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Lá Em Casa Mando Eu

Há momentos que definem campeonatos, diz Lá Em Casa Mando Eu: o remate de Kelvin, a bomba de Herrera, o rabo de Alex Telles

Aqui está a análise em bom português e mau castelhano - vide Casillas e Militão - sobre o inesperado empate do FC Porto em Vila do Conde pela parcial escrita de Catarina Pereira, de Lá Em Casa Mando Eu

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Casillas

Estava a ter uma noite bastante descansada, até um rapaz aparecer a cabecear sozinho na área e outro rematar à trave. Nessa altura, terá pensado: “Hombre, tu quieres vier que viamos conseguiri empatiar istio, miesmo no finial que es para doler mas?” Ora nem mais, Iker, conseguimios.

Militão

Aposto que já tinham saudades do meu castelhano. Ah, bons tempos em que eu brincava com a possibilidade de Éder Militão ir para o Real Madrid. Bem, sobre hoje, tenho de destacar que não foi por falta de entrega do nosso melhor pior lateral do mundo: até uma bola numa zona que fica ali entre as virilhas ele levou, para evitar um desfecho que seria, afinal, inevitável. Aposto que em Madrid até se contorceram de dor. Aquilo já deve valer uns milhõeszitos, deve.

Felipe

Em ambos os golos do Rio Ave, foi aquele jogador que esteve mesmo perto de cortar o lance. Um bocadinho como eu, que, em ambos os golos do Rio Ave, fui aquela adepta que esteve mesmo perto de cortar os pulsos.

Pepe

Estava a fazer uma enorme exibição até aos 85 minutos: em antecipação, no jogo aéreo e a fazer um dos cortes da noite. Depois disso, sentindo a vitória na mão, fez o que seria de esperar de um central com a sua experiência: desatou a correr de um lado para o outro e viu duas bolas a passar. Infelizmente, o Rio Ave teve a desfaçatez de fazer dois golos com isso. No final, Pepe não se escondeu e foi à flash-interview admitir que a culpa era dos jogadores. Sobretudo dos que não estavam concentrados o suficiente para não desatarem a correr de um lado para o outro nos minutos finais.

Alex Telles

Há momentos que definem um campeonato. Pela importância que têm, ficarão gravados na nossa memória durante muitos anos. O pontapé de Kelvin, a bomba de Herrera, o rabo de Alex Telles.

Danilo

Estive a rever os golos do Rio Ave e há ali um momento em que o senhor comendador abre os braços, como quem diz: “Calma, que isto está tudo controlado”. E eu então tenho de acreditar.

Herrera

Quando Herrera baixa de ritmo, a equipa baixa de ritmo. Quando Herrera não tem intensidade, a equipa não tem intensidade. Quando Herrera não chuta de longe em cima do minuto 90, a equipa provavelmente não é campeã.

Otávio

Cruzou bem para o primeiro golo da noite e assumiu aquilo que foi evidente para todos nós: que o FCPorto nunca deixaria fugir aquela vantagem. Infelizmente, nem Otávio nem nós somos muito espertos.

Corona

Além dos lances que deram golo, teve nos pés das poucas oportunidades que o FCPorto criou na segunda parte. Recebeu a bola de Marega, mas dominou-a mal quando se encontrava em ótimas condições de rematar. No fundo, um lance com os protagonistas ao contrário do que grande parte do campeonato.

Brahimi

Marcou um golo, de cabeça, a finalizar uma jogada que ele próprio criou, e conduziu a equipa para uma exibição segura. Depois saiu. E pronto.

Marega

Quando se preparava para dominar bem uma bola, após assistência de Soares Dias, levou um ligeiro empurrão de Rúben Semedo na área - e evitemos todos, neste momento, as piadas brejeiras que poderiam fazer-se neste contexto. Incomodado com a situação, Moussa Marega viu o árbitro dar-lhe cartão amarelo por protestos e, então, respondeu com um golo e mais uma ou outra palavra menos simpática para com Soares Dias. Marega é muito isto: os nervos à flor da pele e um talento enorme para irritar pessoas. É uma pena que as coisas depois tenham acalmado.

Manafá

Os jogadores costumam dizer que estas coisas custam muito mais quando se está no banco ou na bancada do que quando se está em campo. Pronto, Manafá, podes sempre ver isto por esse lado positivo: tu estavas em campo quando esta tragédia aconteceu!

Bruno Costa

E a Youth League, hein? Fantástico.

Soares

Assumiu a marcação do livre perigoso de que o FCPorto dispôs depois do empate e, sendo assim, o livre deixou de ser perigoso. Agora é assim, resta-nos torcer pelo Braga do Abel. Há dentes do siso a serem arrancados sem anestesia que me parecem uma sensação melhor do que essa, mas é o que temos, meus caros.