoios, os analistas criticam a fraca aposta do país no desporto, os telespectadores criticam a RTP por não passar as modalidades de que gostam mais, os responsáveis pela delegação olímpica criticam quem exige muito de quatro em quatro anos a atletas que roçam o anonimato em termos de reconhecimento social. Enfim...