Tribuna Expresso

Perfil

Liga dos Campeões

Game, set e Liga Europa

De bolsos um pouco mais aconchegados e com o estatuto de cabeça de série na segunda competição da UEFA: na vitória tangencial frente ao AEK (1-0), no derradeiro encontro para a Champions este ano, o Benfica conseguiu alguns objetivos, mas faltou uma vitória mais categórica frente a um adversário muito frágil

Lídia Paralta Gomes

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Partilhar

Com o prestígio menos danificado, com os quase três milhões de euros da vitória no bolso, mas, ainda assim, sem provar de forma definitiva que o tal match point que Rui Vitória falava na conferência de imprensa aconteceu naqueles segundos finais dos jogos com o Ajax, quando os holandeses marcaram, em casa, e Gabriel falhou, na Luz.

Porque frente a um AEK muito, mas muito frágil, o Benfica - que na 1.ª volta ia sendo surpreendido em Atenas -, só justificou a vitória por 1-0 na 2.ª parte, quando Rui Vitória fez entrar Cervi, que deu outra velocidade ao jogo dos encarnados e ainda permitiu a Seferovic soltar-se no ataque.

O golo de Grimaldo, aos 88 minutos, na marcação perfeita de um livre direto, acabou por afastar uma série de problemas ao Benfica. Para já, e nisso falamos do tal prestígio, ser a única equipa a ceder pontos frente ao campeão grego. Depois, o problema que é não receber 2,7 milhões de euros. E, não menos importante, a vitória coloca o Benfica como cabeça de série no objetivo que se segue e que, aliás, até já estava definido, a Liga Europa.

As melhorias na 2.ª parte acabaram por servir assim como uma espécie de panaceia, um bálsamo numa queimadura, depois de uns primeiros 45 minutos de fazer concorrência a várias caixas de Valdispert ou outro qualquer remédio para as insónias. Lento, sem criatividade, passeando trocas de bola estéreis e a falhar toda e qualquer tentativa de transição ofensiva (coisa que, diga-se, o AEK permitiu amiúde), uma das únicas ações do Benfica que mereceram aplausos dos adeptos foi um corte de Rúben Dias aos 24’, quando os gregos tentavam um ataque rápido.

E isso, amigos, é paradigmático.

Foi assim entre muitos assobios, olhares de exasperação e talvez de arrependimento (porque é quarta-feira à noite e chovia em Lisboa), que muitos adeptos do Benfica viram o intervalo chegar, com um nulo que personificava bem a nulidade que se via de parte a parte em campo.

Carlos Rodrigues/Getty

Os 60 minutos acabariam por abanar um pouquinho as fundações do jogo. Pouco depois da entrada de Cervi, precisamente com meia-hora para jogar, o AEK quase marcava, com Marios Oikonomou a responder bem de cabeça a um canto na esquerda. Seria o primeiro e último fôlego dos gregos, muito longe da equipa que na última temporada conquistou a liga helénica. E ainda que sempre a martelar naquela que parece ser a única ideia de jogo, linha e cruzamentos para a área, o Benfica cresceu.

No espaço de sete minutos, Seferovic (o melhor do Benfica) podia ter marcado duas vezes, primeiro numa jogada de antecipação aos centrais do AEK e depois num remate de cabeça à barra, naquela que não seria a última vez que os ferros da baliza de Barkas encontrariam um tiro do suíço - aconteceria aos 89 minutos, já depois do golo de Grimaldo e já depois do Benfica não ter conseguido aproveitar os espaços que os derreados jogadores gregos iam deixando, falhando um par de oportunidades.

Ficou-se assim o Benfica por um magro 1-0, num jogo que, em condições normais, e por condições normais leia-se a diferença real entre as duas equipas, podia e devia ter acabado em goleada. Porque este Benfica precisa mais do que ganhar: precisa de convencer. Ainda não foi esta quarta-feira.

Agora, depois do game, do set, não houve match point para o Benfica, que pelo segundo ano consecutivo falha o objetivo de chegar à fase a eliminar da Liga dos Campeões. Segue-se a Liga Europa, a consolação possível. E justa, diga-se.