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Lá Em Casa Mando Eu

Lá em Casa Mando Eu louva Aboubakar, que teve o discernimento para não partir uma raquete e gritar: “EU TENHO UMA FILHA, SEU LADRÃO!”

O FC Porto empatou com o Chaves (1-1), para a Taça da Liga, e nem a exibição de Danilo animou Lá em Casa Mando Eu, porque "o fim de mandato da Procuradora-Geral da República e o crescimento da extrema-direita na Suécia nem sempre lhe permitiram estar 100% focado"

Lá em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA

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Vaná

À exceção de uma grande defesa, já nos descontos, pouco mais teve para fazer a não ser aprender com as indicações que o treinador Casillas ia dando à equipa do banco. Penso que, nestes jogos, os guarda-redes do FC Porto deviam aproveitar o tempo livre e fazer voluntariado como hackers, ou, vá, limpar os painéis de publicidade (para justificarem o ordenado do clube). Se o adversário for como o Chaves e abdicar mesmo de atacar, podiam até escrever uma análise de um dos colegas para a Tribuna (se não for pedir demais, tenho sempre dificuldades em fazer piadas sobre o Alex Telles).

(PS: senhor Iker Casillas, se alguma vez ler alguma coisa aqui que não goste, diga. É um prazer e uma honra tê-lo no meu clube.)

João Pedro

Destacou-se pela grande recuperação após um canto nosso, em que chegou a estar sozinho para dois adversários, o que lhe valeu um grande aplauso do Dragão. Infelizmente, também podem ter sido palmas de alívio, porque de resto as coisas não lhe correram lá muito bem. Fez ainda algumas faltas algo durinhas, o que pode indicar que ainda não se adaptou muito bem ao futebol europeu, mas já se adaptou perfeitamente aos treinos com Maxi Pereira.

Felipe

Teve, há uns dias, a estreia pela seleção brasileira, um facto que não deverá ter sido alheio à tentativa de marcar um golo de calcanhar logo ao minuto 3. Enfim, é por isso que acho perigosíssimo que Felipe se possa tornar um frequentador habitual da seleção do Brasil: vai daí ainda se esquece que o queremos mais Jorge Costa do que Neymar, mais Adamastor do que Cristo Redentor. De resto, uns metros à sua frente, a linha de 5, ou 6, ou 7 homens do Chaves foi invadida por quase todos os seus colegas. O jogo desenrolou-se sempre longe de si e, de tempos a tempos, Felipe lá tinha de patrulhar a sua zona, recuperar a bola e devolver lá para a frente. No fundo, Felipe foi aquele velhote simpático que esteve a ver a miudagem jogar na rua. De tempos a tempos, a bola saltou para o seu jardim e ele foi lá devolvê-la, subindo depois para a sua varanda, onde voltou a assistir ao jogo.

Diogo Leite

O Chaves perdeu tanto, tanto tempo, que é possível que Diogo Leite tenha passado mais de metade da sua carreira neste jogo.

Alex Telles

O ano é 2024. Um jogador qualquer do FC Porto bate um canto baixo, frouxo e ao primeiro poste, que é rapidamente aliviado pela defesa. Algures, pelo menos uma adepta chora copiosamente de saudades.

Danilo

Ainda longe da sua melhor forma, ou seja, só pouco acima de perfeito. O senhor comendador controlou o jogo, ajudou a iniciar vários ataques e chegou a ameaçar o golo. O fim de mandato da Procuradora-Geral da República e o crescimento da extrema-direita na Suécia nem sempre lhe permitiram estar 100% focado, mas é este o preço de jogar com um intelectual.

Herrera

Talvez por sentir a presença de Danilo ali tão perto, sentiu-se mais à vontade para aparecer na área e esteve em alguns dos poucos lances de ataque que o FC Porto criou até aos últimos minutos do jogo. Apesar de ter várias vezes à frente uma linha defensiva de 5, ou 6, ou 1000 jogadores do Chaves, arriscou sempre no passe, pensou com a sua habitual rapidez e quase nunca tomou más decisões. Ou seja, é óbvio que não esteve nada com Lopetegui esta semana.

Otávio

É, provavelmente, o jogador do FC Porto que mais cresceu da época passada para esta. Ainda é cedo para dizer se por resultado do trabalho a que se dedicou nos últimos tempos, se por ilusão de ótica em relação ao pouco futebol que continuamos a jogar.

Corona

Teve oportunidade de mostrar que pode ser uma hipótese para o lado esquerdo do ataque e até se mostrou muito bem num lance, ao minuto 40, em que deixou Nuno André Coelho para trás e cruzou para a cabeça de Herrera. No entanto, mais tarde, o treinador trocou-o por Brahimi e, como em princípio o argelino não deverá ser muitas vezes barrado à entrada, Corona sabe bem que não volta a entrar de início tão cedo.

Adrián Lopez

Na sua primeira intervenção, travou um contra-ataque nosso literalmente parando no relvado e dando atrás para um adversário. E devo dizer que achei esta estratégia genial, porque a partir daí foi sempre a subir e nem nos queixámos muito. Continuo sem estar convencida da sua utilidade, mas pelo menos hoje aguentou mais tempo em campo do que Sérgio Conceição.

Marega

No primeiro canto a nosso favor, logo ao minuto 2, vi-o a falar com Danilo, provavelmente perguntando-lhe a sua opinião sobre a taxa da especulação imobiliária. Infelizmente, nas imagens não conseguimos ver a resposta lógica e bem fundamentada do senhor comendador, pelo que continuamos assim sem perceber qual é mesmo a proposta do BE/Rui Rio.

Brahimi

Foi chamado para resolver o problema de não conseguirmos entrar no bloco do Chaves, um pouco como quem chama o marido para vir abrir aquele frasco. O argelino fez o que lhe competia, começou a abrir espaços e esteve na jogada do golo de Hernâni. Curiosamente, é ele que não acompanha até ao fim o jogador do Chaves no golo do empate. Como o marido que abre a lata, mas que, com o cotovelo, derruba a garrafa de azeite para o chão. (Esta hipótese é totalmente ficcionada, nunca aconteceu cá em casa. Nunca, nunca)

Hernâni

Mal entrou em campo marcou golo. Lá está: é rápido!

Aboubakar

Entrou para a equipa de arbitragem lhe tirar mal um fora de jogo, não lhe assinalar um penálti e ainda lhe anular um golo passado não sei quanto tempo sem VAR. Nestas condições, penso que só mesmo Aboubakar teve o discernimento necessário para não partir uma raquete e gritar “EU TENHO UMA FILHA, SEU LADRÃO!”.