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Liga dos Campeões

Nem velha nem cínica: a 'signora' levou uma lição portista

O FC Porto surpreendeu a Juventus, ao primeiro minuto da 1.ª parte e ao primeiro minuto da 2.ª parte, e rubricou nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões uma exibição para mais tarde recordar, apesar do golo forasteiro nos últimos minutos (2-1)

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Octavio Passos - UEFA

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É daqueles números aos quais é impossível ficarmos indiferentes: em 2002, ano em que Francisco Conceição nasceu, Gianluigui Buffon já ganhava campeonatos pela Juventus, e já jogava na maior prova do futebol europeu, a Liga dos Campeões, na qual o filho de Sérgio Conceição se estreou apenas esta noite, no Dragão, já nos últimos minutos do jogo da 1.ª mão dos oitavos-de-final.

O dado ganha ainda mais ênfase quando olhamos para o contexto mais alargado do FC Porto vs Juventus: os portistas, apesar de todo o histórico na Champions, nunca poderiam ser considerados favoritos perante um adversário conhecido como la vecchia signora, que faz da experiência uma das suas maiores armas, ou não tivesse no onze pesos pesados da Champions como Cristiano Ronaldo ou Giorgio Chiellini (Buffon, já com 43 anos, ficou no banco, sendo Szczesny o titular), bem ao contrário do anfitrião, que contava nos seus titulares com 'novatos' como Zaidu ou Taremi.

Mas o habitual cliché da impecável maturidade italiana, qualificada frequentemente de cinismo, foi algo que não se viu, de todo, no Dragão, começando logo no primeiro minuto.

O jogo ainda mal tinha começado quando se viu um FC Porto muitíssimo bem preparado para o embate com uma Juventus titubeante, 4.ª classificada da Serie A: montado no habitual 4-4-2, com Taremi e Marega na frente, os jogadores de Sérgio Conceição assumiram na perfeição a pressão alta ao adversário, de tal forma contundente que Bentancur nem percebeu bem de onde apareceu aquele tal novato iraniano a roubar o passe do uruguaio para o seu guardião e fazer o seu primeiro golo na Champions, para o 1-0.

O choque inicial para a equipa de Andrea Pirlo foi agressivo, com o FC Porto muitíssimo bem organizado defensivamente e a impedir os italianos de construir o que quer que fosse, com uma pressão forte em todos os momentos.

Depois da entrada desastrada da Juve, poderia esperar-se uma réplica, mas não foi isso que aconteceu: o jogo italiano continuava atabalhoado, sem caminhos para avançar e sem facilidade para chegar perto da área portista, muito por culpa da equipa de Sérgio Conceição, que condicionava bem o adversário, com as linhas muito juntas e não permitindo veleidades no seu próprio meio-campo.

Já com Demiral em campo, por troca com um lesionado Chiellini, a Juventus começou a subir mais as linhas, mas a única oportunidade digna desse nome foi um pontapé acrobático de Rabiot que Marchesin defendeu - e a jogada até acabou por ser anulada, por falta.

A superioridade do coletivo portista era mais do que evidente, ao intervalo, e mais evidente se tornou ainda logo no primeiro minuto da 2.ª parte. Mais uma vez, a Juve entrou meio a dormir, ao contrário de um enérgico FC Porto, que foi por ali fora até chegar à área adversária com incrível facilidade: Manafá serviu Marega e o avançado portista fez o surpreendente 2-0.

Confortável no jogo, o FC Porto não só vencia como convencia, tendo até estado muito perto de chegar ao terceiro golo, através de um remate fortíssimo de Sérgio Oliveira, que acabou por ser defendido por Szczesny.

Já com Morata em campo, por troca com Weston McKennie, a Juventus bem tentou chegar mais à frente, mas foi muito difícil ver lances de perigo por parte dos italianos, levando até um apagado Cristiano Ronaldo a desesperar, frequentemente, com os colegas.

Só aos 70' é que se viu a Juve a assustar Marchesin, com um remate de Federico Chiesa, o mesmo jogador que, aos 82', lançou finalmente um balde de água fria no Dragão, estragando um final de jogo que parecia controlado. ao aparecer nas costas de Zaidu num cruzamento ao segundo poste e acertar o remate para o 2-1.

O 2-1, de certa forma, caiu do céu para a equipa de Andrea Pirlo e manchou, injustamente diga-se, uma exibição tão sólida quanto competitiva do único representante português ainda em prova. É que ir a Turim com um 2-0 é bem diferente de um 2-1, uma vez que o campeão italiano agora já pode contar com a salvaguarda de ter marcado um golo fora.

De qualquer modo, certo é que a exibição portista foi daquelas para mais tarde recordar, independentemente do que possa vir a acontecer na eliminatória: esta foi a primeira vitória da história do FC Porto contra a Juventus, ao fim de seis jogos contra os italianos.

A 9 de março, em Turim, há mais. E há esperança para os 'novatos' portistas.