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Tiago Teixeira

Tiago Teixeira

Analista de futebol

Um Bayern da agressividade na pressão e um PSG com magia e velocidade: é isto que vamos ver na final da Champions

PSG e Bayern Munique jogam este domingo (20h, TVI e Eleven Sports), no Estádio da Luz, a terceira final da Liga dos Campeões em solo português. O analista Tiago Teixeira antevê aquilo que poderemos ver em campo neste embate entre franceses e alemães

Tiago Teixeira

Dave Winter/Getty

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Dez jogos, dez vitórias, e muitas goleadas pelo meio. Foi assim o caminho do Bayern de Munique até à final, onde procurará conquistar a sexta Liga dos Campeões da sua história. Depois de se qualificar em primeiro lugar na fase de grupos - Olympiakos, Tottenham e Crvena Zvezda foram os adversários -, o Bayern passou por cima do Chelsea (7-1 no agregado da eliminatória), do Barcelona (8-2) e do Lyon (3-0). A qualidade coletiva bávara ficou demonstrada ao longo de todo o percurso, com o principal destaque individual a ser um super Lewadowski, que marcou nada mais nada menos do que quinze golos.

O PSG chega, pela primeira vez na sua história, à tão aguardada final da Liga dos Campeões. Depois de ter vencido o grupo onde teve a companhia do Real Madrid, Galatasaray e Club Brugge, o PSG deixou para trás o Dortmund (3-2 no agregado da eliminatória), a Atalanta (2-1) e o Leipzig (3-0). Num coletivo direcionado para as individualidades, destaca-se o tridente ofensivo composto por Neymar, Mbappé e Di Maria, que no percurso até à final somou onze golos e dezassete assistências.

Não se espera nada menos do que um grande jogo, quer a nível técnico quer do ponto de vista tático, entre duas equipas que tratam muito bem a bola e que praticam um futebol ofensivo. Do Bayern de Hansi Flick, teremos a agressividade na pressão e na transição ofensiva, e uma fase de construção com muita qualidade, enquanto o PSG de Thomas Tuchel, promete muita magia com Neymar no corredor central, e muita velocidade para explorar a profundidade.

BAYERN

No Bayern, não há qualquer dúvida no que diz respeito à organização tática que iremos ver em campo, uma vez que Hansi Flick tem demonstrado ser muito fiel ao seu 4x2x3x1. A tentativa de construir apoiado estará sempre presente, com a já habitual saída a três, com Thiago a recuar para o meio dos centrais, Boateng e Alaba. Se não houver condições para Thiago ligar diretamente com o espaço entre linhas (Muller e Gnabry), o Bayern circula mais por fora, para conseguir ligar através de Kimmich (passe para zonas interiores) ou desequilibrar com a condução de Davies.

Como ficou demonstrado no primeiro golo frente ao Lyon, o Bayern também sabe fazer uso do passe mais longo quando há condições para explorar a profundidade. Kimmich identificou o espaço nas costas do ala, e serviu Gnabry, que tendo espaço no corredor central conduziu para dentro.

No momento defensivo, veremos um Bayern posicionado num bloco alto, sempre a procurar condicionar a primeira fase de construção do PSG, e com isso recuperar a bola em zonas que lhes permitam atacar logo a baliza de Sergio Rico.

PSG

No PSG também não se esperam nenhumas alterações a nível tático, sendo que Thomas Tuchel deverá apostar novamente no 4-3-3 com que eliminou o Leipzig, com Neymar como falso 9 e com várias trocas posicionais entre o brasileiro e Mbappé.

Com Marquinhos como médio-defensivo, volta a haver a possibilidade do PSG recorrer à saída a três na fase de construção, com este a recuar para o meio dos centrais, Thiago Silva e Kimpembe. Dado o bom jogo frente ao Leipzig, Paredes deverá voltar a assumir-se como principal responsável por ligar, através do passe vertical, a fase de construção com a de criação, onde Neymar aparecerá no espaço entre os médios e os defesas do Bayern (o vídeo seguinte serve de exemplo). Mbappé e Di Maria aparecerão mais perto da linha defensiva adversária.

No momento defensivo, e apesar do bom trabalho coletivo na pressão alta frente ao Leipzig, não é certo que a estratégia de Thomas Tuchel passe por condicionar logo a primeira fase de construção do Bayern, podendo optar por se posicionar num bloco médio, de modo a não aumentar muito o espaço entre a linha média e a linha defensiva.

MOMENTOS QUE PODEM SER DECISIVOS

Exploração da profundidade por parte do PSG. Como ficou demonstrado no jogo frente ao Lyon, o Bayern tem algumas dificuldades no controlo da profundidade, cometendo alguns erros posicionais, e não reagindo atempadamente às bolas que são colocadas nas costas da sua linha defensiva. Se Hansi Flick voltar a optar por ter a linha defensiva tão próxima do meio-campo, Mbappé, Neymar e Di Maria poderão causar muitos problemas através de movimentos de ataque à profundidade. Mas para isso acontecer, o PSG terá de demonstrar competência na primeira fase de construção, de modo a chegar ao espaço entre linhas em boas condições.

Transição defesa-ataque do Bayern. Dada a agressividade e qualidade na pressão quando procuram condicionar a construção adversária (os defesas do PSG cometem alguns erros neste momento), e a capacidade que têm para, após a recuperação da bola, atacarem o último terço a grande velocidade e com vários jogadores, este momento do jogo por ter um papel muito decisivo no resultado final. O segundo golo frente ao Lyon serve de exemplo para o perigo que são as transições do Bayern.

JOGADORES QUE PODEM DESEQUILIBRAR

Mbappé

Pode ser ele o grande desequilibrador da final, dada a sua velocidade e capacidade de explorar a profundidade através dos movimentos de rutura. Contra uma linha defensiva tão alta, estará na sua praia caso seja bem servido por Neymar e Di Maria. É provável que apareça mais sobre o corredor lateral esquerdo, de modo a massacrar defensivamente Kimmich, embora fosse muito interessante assistir a um duelo entre Mbappé e Alphonso Davies.

Neymar

É sempre importante no ataque do PSG, mas contra uma equipa tão agressiva e com a linha defensiva tão subida, a sua capacidade de resistir à pressão e de realizar o último passe, podem ser extremamente importantes para desequilibrar a balança a favor do conjunto francês. Apesar de nos últimos jogos ter estado desinspirado na finalização, Neymar é também uma das principais ameaças à baliza de Neuer.

Gnabry será uma das referências do Bayern na final

Gnabry será uma das referências do Bayern na final

Julian Finney - UEFA/Getty

Gnabry

Tem sido verdadeiramente decisivo na manobra ofensiva do Bayern, quer pelos golos marcados (já soma nove na Liga dos Campeões, dois dos quais na meia-final frente ao Lyon), quer por toda a variabilidade de soluções que oferece. Ora desequilibra pelo corredor direito (velocidade e qualidade no 1x1), ora aparece entre linhas, sendo também muito importante no ataque à profundidade.

Lewadowski

Podia estar aqui o nome de Thiago (tremendo na ligação entre construção e criação), Muller (criador de espaços), entre outros, mas Lewadowski tem feito uma Liga dos Campeões assombrosa, e merece ser considerado uma das principais ameaças ofensivas do Bayern. Além da sua qualidade em zonas de finalização (volto a relembrar os 15 golos marcados ao longo do percurso até à final), Lewadowski é também importante a jogar de costas para a baliza e a servir de apoio frontal, o que poderá arrastar os centrais do PSG e criar espaço.