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RB Leipzig - Atlético de Madrid: o que acontece quando uma força imparável encontra um objeto inamovível

De um lado, os alemães que jogam ao ataque e em posse de bola. Do outro, os espanhóis que procuram defender em bloco e explorar o futebol direto. Maior contraste seria difícil

Tiago Teixeira

Sonia Canada

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De um lado, e pela primeira vez nesta fase da competição, está o Leipzig de Julian Nagelsmann, que gosta de controlar o jogo através da posse de bola, independentemente do adversário que tiver pela frente – nos oitavos-de-final demonstraram uma enorme superioridade perante o Tottenham de Mourinho –, e de o obrigar a errar, através de uma pressão agressiva e muito bem preparada.

Do outro, o experiente Atlético de Madrid de Diego Simeone, que já está mais do que habituado a estas andanças europeias, e que não se importa minimamente de dar a iniciativa ao adversário nem de baixar as suas linhas, tornando o bloco muito compacto e com pouco espaço na profundidade. Foi assim que eliminaram o Liverpool, atual campeão europeu, nos oitavos-de-final, e dificilmente veremos um Atlético muito diferente frente ao Leipzig.

Será, então, um jogo de paradoxos, entre uma força imparável e um objeto inamovível.

Os camaleões

É difícil de prever em que sistema se apresentará o Leipzig do ”camaleão tático” Nagelsmann (4-4-2 ou 3-4-2-1 são as hipóteses mais prováveis), mas independentemente do ponto de partida, é certo que iremos ver uma equipa a querer construir apoiado desde trás, a utilizar muito os corredores laterais - Angelino e Mukiele sempre muito projetados - para obrigar o Atlético a alargar a sua linha média e linha defensiva, mas também a colocar vários jogadores por dentro (Olmo, Sabitzer, Nkunku) para combinações curtas pelo corredor central. Vão querer ter a iniciativa e jogar a maior parte do tempo no seu meio campo ofensivo.

No momento defensivo, como é habitual no Leipzig, é de esperar uma equipa com as linhas subidas e muito pressionante, à procura de condicionar a construção do Atlético e de recuperar a bola rapidamente.

O controlador

Do lado do Atlético, não se preveem grandes surpresas táticas, uma vez que Simeone, neste tipo de jogos, nunca abdica do seu 4-4-2 e de uma estratégia mais focada no controlo defensivo – linhas recuadas e próximas, de modo a retirar espaço dentro do bloco defensivo e nas costas dos defesas; preocupação em fechar os corredores laterais com pelo menos três jogadores, em que o principal objetivo passa por impedir o adversário de criar perigo.

A parte ofensiva é pensada quase exclusivamente para os momentos de transição defesa-ataque – após a recuperação da bola, os dois avançados iniciam logo movimentos de ataque à profundidade - e para as bolas paradas.

A grande dúvida será o perfil dos jogadores escolhidos - quer para a posição de médio-ala quer para a de segundo avançado- o que pode tornar a equipa de Simeone mais ou menos perigosa nos momentos em que tiver a bola em sua posse. Com Félix como segundo avançado, será um Atlético com mais capacidade e criatividade para criar no corredor central; se jogar Marcos Llorente, ganham mais capacidade de explorar a profundidade e mais agressividade na pressão. No corredor lateral, Carrasco pode oferecer velocidade e desequilíbrio individual (Correa estará ausente, por ter testado positivo à covid-19).

Os nomes que importa ver

Oblak

Se o Atlético de Madrid ainda está na Liga dos Campeões, deve-o muito a Oblak, que foi um verdadeiro gigante na segunda mão dos oitavos-de-final, contra o Liverpool. Defendeu, defendeu e defendeu, mantendo vivo o sonho dos colchoneros em conquistar a tão aguardada Liga dos Campeões. Contra um Leipzig, que na teoria assumirá mais as despesas do jogo, Oblak terá mais uma noite para mostrar por que motivo é um dos melhores guarda-redes do mundo.

Marcos Llorente

Foi, a par de Oblak, o grande responsável pela passagem do Atlético de Madrid aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, ao marcar dois golos na vitória em casa do Liverpool. É provável que apareça no apoio ao avançado, e será importante nos momentos de pressão e através dos movimentos de rutura entre central e lateral adversário.

Marcel Sabitzer

Seja a médio-centro, médio-ofensivo ou extremo, Sabitzer tem sido um dos melhores jogadores do Leipzig esta época, levando já 16 golos e 10 assistências. Sem Timo Werner, o Leipzig dependerá mais da sua qualidade técnica e criatividade para conseguir desequilibrar pelo corredor central, principalmente contra um adversário que defenderá com duas linhas de quarto, muito próximas uma da outra, e num bloco médio/baixo.

Christopher Nkunku

O desequilibrador francês é peça-chave na manobra ofensiva do Leipzig de Nagelsmann, seja em zonas mais centrais ou a partir do corredor esquerdo. Oferece velocidade, explosão e qualidade técnica, e será muito importante para desmontar a apertada organização defensiva do Atlético de Madrid. Esta época já leva 5 golos e umas incríveis 16 assistências.