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Liga dos Campeões

O caminho é para a frente. E Tuchel e Flick sabem-no

Paris Saint-Germain, com um “trio maravilha”, estreia-se nestas andanças, enquanto Bayern Munique, que joga à Bayern, vai disputar a 11ª final da Liga dos Campeões

Hugo Tavares da Silva

TF-Images/Getty

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Os rumores de que os alemães ganhavam ou ganhavam deixaram de fazer escola em Paris a partir de setembro de 1994, quando PSG e Bayern Munique se encontraram pela primeira vez na Liga dos Campeões. Foi na fase de grupos (como todos os oito duelos até hoje), na qual George Weah, que receberia a Bola de Ouro no ano a seguir, decidiu em duas noites que não estava propriamente empenhado numa amizade harmoniosa com Oliver Kahn. O golo em Munique é memorável. Tanto parisienses como bávaros, treinados por Luis Fernández e Giovanni Trapattoni, chegariam às meias-finais. Quase 25 anos depois desse debute, os dois clubes vão disputar a final de uma Liga dos Campeões incomum, no Estádio da Luz.

Lisboa recebe pela terceira vez a final do torneio, depois de Celtic e Real Madrid terem vencido em solo português em 1967 e 2014. Se para o PSG de Thomas Tuchel é uma novidade, o Bayern de Hansi Flick vai jogar a 11ª final. “É um jogo com muitas armas de parte a parte, taticamente muito interessante”, diz ao Expresso Tomás da Cunha, comentador da TSF e Eleven Sports. “Creio que pode ser um jogo mais de ataque do que de defesa. Nenhum treinador deverá entrar com uma abordagem excessivamente controladora, e isso pode proporcionar um espetáculo muito interessante de seguir entre dois treinadores alemães, algo que tanto tem sido falado nos últimos tempos.”

E acrescenta: “A chave do jogo poderá estar na forma como o PSG vai atacar a profundidade. Já vimos como o Bayern tem dificuldades nesse capítulo, ao defender com o bloco muito subido, com a linha defensiva quase no meio-campo e com alguns erros posicionais que podem comprometer.” Circula a teoria de que Hansi Flick poderá abdicar do futebolista mais fino que tem à disposição, Thiago Alcântara, para puxar Joshua Kimmich para o meio-campo, deixando a lateral-direita entregue a Benjamin Pavard. Em declarações à Sky, Lothar Matthäus, uma lenda do clube alemão, deu por garantido que haverá mudanças no 11 do Bayern. Tomás da Cunha desconfia que Flick será fiel ao que tem apresentado, tal como deverá acontecer com o treinador rival. “Não é provável que Tuchel altere o sistema que tem utilizado”, diz, desmontando o que aconteceu contra o RB Leipzig. “Montou um 4-3-3 com Neymar como falso 9 e os médios tiveram um papel essencial, muito juntos da defesa, importantes na pressão e com bola a acrescentar. Vimos uma exibição soberba de Leandro Paredes.”

Já o Bayern, que parecia estar com travão de mão nos tempos de Niko Kovac, está mais próximo da sua identidade. “É uma equipa com muitos argumentos na construção, que procura desequilibrar desde trás, sobretudo com Alaba. Tem muitas condições técnicas e táticas também para sufocar o adversário. E depois pressiona muito à frente. É esse o duelo que se espera: um Bayern muito pressionante, muito vertical” contra o “trio maravilha” do outro lado, Neymar, Kylian Mbappé e Ángel Di María.

A única vez que franceses e alemães disputaram uma final desta competição foi em 1976: o Bayern de Franz Beckenbauer venceu a terceira Champions consecutiva ao bater o Saint-Étienne, com golo de Franz Roth, em Glasgow.