Tribuna Expresso

Perfil

Lá Em Casa Mando Eu

Ele é tudo o que podia correr mal a correr bem: Lorde Marega, o super-herói de Lá Em Casa Mando Eu

O melhor marcador do FC Porto (16 golos) fez uma rutura muscular na coxa esquerda, frente ao Vitória de Guimarães, e ficará de fora das opções de Sérgio Conceição nos próximos dois meses - e isto é uma tragédia, explica Lá em Casa Mando Eu

Lá em Casa Mando Eu

MIGUEL RIOPA

Partilhar

O seguinte diálogo sobre super-heróis ocorreu recentemente cá em casa, entre um pai benfiquista e um filho do clube que mais jeito lhe dá em cada ocasião:

- Tens de comer tudo. O Batman come a massa toda para ficar muito forte.
- E o Marega também?

Para o meu filho comer, vale tudo. Histórias de super-heróis que comem a massa toda, histórias de Maregas que resolvem jogos, enfim, a maluquice que nos vier à cabeça. Afinal de contas, uma criança de dois anos não é assim tão difícil de entreter: basta uma figura com super-poderes e uma imaginação muito fértil. E Moussa Marega é muito isso.

Há super-heróis que lançam teias, outros voam e outros têm anéis poderosos. Há Brahimis que driblam adversários, Casillas que voam e Ólivers que colocam a bola onde querem. Há super-heróis que perderam os pais para os maus e são motivados pela vingança e há Felipes e Pepes que não têm motivo nenhum mas procuram o mesmo. E depois há os outros, os que não nasceram com nenhuma característica particularmente especial, mas que são só mesmo muito fortes, ou têm um martelo, ou uma cena assim bastante eficaz na hora de afastar adversários. Há, então, Moussa Marega.

No último ano e meio, Marega tem sido o nosso super-herói. Entre bastantes receções de bola falhadas, muitas corridas atabalhoadas e várias decisões inexplicáveis, Marega é a nossa figura com super-poderes e uma imaginação muito fértil. Só isso ajuda a entender o peso que ganhou na equipa, a quantidade de golos e a quase obrigação de colocar os outros, aparentemente com mais qualidades técnicas, a jogar para ele.

Marega é o adversário a gozar connosco até festejarmos nos Aliados. Marega é tudo o que podia correr mal a correr bem. Marega é, por vezes, o adversário. E Marega é tudo.

Marega é o FC Porto de Sérgio Conceição: tudo o que não sabe fazer, faz bem. Marega é dúvida antes e durante, mas certeza no fim. Marega é dizermos mal dele, até ele nos deixar a dizer mal de nós próprios.

Marega é força, é músculo e é suor. Marega é aquele futebol pelo qual ninguém quer pagar bilhete. Se o espetáculo está no Coliseu ou no Sá da Bandeira, Marega está no Bolhão.

MIGUEL RIOPA

Portanto, ficar sem Marega na fase mais complicada da época nunca é uma boa notícia, mesmo para aqueles, como eu, que nem sempre têm a imaginação fértil necessária para ver os seus super-poderes.

Dirão os entendidos que, sem Marega, o FC Porto de Sérgio Conceição tem agora uma oportunidade para jogar outro tipo de futebol: com menos chutos para a frente, com Óliver a desmarcar outros colegas, com Herrera a entrar mais na área, com Brahimi e Corona a assistir melhor Soares. É verdade, será um desafio que, por vezes, terá o seu interesse. Mas perde-se a magia.

Dois meses são muito tempo sem o nosso super-herói. E, para lutar por este campeonato, pela Taça e por fazer boa figura na Liga dos Campeões, vamos precisar de comer mesmo muita massa.