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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Tal mãe, tal filho: JaVale McGee imita o que a mãe fez em Los Angeles 1984. É a primeira vez na história dos Jogos Olímpicos

Equipa feminina de basquetebol norte-americana ganhou a medalha de ouro em nove das últimas 10 edições dos Jogos Olímpicos. A primeira vez começou com Pamela McGee, a mãe de JaVale McGee, o jogador dos Nuggets que 37 anos depois a imitou

Hugo Tavares da Silva

Bettmann

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Quando soou a corneta eletrónica pela última vez, qual mensageira da fortuna, as basquetebolistas norte-americanas celebravam e sem saberem começavam ali uma história pintada a oiro que se desenrolaria por muitos e muitos anos. A equipa feminina dos Estados Unidos, com Pamela McGee como uma das figuras, acabava de ganhar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles pela primeira vez.

Em casa, Pamela tinha à espera o filho de quatro anos, JaVale. Ela era então uma estrela dos Southern California Trojans, jogava até com a irmã gémea, Paula. Mais tarde, depois de alguns títulos na bagagem, Pamela jogou basquetebol noutros países, como Brasil, França, Itália e Espanha. Aos 32 anos, foi escolhida no draft e experimentou durante duas épocas a WNBA, atuando pelos Los Angeles Sparks e Sacramento Monarchs, a equipa onde jogaria Ticha Penicheiro.

Pelo meio, o pequeno JaVale deixou de ser tão pequeno e aparentemente ganhou o gostinho pela bola cor de laranja, tal como a irmã, Imani McGee-Stafford, atualmente nos Perth Lynx da Women's National Basketball League (em 2016 foi escolhida na primeira ronda no draft da WNBA).

Gregory Shamus

E assim se fez história: 37 anos depois, JaVale, atualmente nos Denver Nuggets (três vezes campeão pelos Warriors e Lakers), venceu os Jogos Olímpicos, numa final contra a França, e imitou a mãe. É a primeira vez que uma mãe e um filho ganham uma medalha de ouro, ainda por cima no mesmo desporto.

O basquetebol feminino só aterrou no palco maior do desporto mundial em 1976. Na estreia, as norte-americanas conquistaram a medalha de prata, em Montreal. Quatro anos depois, os Estados Unidos não participaram nos Jogos de Moscovo, depois do boicote anunciado pelo Presidente Jimmy Carter.

O regresso aconteceu em 1984, em casa, em LA. As norte-americanas chegaram à final e bateram a Coreia do Sul (85-55), que seria a anfitriã em 1988, sem grande dificuldade. Aí começou uma história de grandeza incomparável: entre 1984 e 2020, as norte-americanas conquistaram nove medalhas de ouro e uma de bronze (1992) em 10 participações. Esta madrugada bateram o Japão (90-75) e somaram o sétimo ouro consecutivo.

Pamela McGee em 1984

Pamela McGee em 1984

Collegiate Images

Durante os Jogos de Tóquio, JaVale escutou uma pergunta bizarra relativa à sua mãe, numa conferência de imprensa, talvez de alguém que estivesse já a magicar este desfecho e esta história bonita e inédita.

“A tua mãe ainda está connosco?”, atirou o jornalista.

Desarmado, confuso até, o basquetebolista respondeu: “Se a minha mãe está viva? Yeah, ela está viva. Isso é uma pergunta esquisita para se fazer a alguém, mas continua…”

Desta vez, aos 58 anos, foi Pamela que esperou em casa pelo filho para saber se o ouro tem o mesmo toque e perguntar ao filho como foi aquela gloriosa jornada pelo Japão. Afinal, são os únicos no mundo, na história infinita do desporto, que o podem fazer.