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Atalanta - PSG: provavelmente o jogo mais bonito de se ver em Lisboa

O primeiro encontro da final a oito de Lisboa é entre uma equipa que tem alguns dos melhores do mundo e outra que joga como as melhores do mundo. Há promessa de golos e de futebol de ataque

Tiago Teixeira

Neymar e Mbappé

MARTIN BUREAU

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É um dos jogos mais aguardados dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, muito por culpa do que ambas as equipas prometem fazer a nível ofensivo. Espera-se um jogo aberto e atrativo, entre duas equipas que gostam de jogar com os olhos postos na baliza adversária, mas que procuram chegar lá a velocidades diferentes.

A máquina

Estreante na competição, a Atalanta de Gian Piero Gasperini é uma autêntica máquina de futebol ofensivo, e a maior prova disso são os 115 golos marcados esta época em todas as competições.

Mas apesar de terem boas individualidades - infelizmente não podem contar com o talentoso Josip Ilicic - o plantel da Atalanta está muito longe de ser dos melhores em prova, mas nem por isso deixam de poder sonhar com a passagem às meias finais da Liga dos Campeões. Afinal de contas, a maior virtude do conjunto italiano é o seu coletivo, onde a ideia de jogo é interpretada por todos de maneira quase perfeita.

Contra o PSG, devem apresentar-se no habitual 3x4x2x1 (com Ilicic tendia mais para o 3x4x1x2), procurando, como é imagem de marca, construir de forma apoiada desde trás, com muito critério e paciência, para chegarem ao último terço com vários jogadores. A mobilidade e os (vários) apoios em torno do portador da bola serão uma constante, e certamente que a ideia de Gasperini passará por ter a bola o máximo tempo possível – além da construção paciente, serão também uma equipa muito pressionante para recuperar a bola o mais rápido possível.

A mestria de Papu Gómez no corredor central – procurará movimentar-se nas costas dos médios do PSG - e as triangulações nos corredores laterais, serão posicionamentos e dinâmicas muito frequentes quando a Atalanta estiver em ataque posicional. Há também a possibilidade de jogar Malinovskiy em vez de Pasalic, e com isso a Atalanta ganhar outra arma ofensiva: a meia distância.

As individualidades

O PSG, que só por uma vez alcançou as meias-finais da Liga dos Campeões (época 94/95), tem por onde crescer coletivamente, mas é uma equipa com uma ideia de jogo positiva, que gosta e sabe ter a bola, e que tem no seu plantel algumas das melhores individualidades do mundo.

Contra a Atalanta, tendo em conta o provável regresso de Mbappé ao onze inicial, e as ausências de Di Maria e Verratti, Thomas Tuchel deverá apresentar o 4-3-3 (a alternativa será o 3x4x3) com Marquinhos como médio-defensivo (sem bola poderá baixar para central) e com a habitual liberdade para Neymar aparecer no corredor central, ou seja, no espaço entre a linha média e a linha defensiva adversária.

É precisamente desse posicionamento interior de Neymar que surge a melhor versão do PSG quando está em ataque posicional. Poucos no mundo jogam tão bem em espaços reduzidos como o craque brasileiro, e sempre que a bola chega a essa zona, o PSG torna-se muito difícil de travar.

Ao contrário da Atalanta, que é uma equipa com uma construção paciente do início ao fim, o PSG tem por hábito acelerar, em direção à baliza adversária, quando a bola chega ao espaço entre linhas – Neymar recebe no pé, Mbappé ataca a profundidade e cria espaço com a sua mobilidade. Esta vertigem pode também ser decisiva nos momentos de transição defesa-ataque, dada a quantidade de jogadores que a Atalanta envolve no processo ofensivo, e a qualidade dos jogadores do PSG a sair rápido para o ataque após a recuperação da bola.

A capacidade para baterem a pressão agressiva da Atalanta, que em zonas mais alta tem por base muitas referências homem a homem, poderá ser a chave do jogo.

Os nomes que importa ver

Neymar

No papel é extremo esquerdo, mas dentro das quatro linhas tem total liberdade para andar pelo corredor central, mais concretamente no espaço entre a linha defensiva e a linha média adversária. É o principal desequilibrador e criador do ataque do PSG no último terço. Contra uma Atalanta que usa tanto as referências individuais aquando da pressão alta, a sua capacidade para ultrapassar a pressão direta – muitas vezes em zonas mais próximas da linha de meio campo – poderá revelar-se decisiva na eliminatória.

Mbappé

Recuperado da lesão sofrida na final da taça de França, Mbappé será mais uma dor de cabeça para Gasperini. Contra uma linha defensiva que gosta de jogar subida - principalmente nos momentos em que procuram condicionar a primeira fase de construção adversária - a explosão e velocidade que Mbappé revela nos momentos de atacar a profundidade podem desequilibrar o duelo a favor do conjunto francês.

Papu Gómez

Aos 32 anos, está a realizar um das melhores épocas da carreira. É um autêntico “faz tudo” no ataque da Atalanta. Baixa para construir - muitas vezes atrás da linha de meio campo, recebe entre linhas para criar, farta-se de fazer assistências (já são 18) e ainda acrescenta qualidade em zonas de finalização. Muito do que a Atalanta for capaz de fazer frente ao PSG, passará pelos pés e pela cabeça do pequeno maestro argentino.

Duván Zapata

Não é dos jogadores com mais qualidade técnica que pisará o relvado, mas Zapata tem feito uma época de um nível muito alto e é peça chave na Atalanta de Gasperini. Oferece mobilidade na frente de ataque, capacidade para explorar a profundidade e agressividade em zonas de finalização (já leva 18 golos esta época).