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Tóquio 2020

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Jogos Olímpicos

Maria Andrejczyk vendeu a sua medalha olímpica para financiar a cirurgia de um bebé. A empresa que a comprou devolveu-lhe a prata

A atleta polaca venceu a medalha de prata na prova do lançamento do dardo nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas, já em casa, soube do caso de um bebé a precisar de uma operação cardíaca nos EUA. Maria Andrejczyk colocou a sua medalha em leilão para todos os lucros reverterem para a família do bebé, que não conseguia pagar os custos. Uma empresa não só comprou a medalha, como a devolveu à atleta

Diogo Pombo

ALEKSANDRA SZMIGIEL/Getty

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Os Jogos Olímpicos são combustíveis para sonhos de muita gente e incontáveis são as vezes em que já ouvimos atletas desabafarem que têm uma vida de treino, trabalho, sacrifício e abdicação de muitas coisas para tentarem participar na prova que, pandemias à parte, só aparece a cada quatro anos e reservada é para os melhores.

Maria Andrejczyk esteve entre os 11.656 atletas qualificados para Tóquio e foi uma das que passou no filtro da excelência medalhada. A polaca alcançou os 64.61 metros no lançamento do dardo — não chegou ao seu melhor, 71.40m, que é a terceira melhor marca de sempre entre mulheres —, mas a distância retribuiu-lhe com a medalha de prata.

Esse pedaço de metal precioso é a razão do esforço atlético de muita gente, símbolo de sucesso desportivo eterno. Feito o seu no Japão, a atleta polaca, de 25 anos, soube da história de Miłosz, de oito meses, carente de uma cirurgia cardíaca num hospital em Stanford, nos EUA, que a família não conseguia pagar.

Maria Andrejczyk terá olhado para a sua medalha e recordado o que já viveu.

Em 2018, a atleta polaca recuperou de um caso de cancro ósseo, já depois de ter participado nos Jogos do Rio de Janeiro, onde terminou no quarto lugar. Ao saber da história do bebé, Maria Andrejczyk colocou a sua medalha de prata à venda e anunciou que o lucro seria usado para financiar a viagem e a operação: cerca de 328 mil euros.

O gesto da polaca tocou nas atenções de muitas pessoas e as doações à família da bebé começaram. "Devido ao facto de terem feito maravilhas e unido forças, pagaram mais do que o equivalente [ao preço] da medalha", escreveu Maria Andrejczyk na sua página de Facebook, na segunda-feira, para se congratular com um feito.

O bebé Miłosz sofre de um "defeito cardíaco muito raro", lê-se no site criado para angariar fundos destinados ao seu tratamento. A cirurgia deveria ter sido realizado durante a sua primeira de vida, mas, devido à impossibilidade financeira dos pais, o estado de saúde do filho foi-se agravando. "Foi-nos negada ajuda na Polónia", acrescentaram, dando conta de que o bebé também sofre de hipertensão pulmonar e arterial.

Esta terça-feira, as doações já tinham superado os 108% do dinheiro inicialmente pedido pela família.

Matthias Hangst/Getty

Maria Andrejczyk congratulou todas as pessoas que participaram e agradeceu à Zabka, a cadeia polaca de lojas de conveniência que lhe comprou a medalha de prata olímpica e logo a devolveu à atleta. "Ficámos comovidos com o gesto extremamente nobre e decidimos dar-lhe a medalha de volta, por mostrar a grande campeã que é", explicou a empresa.

A lançadora do dardo resumiu o que espera alcançar com o gesto e a medalha, que "é um símbolo de luta, fé e perseguição dos sonhos, apesar das probabilidades". Maria Andrejczyk quis, também, revestir a medalha do que será mais precioso do que seja qual for o metal arrancado desta Terra — "espero que seja um símbolo da vida pela qual lutámos todos juntos ❤️".