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Lá Em Casa Mando Eu

Como Otávio deu toda a tranquilidade do mundo a Rui Pedro Soares, na bancada, com um golo

Parece que acabou a sensação de Corona entrar e a Catarina Pereira, metade portista do Lá em Casa Mando Eu, sentir que o FC Porto saiu reforçado com essa decisão, como parece que não está a acabar a sensação de que a equipa beneficia sempre que Óliver sai do banco

Catarina Pereira, Lá em Casa Mando Eu

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Iker Casillas

Foi uma bela tarde no Jamor, com sol, calor, muitos adeptos do FC Porto e alguns acionistas do Belenenses SAD. O resultado pode não ter sido o mais justo, mas é por isso que gostamos tanto de futebol. É pela sua imprevisibilidade, pela sua constante capacidade de surpreender e pelo que é preciso sofrer para arrancar três pontos a uma equipa que ainda agora não existia. Quanto a Iker Casillas, os dois golos sofridos sem se mexer muito mostraram algumas dificuldades com as condições atmosféricas, claramente compensadas pelo momento em que defendeu um remate de Licá e nos livrou da suprema humilhação de empatar assim.

Maxi Pereira

Não teve hoje uma tarefa fácil, uma vez que foi um dos 14 jogadores do FC Porto que tiveram que disfarçar um péssimo jogo com uma bela vitória. Se olharmos bem para a sua carreira, é esta, aliás, uma das melhores qualidades de Maxi Pereira: disfarçar algumas falhas técnicas com uma bela entrega; disfarçar alguns erros na defesa com uma bela vontade de atacar; disfarçar uma passagem demasiado longa por um clube horrível com uma bela transferência para o melhor clube do mundo.

Felipe

Recebeu, recentemente, a melhor notícia que podia esperar nesta altura da sua vida: apesar dos erros cometidos, apesar de ter atrasado mal uma bola a Casillas que quase dava golo do Belenenses SAD, apesar de ter sido bastante comido no golo do empate, eu continuo a gostar muito dele. Ah, e foi convocado para a seleção brasileira.

Diogo Leite

Começou por ouvir uns gritos do treinador quando chutou a bola sem critério para a frente, uma decisão nunca antes vista numa equipa de Sérgio Conceição e, portanto, devidamente censurada esta tarde. Compensou, aos 26 minutos, com um cabeceamento para o primeiro golo da partida e, sobretudo, aos 56 minutos, com uma mão na área que também iria deixar muitos portistas aos gritos com Carlos Xistra, mas que viria a demonstrar a sua importância mais tarde, quando a equipa de arbitragem se deparou com um lance exatamente igual na área do Belenenses SAD. Diogo Leite arriscou ao achar que não haveria outra opção a não ser manter o mesmo critério, mas, pelo menos hoje, esta doce ingenuidade decorrente da idade foi benéfica para a nossa equipa.

Alex Telles

Quando já começava a ficar preocupada com a falta de eficácia de Alex Telles nas bolas paradas – afinal de contas, já íamos com dois jogos oficiais e nada -, eis que o lateral brasileiro decidiu o jogo com um golo e uma assistência. Clubes há que preferem tentar resolver jogos com grandes esquemas, com equipas e jogadores supostamente adversários, toupeiras no sistema judicial ou uma rede de influências pormenorizadamente descrita num belíssimo Powerpoint. Outros há que disputam qualquer desentendimento com providências cautelares, interpretações jurídicas ou monólogos irritados do Vítor Espadinha. Mas no FC Porto, até ver, é assim: optamos por nos destacar graças ao único e exclusivo talento dos nossos jogadores, sobretudo nos dias em que não jogamos um caracol como equipa.

Sérgio Oliveira

É difícil obter uma opinião sobre a sua titularidade quando oscila entre exibições como a da primeira jornada, frente ao Chaves, e esta, frente ao Belenenses SAD. Vou deixar uma posição mais sustentada para a terceira, frente ao Vitória de Guimarães.

Herrera

Nos últimos anos, temos tido muitas dificuldades com equipas que têm Belenenses no nome, estejam mais ou menos perto dos famosos pastéis. (E agora fiquei demasiado tempo a pensar nos pastéis de Belém, mas vou tentar continuar.)

Desta vez, contudo, houve algo que nos empurrou para o resultado perfeito e a influência de Herrera foi por demais evidente (sendo que também não é de descartar que, nos últimos anos, esta foi a única vez que jogámos contra uma equipa que tem Belenenses no nome depois daquele golo dele no Estádio da Luz). Foi ele que protagonizou a maior parte da nossa pressão alta, que levou os adversários a cometer erros como o que antecede o golo de Otávio, e foi ele que rematou contra a mão de um jogador do Belenenses SAD de forma a que não restassem dúvidas que se tratava de um lance igualzinho ao de Diogo Leite. Portanto, atentem na dificuldade do gesto técnico que consistiu em obrigar Carlos Xistra a marcar um penálti a favor do FC Porto nos minutos finais de um jogo que estava empatado.

Otávio

Não esteve particularmente bem, mas soube destacar-se ao aproveitar um erro da defesa do Belenenses SAD ao tentar sair com a bola em posse (AHAHAHAH QUE ESTUPIDEZ DE IDEIA DE JOGO AHAHAHAH VÊ-SE LOGO QUE ESTE SILAS NÃO VAI LONGE AHAHAHAH) para marcar o segundo da equipa e dar toda a tranquilidade do mundo a Rui Pedro Soares na bancada.

Brahimi

Aguardo ansiosamente pelo frame manipulado que vai mostrar que Brahimi esteve hoje à altura das suas capacidades futebolísticas.

André Pereira

Esteve perto de marcar, aos 23 minutos, com um cabeceamento à trave, mas pouco mais se mostrou em campo. É verdade que pode dar mais opções ao ataque do que Marega, menos aquela que podia ter dado mais jeito neste jogo menos conseguido por parte do coletivo, e que é conhecida como “pontapé para a frente que ele resolve”.

Aboubakar

É difícil fazer uma apreciação justa de um avançado que não teve oportunidades de golo quando a equipa não as cria, como é difícil fazer uma apreciação justa de um avançado que sofreu demasiadas faltas da defesa adversária quando leva cartão amarelo na única falta que faz e ainda responde com um sinal de “porreiro” ao árbitro, porque a indignação é um sentimento demasiado mesquinho para um espírito tão positivo como o de Aboubakar.

Corona

Parece que acabou aquela sensação de entrar Corona e nós sentirmos que a equipa saiu reforçada com essa decisão.

Óliver Torres

Parece que não está para acabar aquela sensação de entrar Óliver e nós sentirmos que a equipa saiu reforçada com essa decisão.

Hernâni

É rápido.