Marega está do lado certo da História e todos os que tentam culpá-lo e diminuir os atos racistas estão do outro (por Lá em Casa Mando Eu)
Este domingo, Catarina Pereira escreve-nos um texto diferente, porque as análises ao jogo deixam de fazer sentido depois do jogo deixar de ser o mais importante
16.02.2020 às 22h59
MIGUEL RIOPA
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Preparava-me para escrever o habitual texto de análise ao 11 do FC Porto quando Marega, sozinho, tentou mudar o futebol português.
Não que o que se ouviu hoje nas bancadas de Guimarães tenha sido um ato único, ou insólito. Longe disso, infelizmente.
O racismo em Portugal existe, dentro e fora dos estádios. A diferença é que hoje houve um jogador que não o aceitou.
Moussa Marega saiu de campo sozinho, quando na verdade devíamos ter saído todos. O futebol – e a sociedade, já agora – não podem tolerar mais isto.
Não se trata de clubes, muito menos de gostos. Trata-se de decência. De Humanidade.
Marega está do lado certo da História e todos aqueles que já vieram tentar culpá-lo, diminuir os atos racistas ou desculpabilizar quem quer que seja estão do outro.
É futebol e, por isso, muitos perdem tempo com “da outra vez também coiso…”, ou “se fosse o teu também não sei o quê”. Mas aqui não há um “nós”, ou um “eles”. Ou melhor, até há: “nós”, as pessoas; “eles”, os racistas.
Foi um momento muito triste para o futebol português, mas Marega elevou-se. Ao ter a coragem de sair, de responder, de não aceitar, de não diminuir, de não comer e calar, mostrou como se faz.
Parabéns a todos os que estiverem do seu lado: colegas, treinadores, clubes, rivais, adversários, adeptos, dirigentes, organizações, partidos, governos.
A todos os outros, os dedos de Marega disseram tudo.
Saibamos agora dar seguimento ao seu ato. Que se reflita, discuta, que se aja em conformidade. Que o futebol saiba estar à altura deste momento: mudando. Evoluindo.
Os racistas não passarão.