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Lá Em Casa Mando Eu

Hernâni sempre foi, simplesmente, rápido, mas agora já É UM AMOR para o Lá em Casa Mando Eu

Num jogo em que a cronista viu "tanta cacetada" a ser distribuída e julgou que, tão irritado que estava, o senhor comendador ia "arrancar aquela faixa amarela do cabelo do Idris" para mostrar a cor dos cartões ao árbitro, ainda reparou como Brahimi "ficou demasiado nervoso com as provocações boavisteiras e até se pegou com um jogador chamado Carraça, provando que ainda não sabe mesmo falar português"

Lá em Casa Mando Eu

JOSÉ COELHO/LUSA

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Casillas

Não sei se Iker Casillas já está há tempo suficiente no futebol português para saber que o Boavista já foi campeão nacional. Perante uma equipa que quis destruir o jogo e deu tanta cacetada nos nossos rapazes, sempre com o aval do árbitro, suponho que seja muito difícil de acreditar. Mas ficas a saber, Iker, que esta atitude foi para nós como uma viagem no tempo: de repente, parecia que tínhamos recuado quase 20 anos, só que em vez de jogadores chamados “Martelinho” agora são “Rochinha”, e em vez de “Petit” são "Idris", e em vez de “Vítor Pereira” são “Hugo Miguel”. Felizmente, aquele golinho nos descontos foi o nosso Revenge of the 90’s.

Corona

A 19 de outubro, escrevi por aqui a seguinte análise a Corona: “Passou com facilidade pelos jogadores do Vila Real e temo que isto lhe dê um otimismo exagerado para os próximos jogos”. Tendo Corona arrancado para uma série de exibições incríveis, agora temo que só uma luz me tenha salvado do despedimento. Mas hoje, por acaso, tendo em conta o “estilo de jogo” do adversário, penso que isto pedia um Maxi Pereira num daqueles dias em que se sente livre e confiante para demonstrar em campo todas as suas melhores qualidades, como a capacidade de luta e a cacetada naqueles gajos. Aliás, não sei se repararam pela transmissão televisiva, mas, ao intervalo, Maxi foi falar com o árbitro e, no meio de sorrisos e um à-vontade incrível, lá foi dando uns empurrões ao homem. Se foi isto no túnel, imaginem a beleza que podia ter sido no relvado.

Felipe

Não costuma compartilhar as preocupações democráticas de bom futebol do seu companheiro do centro de defesa, mas, perante a agressividade do outro lado, penso que até esteve bastante calminho. Receio que possa ter ouvido a conferência de imprensa de Rui Vitória na sexta-feira, sobretudo aquela citação: “É uma mudança que tem de ser interior. Não podemos querer mudar o mundo se não nos mudarmos a nós mesmos”. Porra, isto é lindo, mas quero o Felipe de volta.

Militão

Tentou, com a sua técnica e capacidade posicional, acalmar a selvajaria que se vivia no Bessa. Vimo-lo a explicar, em vão, que aquele clima de violência e insegurança para com as pessoas que sabem jogar à bola, aliado ao barulho constante de fake news das bancadas boavisteiras, é o que cria as condições necessárias para o aparecimento de Bolsoranos.

Alex Telles

Bem, parece que voltou o Alex Telles das bolas paradas e cruzamentos perigosos. No entanto, ainda há muito trabalho a fazer para o recuperarmos totalmente. Nada que uma noite bem dormida não possa resolver.

Danilo

Deu uma beijoca toda fofinha a Iker Casillas antes de começar o jogo, demonstrando que até nos afetos tem bom gosto. Infelizmente, o tom da partida e do adversário ditaram que o senhor comendador se fosse transformando em algo menos cavalheiresco. Foi tentando, de todas as maneiras, explicar a Hugo Miguel o que era um cartão amarelo. O crescendo de irritação começou com um “O que é isto?” na primeira falta. A coisa escalou até um “Não dás cartão, car%*!#?”, já quase de lágrimas nos olhos, e estou convencida que mais uns minutos e Danilo ia arrancar aquela faixa amarela do cabelo do Idris e gritar ao árbitro: “DESTA COR! DÁ UM CARTÃO DESTA COR!”

Óliver

É de mim ou esta pressão em rematar para golo está a torná-lo menos eficaz naquilo que ele sabe fazer mesmo bem? Ora, de qualquer maneira, não era dia para o futebol dele. Bem, na verdade, não era o recinto apropriado para o desporto futebol em geral, pelo que o semi-apagão de Óliver está desculpado. Uma das grandes vitórias - e surpresas! - da noite é o facto do espanhol não só não ter saído lesionado, mas ter acabado sem qualquer mazela, prova de que usou a sua inteligência para a única coisa que ela serve no estádio do Bessa: a sobrevivência.

Herrera

Na primeira parte, conseguiu a melhor receção de bola em anos: tentando cabecear, parou-a nos dois pés. Não tentem fazer isto em casa, por favor. Já ao intervalo teve de ir pedir aos adeptos para pararem de mandar coisas para o relvado: era bandeiras, era papéis, era moedas, e mesmo assim não conseguiram ser tão perigosos quanto um jogador do Boavista à solta. Na segunda parte, ainda marcou um golo que foi anulado pela equipa de arbitragem, e bem, porque nós tínhamos de ganhar aos 95' com um golo do Hernâni.

Otávio

Voltou ao onze devido ao mérito das últimas exibições e encostou-se ao lado direito do ataque com convicção, confundindo os especialistas em losangos invertidos.

Brahimi

Ficou demasiado nervoso com as provocações boavisteiras e até se pegou com um jogador chamado Carraça, provando que ainda não sabe mesmo falar português. Vá lá que a sua capacidade linguística foi suficiente para explicar a uns adeptos na bancada que nós somos o Porto e vamos ganhar.

Marega

Foi muito castigado pela defesa axadrezada, tendo passado o jogo quase todo com alguém com parte do corpo em cima dele. Entretanto, foi tentando impor o seu estilo e ouviu-se algures um “Domina mal a bola, Marega”, numa imprecisão inqualificável do jornalista. Como é óbvio, é a bola que domina mal o Marega.

Soares

Recebeu a bola ao minuto 95 e passou-a.

Adrián

Recebeu a bola ao minuto 95 e chutou contra alguém do Boavista.

Hernâni

É UM AMOR!