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Lembram-se quando a pandemia ia mudar tudo? Afinal... há impugnações, demissões e o patrocinador a voar (por Lá em Casa Mando Eu)

"E quero acreditar que, quando isto começar, o futebol português também vai saber estar à altura, deixando de discutir contratos televisivos para passar a discutir penáltis, abandonando as impugnações e retomando as conspirações, evitando polémicas com normas da DGS e criando guerras com regras do VAR", escreve Catarina Pereira

Gualter Fatia

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Lembram-se quando, algures em meados de março, tivemos de nos enfiar quase todos em casa, desenhando arco-íris com as crianças, batendo palmas à janela e escrevendo e dizendo em quase todo o lado que esta pandemia iria mudar o mundo?

Bem, é verdade, mudou muita coisa, mas chegados a meados de maio podemos finalmente dizer que pelo menos não mudou o futebol português.

Há impugnações, pedidos mais ou menos diretos de demissões, há quem queira jogar em casa a todo o custo, há um patrocinador a voar, há operadoras, há transmissões televisivas e só ainda não há queixas de calendário porque ainda ninguém perdeu pontos.

Confesso: disto não tinha saudades nenhumas. Já sinto o bichinho da bola a voltar, mas liguei a televisão, vi um pouco da Bundesliga sem adeptos nas bancadas, com bolas desinfetadas e jogadores de máscara e separados nos bancos e depressa me desinteressei.

Portanto, a 3 de junho, temos Liga. O FC Porto começa contra um difícil adversário, o Famalicão, mas ainda não se sabe bem onde, porque não será no estádio deste. O Benfica recebe o Tondela e o Sporting vai ao sempre difícil Estádio D. Afonso Henriques (mesmo sem público, impõe o seu respeito, vá).

E quero acreditar que, quando isto começar, o futebol português também vai saber estar à altura, deixando de discutir contratos televisivos para passar a discutir penáltis, abandonando as impugnações e retomando as conspirações, evitando polémicas com normas da DGS e criando guerras com regras do VAR.

Afinal de contas, ainda não se sabe bem que efeito o calor pode ter no vírus, mas já se antevê que junho e julho não mudarão a nossa essência: queremos bola, sol e praia. Mesmo que com estádios vazios, cafés com demasiada gente porque nem todos podem pagar a subscrição e semáforos no areal.

Vai ficar tudo bem.

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