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Lá em Casa Mando Eu responde à complexa questão da titularidade de Sérgio Oliveira com JÁ CHEGA, DOMINGO É COM O COMENDADOR PARA CIMA DELES

Após ver o guarda-redes do V. Guimarães a negar por duas vezes o golo a Herrera, Lá em Casa Mando Eu optou por rever aquele vídeo do golo do mexicano na Luz com a música do Titanic à espera que a tristeza passe

Lá em Casa Mando Eu

JOSÉ COELHO/EPA

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Casillas

Fez um bom jogo, sem necessidade de intervir qualquer vez e evitando o cansaço e as dores musculares que vão apoderar-se, por exemplo, do guarda-redes do Vitória nas próximas horas. Também sofreu três golos, bastantes deles com contribuições decisivas de ex-jogadores do FC Porto e de um ex-treinador do FC Porto, porque nisto de dominar outras equipas estamos 10 anos atrás da concorrência.

Maxi

Podia ter feito mais no ataque, quer quando ficou isolado após um grande passe de Herrera, quer quando ficou em ótima posição para cruzar em boas desmarcações de Otávio. É engraçado que tenha conseguido aparecer tantas vezes à frente dos adversários nesta zona do terreno, quando, na nossa defesa, o pudemos ver tantas vezes a ficar para trás. Tenho a certeza que há alguma explicação do espectro da Física para isto, uma fórmula com muitas letras e símbolos, do género Fg = G m1m2/(d2). Se houver, o senhor comendador Danilo certamente descobrirá a solução nos próximos dias e desastres como o de hoje serão evitados.

Felipe

Confio na sua calma e tranquilidade para passar a próxima semana a ver vídeos e analisar os lances que fizeram com que tenhamos sofrido cinco golos em apenas dois jogos. Imagino grandes sessões de debate, complexos desenhos estratégicos no chão do balneário e demonstrações práticas dos erros que nunca mais vamos cometer. Também confio que, caso isso não seja possível, Felipe terá os atributos necessários para, nos próximos treinos, dar porrada aos companheiros que bem a merecem.

Diogo Leite

Levou cartão amarelo, na primeira parte, por um toque não intencional num adversário que ficou a sangrar. Recordo que o critério da exposição de fluidos corporais nem sempre convence um árbitro a atuar, mas é o que temos.

Alex Telles

Impecável na assistência para o golo de André Pereira, menos útil na altura de impedir médios de 1,20m de marcar ao seu antigo clube e festejar que nem doidos. Reparem que, perante a frustração do resultado e a ira por essas celebrações, optei pelo elevado nível intelectual de fazer sobressair as características físicas de adversários como Tó Zé e André André. Tiveram sorte, porque, com estes nomes, eu podia ter sido ainda mais básica. Porra, eles chamam-se Tó Zé e André André, isto parece gozo.

Sérgio Oliveira

Perante os prós da primeira jornada e os contras da segunda, aguardava ansiosamente por esta exibição para finalmente formular uma análise concreta sobre a titularidade de Sérgio Oliveira. Vou, portanto, passar a transmiti-la aos meus caríssimos leitores, com toda a complexidade que já sinto esperarem de mim, sobretudo nestes momentos em que escrevo depois de perdermos em casa após termos estado a ganhar por 2-0: JÁ CHEGA, DOMINGO É COM O COMENDADOR PARA CIMA DELES!

Herrera

Esteve perto de marcar por duas vezes, mas em ambas as situações o guarda-redes do Vitória optou por estragar-me a noite. Enfim, vou rever aquele vídeo do golo dele na Luz com a música do Titanic e esperar que isto passe.

Otávio

Pronto, já passou metade da equipa que jogou hoje e ainda não insultei ninguém. Objetivo cumprido.

Brahimi

Foi responsável pelo único momento da noite que me faz desejar continuar viva: o golo, aos 37 minutos, após tabela com André Pereira à entrada da área. Depois, correu para Marega e festejaram juntos, levando-me a desconfiar que, quando Sérgio Conceição disse que o grupo pediu a reintegração do maliano nos treinos, afinal o que queria dizer era que Brahimi pediu a reintegração do maliano nos treinos. O que não tem mal nenhum, porque eu também dou por mim a confundir várias vezes o Brahimi com o grupo todo, sobretudo quando não jogamos nada e ele nos safa.

André Pereira

Quando marcou o segundo golo, aos 43 minutos, ficámos todos com duas certezas: o FC Porto tinha uma vantagem confortável e Bruno Paixão continuava a brilhar na sua carreira, agora como VAR. Infelizmente, o decorrer da partida veio abalar as nossas mais profundas convicções, demonstrando não só que nenhuma vantagem é confortável quando o FC Porto joga assim, como também que ainda não foi hoje que Bruno Paixão se enganou a nosso favor. O mais engraçado disto tudo é que, enquanto víamos André Pereira claramente em fora de jogo, colocámos algumas das seguintes hipóteses:

- Bruno Paixão está bêbado

- Bruno Paixão foi lá fora fumar um cigarro

- Bruno Paixão teve um ataque e foi substituído por mim no VAR

Mas em nenhum caso – repito, em nenhum caso – alguém se lembrou que aquela porcaria podia não estar a funcionar. O que diz alguma coisa sobre o VAR – essa tecnologia infalível e que retirou do futebol todas as inverdades que nos afetavam e faziam discutir irracionalmente uns com os outros -, mas sobretudo sobre Bruno Paixão.

Aboubakar

Tentou alguns arranques contra defesas do Vitória fisicamente menos exuberantes, mas tecnicamente mais espertos, e, curiosamente, a estratégia não funcionou. O problema de falar mal do avançado camaronês é que ele parece ser genuinamente um bom tipo. Tão bom tipo que agora deve estar a elogiar o futebol do Luís Castro ou esta minha análise.

Corona

Entrou para substituir o lesionado Brahimi e acabou por sair lesionado, terminando com as dúvidas sobre quem será o melhor suplente do argelino.

Marega

Entrou numa altura em que ainda não parecia que o mundo ia acabar, o que explica os aplausos que ouviu. Esteve muito perto de marcar, aos 93 minutos, aquele que seria o primeiro dos 30 golos que valem o meu perdão.

Óliver

Entrou para substituir o lesionado Corona numa altura em que ainda não estávamos arrependidos de ter dito, ao intervalo, que não merecíamos aquela vantagem. Isto é para aprendermos a não sermos assim sérios. Dizem que há campeonatos que se ganham nestas jornadas, em que se joga para perder, mas a tecnologia e a arbitragem estão de acordo em favorecer-nos. E nós o que vamos fazer quando isto finalmente acontece? Dizer “ai, não, assim não quero, que chatice, ganhem lá vocês que merecem mais”. Que estupidez.