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O que Courtois tirou, Varane ofereceu. E o City está a caminho de Lisboa

O Manchester City confirmou o passaporte para Lisboa com uma vitória por 2-1 frente ao Real Madrid, num jogo em que a equipa de Guardiola esteve sempre por cima e só Courtois foi evitando que as sucessivas oportunidades terminassem em golo. O problema é que, do outro lado da moeda, Varane terá tido uma das piores noites da carreira. E dois erros crassos resultaram em dois golos do City e do fim das esperanças dos campeões espanhóis

Lídia Paralta Gomes

Nick Potts - PA Images/Getty

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Às vezes, no espaço de poucos metros, podem conviver o yin e o yang. Esta sexta-feira, tudo se misturou no primeiro terço do Real Madrid. Os campeões espanhóis já estavam em desvantagem na eliminatória com o Manchester City e não ajudou que Raphael Varane, um dos melhores centrais do Mundo, tenha escolhido este 7 de agosto para ter uma das piores noites da carreira. Para mais, no dia em em Courtois quase tudo salvou.

Bem, menos os erros de Varane, o elemento de escuridão onde o guarda-redes belga tentou encontrar a luz.

Num encontro em que João Cancelo foi o único português titular (Bernardo entrou para na 2.ª parte), dois momentos de ausência do defesa francês acabaram por confirmar no marcador a vantagem tática que o City teve em todo o jogo e que Courtois, principalmente na 2.ª parte, foi adiando como pode.

Logo aos 9’, Varane deixou-se antecipar por Gabriel Jesus quando o Real Madrid tentava, sem sucesso, tentar sair a jogar de trás. Com Courtois apanhado de surpresa, o brasileiro passou para Sterling, que só teve de encostar.

Não brinca ao Barcelona de Guardiola quem quer. Principalmente frente a Guardiola.

Ao golo de Sterling, que esteve perto de marcar de novo poucos minutos depois, com um remate de longe que ainda se passeou pela tela, seguiu-se provavelmente o único momento em que o City não esteve por cima, com Benzema como protagonista: depois de ameaçar aos 21’, sete minutos depois uma grande jogada, uma das únicas do Real em todo o jogo, entre o francês e Rodrygo, acabou em golo. Um golo que relançava a eliminatória.

Chloe Knott - Danehouse/Getty

Mas com a 2.ª parte, a dinâmica do Manchester City arrodilhou a equipa de Zidane. Courtois começou por salvar (pela segunda vez) uma tentativa de golo olímpico de Kevin de Bruyne. Salvou depois com uma mancha um remate de Sterling, depois de um passe com olhos do médio belga. E ainda salvou, aos 54’, mais um remate de Sterling, que não conseguiu terminar uma grande jogada que começou com uma perda de bola de Casimiro para Foden, que abriu para Gundogan que, por sua vez, com um toque talvez com demasiada força deixou para o avançado inglês. Mas Courtois estava lá.

As qualidades de um guarda-redes valem muito, mas não podem safar todos os erros de uma equipa. Aos 68’, Varane voltou a comprometer, com um atraso que ficou curto e que Gabriel Jesus aproveitou para fechar às chaves a eliminatória.

Daí até final, nunca mais o City perdeu o controlo do jogo. A entrada dos dois Silvas, Bernardo e David, asseguraram posse de bola para os ingleses até final e o Real Madrid desapareceu à medida que desapareciam Hazard, Kroos e Modric. O Real Madrid implacável da Champions é história. Nem com um yang chamado Courtois lá atrás.