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Lá Em Casa Mando Eu

Lá em Casa Mando Eu explica-nos o triunfo do FC Porto com a inestimável ajuda da obra “A Arte da Guerra para Treinadores”, de Rui Vitória

Às vezes é preciso uma mãozinha para embelezar uma prosa e Lá em Casa Mando Eu abriu humildemente um dos 30 exemplares do livro do agora ex-treinador do Benfica que tem em casa para nos falar da exibição dos jogadores do FC Porto na difícil vitória em frente ao Desp. Aves

Lá Em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA/Getty

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(Todas as citações incluídas neste texto são retiradas da obra “A Arte da Guerra para Treinadores”, da autoria do Professor Rui Vitória. Porque vou ter saudades. E porque o meu marido comprou 30 livros destes por causa de uma promessa e eu decidi dar-lhes uso finalmente)

CASILLAS

O Aves nunca chegou a ser muito perigoso, pelo que Iker Casillas já estaria descansadinho da vida quando lhe enviaram uma bola à trave no último segundo do jogo. Não consigo dizer mais nada sobre este lance, porque ainda estou a tentar voltar a respirar.

“Talvez haja pessoas que chegam mais rápido, outras que levarão mais tempo, mas o importante é chegarmos ao objetivo dentro do nosso tempo.”

MAXI PEREIRA

Registo aquele lance, logo no início da partida, em que não deixou um adversário cavalgar para o nosso meio-campo através de um agarrão, tendo ainda sorrido perante o aviso do árbitro.

“É ver a floresta e não as árvores. Posso entrar para o meio das árvores, mas depois volto ao meu lugar, que é de fora. Se estivermos dentro, é muito mais difícil sair, depois” (a escolha das vírgulas e da sua colocação é da exclusiva responsabilidade do Professor).
O nosso lateral é a floresta de onde os extremos não conseguem sair, depois.

FELIPE

Lutou muito e parece que continua empenhado em mostrar que Éder Militão não é o nosso único central a merecer todos os mimos.

“De braço dado com a persistência está a ambição. Atenção: não se trata de uma ambição desmedida, que não olha a meios para obter os fins. É precisamente o contrário: é uma ambição diária, a uma escala quotidiana, que depois se expande.”

ÉDER MILITÃO

Marcou o único golo da partida e deu uma importante vantagem à nossa equipa. Nem todos os centrais se podem gabar do mesmo.

“A questão em relação aos defesas é que podem até estar menos em jogo, aparentemente, podem até não tocar na bola durante algum tempo, mas no momento decisivo, quando são chamados a atuar, têm de ter a capacidade de intervir sem hesitar, para defender a sua baliza.”

ALEX TELLES

Teria mais uma assistência para golo, não fosse o árbitro ter assinalado o fora de jogo a Danilo. É impressionante a forma como bate tão bem as bolas paradas, um facto que nem sempre é valorizado por alguns treinadores.
“Outro aspeto que considero característico na minha forma de treinar é o facto de não gostar particularmente de ter tudo planeado.

DANILO

Num jogo essencialmente feiinho, teve de ser o senhor comendador a colocar alguma ordem no meio-campo, travando várias investidas do Aves e lançando os colegas para o ataque.

“Do mesmo modo que, numa banda, um músico não pode ir para casa treinar acordes quando o chefe de orquestra solicita que toque determinado acorde, o jogador também deve ter interiorizado, adquirido, um leque de capacidades que irá pôr em prática quando o treinador assim o exigir. Os bons jogadores, como os bons músicos, são aqueles que começam a dar soluções mais depressa. O treino deve estar orientado para que os jogadores possam mudar a qualquer momento qualquer coisa.”

HERRERA

Sérgio Conceição “avisou-o”, na conferência de imprensa de antevisão da partida, que só jogará se der sempre tudo, não interessando para o caso o final do contrato. Não tenho a certeza que ele tenha percebido.

“A comunicação para dentro do campo nem sempre é fácil. Em primeiro lugar, porque cada vez mais as equipas são formadas por jogadores de várias nacionalidades, e não há uma linguagem universal.”

CORONA

Teve alguns bons toques na bola, mas já me parece longe daquele momento de forma em que realmente desequilibrava o jogo a nosso favor.

“Cada um de nós tem o seu próprio relógio. E cada relógio anda ao seu próprio ritmo. Todos temos ritmos diferentes. Isso significa que cada um de nós, enquanto ser humano, tem de esperar para que a hora certa aconteça no seu relógio.”

BRAHIMI

Esta vitória teria outro sabor se não tivéssemos visto Brahimi a sair lesionado do campo. A verdade é que somos muito dependentes dos seus dribles e que poderemos ficar órfãos da tática que consiste em deixá-lo fazer o que quer.

“A tática, na verdade, começa muito antes da tática”.

MAREGA

Foi eleito o melhor jogador do ano pelos leitores do jornal O Jogo, incluindo aqueles génios do Sporting que colocaram uma faixa a gozar com ele. Hoje não marcou, mas continuamos firmes na convicção de que está em grande forma.

“Do ponto de vista técnico, os avançados têm de ser muitíssimo bons. À medida que nos vamos aproximando da baliza adversária, a arte tem de ser cada vez maior para fazer coisas diferentes, para tirar um adversário do caminho, para fazer um remate à baliza e, portanto, a técnica tem de estar apuradíssima nesta fase.”

SOARES

Tentou o golo várias vezes na primeira parte, quando a equipa atacava melhor, mas teve de passar a segunda mais longe da área, a chatear os jogadores do Aves.

“Além desta perspetiva, como costumo dizer, um jogador atacante não é só ‘atacador’. Não ataca só.”

ÓLIVER

Como sabem, tenho alguma dificuldade em entender como é que um jogador destes não tem lugar numa equipa que, apesar das vitórias, não está a jogar um futebol propriamente bonito.

“Costumo dizer que um pianista não corre à volta do piano para tocar melhor. Tem de praticar, tem de tocar.”

HERNÂNI

É rápido.

“Por isso, digo várias vezes: ‘Ouçam aquilo que eu digo, mas não façam só o que eu digo, ou tudo o que eu digo’.”

ADRIÁN

Bem, lá chegará a altura em que ele terá de mostrar mais para continuar a viver sob a aura do mister Conceição.

“Um jogador revela-se muito segundo o contexto em que é colocado: ou seja, determinado jogador pode ser muito bom na minha equipa, mas pode não ser tão bom noutro contexto.”