Tribuna Expresso

Perfil

Liga dos Campeões

Prognóstico Bayern - Barcelona: onze contra onze e no final ganham os alemães ou ganha Messi

O jogo grande dos quartos de final é entre uma grande equipa e um grande jogador: Bayern de Munique - Barcelona disputa-se esta sexta-feira, às 20h

Tiago Teixeira

Francesco Pecoraro

Partilhar

São os únicos clubes em prova que sabem qual é o sabor de conquistar a Liga dos Campeões, mas nenhum o consegue fazer desde a época 2014/15.

Chegam ao jogo dos quartos-de-final em momentos muito distintos: O Bayern, que se sagrou campeão alemão, tem tornado todos os jogos, desde que Hansi Flick assumiu o comando técnico, em autênticos passeios – o exemplo mais recente foi a segunda mão dos oitavos-de-final, frente ao Chelsea – tal a superioridade coletiva que apresenta em campo.

Já o Barcelona, que viu o Real Madrid conquistar o campeonato espanhol, vive momentos de grandes dúvidas coletivas, dependendo excessivamente da criatividade e do desequilíbrio individual de Messi, como aconteceu há uns dias, na vitória frente ao Nápoles, no jogo da segunda mão dos oitavos-de-final.

Espera-se um jogo aberto e com várias oportunidades de golo, entre duas equipas que vão procurar tratar bem a bola e atacar o máximo tempo possível.

O rolo compressor

O Bayern, apresentar-se-á no seu habitual 4-2-3-1, com a intenção de construir desde trás, onde, como é habitual, utiliza muitas vezes a saída a três, com um dos médios (preferencialmente Thiago) a recuar para o meio dos centrais (Alaba e Boateng). Com este posicionamento, não só Thiago recebe a bola mais vezes de frente, como liberta Alaba para progredir em condução e Davies para se projetar mais pelo corredor lateral.

No meio campo ofensivo, o Bayern consegue alternar, com qualidade, entre o jogo interior - procurará ligar a construção com a criação através de passes verticais (Thiago é o cérebro) para o espaço entre os médios e defesas do Barcelona (Muller é fundamental nesta ligação) -, e o jogo exterior – variações do centro de jogo, através de passes longos para o corredor oposto ao da bola (aproveitamento da velocidade de Coman, Gnabry e do aparecimento de Davies vindo de trás).

No momento defensivo, será um Bayern muito agressivo nos momentos de transição ataque-defesa e com a intenção de condicionar a primeira fase de construção do Barcelona.

O fator M(essi)

Em relação ao Barcelona, há mais dúvidas para serem dissipadas, desde logo a começar pelo sistema de jogo que Setién irá escolher, e quais as implicações defensivas dessa escolha. O 4-3-1-2 utilizado na segunda mão dos oitavos-de-final, frente ao Nápoles, trouxe maior proteção do corredor central, mas houve muitas dificuldades para controlar a largura. A alternativa pode passar pelo 4-4-2 em organização defensiva, não sendo de todo improvável que Griezmann seja sacrificado e que, no seu lugar, entre mais um médio que garanta melhor ocupação do corredor e mais capacidade para bascular.

Em ataque posicional, e independentemente do ponto de partida tático, é certo que iremos ver um Barcelona posicionado para sair a jogar de forma curta na primeira fase de construção – o regresso de Busquets e a proximidade de Frenkie de Jong serão importantes nesse momento –, mas também a utilizar várias vezes o passe mais longo de Ter Stegen para saltar as primeiras linhas de pressão e colocar logo a bola nas costas dos médios do Bayern.

No meio campo ofensivo, não tem sido um Barcelona criativo do ponto de vista coletivo, nem muito dinâmico – pouca utilização da largura para desequilibrar ou simplesmente para atrair e criar espaço por dentro, mas há sempre o fator Messi.

Quanto mais vezes a bola lhe chegar aos pés, principalmente no espaço entre os médios e os defesas do Bayern, mais capaz será o Barcelona de chegar a zonas de finalização. É também fundamental que Suárez procure arrastar marcações através dos movimentos de rutura, e que Griezmann ofereça apoios frontais aos médios.

Os nomes que importa ver

Messi
Sempre ele. Tem, ao longo de toda a época, disfarçado o melhor que consegue as evidentes limitações do coletivo do Barcelona, e por isso as esperanças em eliminar o Bayern passam quase todas pelo que o astro argentino for capaz de fazer, seja em zonas de criação (condução para atrair e passes para a profundidade) ou em zonas de finalização. Cabe ao conjunto alemão impedir que Messi receba a bola muitas vezes no espaço entre linhas; porque caso aconteça, não há linha defensiva que lhes valha.

Frenkie de Jong
Contra um adversário que se espera muito pressionante na saída de bola e muito agressivo nos momentos da transição ataque-defesa, ter um médio com a capacidade de resistir à pressão como de Jong pode revelar-se fundamental. Também em ataque posicional terá um papel importante, principalmente se receber a bola em zonas que lhe permitam progredir em condução, ou ligar através do passe com quem aparecer no espaço entre os médios e os defesas do Bayern.

Thiago
É o farol ofensivo do Bayern - pela inteligência, criatividade e qualidade técnica com que liga a fase de construção com a de criação. Pressionado ou com espaço, a jogar curto ou a variar o centro de jogo através de passes longos, Thiago é um elemento fundamental na ideia de jogo do Bayern, e quanto melhor condicionado for, mais possibilidades o Barça terá conter a dinâmica ofensiva bávara.

Lewandowski
Golos, golos e mais golos. Não há muitos avançados no mundo como Lewa quando se trata de finalizar, e a maior prova disso é que esta época já soma 53 golos marcados em 44 jogos. Quando a bola lhe chega em zonas de finalização já pouco há a fazer; por isso, à imagem do que sucede com Messi, o objetivo terá de ser impedir que a bola lhe chega aos pés (e cabeça) em zonas próximas da baliza de Ter Stegen.