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Liga dos Campeões
João Almeida Rosa

João Almeida Rosa

Treinador de futebol

Amarrada pelos treinadores, desamarrada pelos jogadores: a meia-final por que todos esperamos (menos Florentino Pérez)

Real Madrid e Chelsea jogam a primeira mão das meias-finais da Liga dos Campeões esta terça-feira (20h, Eleven). Os espanhóis são favoritos, mas os ingleses podem surpreender, num jogo que se perspetiva pragmático, mas que com tantos craques pode ser uma coisa completamente diferente

João Almeida Rosa

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As meias-finais da Liga dos Campeões desta época chegam após uma imprevisível polémica que chegou a pôr em causa a própria realização dos jogos, após 12 dos principais clubes europeus admitirem publicamente a vontade de disputar uma outra prova europeia rival da mágica e icónica Champions. Entre os 12, estiveram Real Madrid e Chelsea. Os madrilenos foram mesmo, representados pelo seu presidente, um dos principais rostos dessa Superliga Europeia.

É caso para dizer, assim sendo, que o mundo todo está à espera do jogo que mais logo começará pelas 20h, exceto Florentino Pérez, que gostaria de ver o seu clube jogar numa prova diferente. Ainda assim, sobretudo após o empate do Real Madrid na última jornada da Liga espanhola (frente ao Bétis, 0-0), esta partida reveste-se de capital importância: para um clube e para o outro, é até ao momento o jogo da época.

Até pela importância do que se vai discutir, e por se tratar somente do jogo da 1.ª volta, o expectável é que as duas equipas não adotem posturas de elevado risco, optando por abordagens mais seguras. Zidane e Tuchel respeitar-se-ão mutuamente e, por isso, não é esperado que tenhamos um jogo cheio de espaços e golos. O jogo será, à partida, mais dos treinadores do que dos jogadores.

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Contudo, da teoria à prática haverá 22 jogadores em campo e muitos com capacidade para mudar o guião de um jogo que se perspetiva amarrado. Do lado do Real Madrid, Modric e Kroos têm capacidade suficiente para imaginar caminhos diferentes daqueles que Zidane terá trabalhado, e sobretudo diferentes daqueles que Tuchel preparou a sua equipa para defender; de Benzema não é preciso dizer muito e Vinicius, com espaço, é difícil de parar.

Do outro lado, o Chelsea, sem tantas estrelas nem pressão, também tem um leque de jogadores que podem fazer a diferença: no meio-campo, Jorginho é o elemento mais criativo; à sua frente, Mason Mount está a fazer uma grande época e é o que pode mais facilmente desbloquear a partida, embora Havertz também tenha esse perfil; Werner é a referência para as transições, um pouco como Vinicius no rival.

Do ponto de vista tático, as dúvidas prendem-se unicamente com as opções de Zinedine Zidane, porque Tuchel já mostrou que não abdica do seu 3-4-3 (ou 3-4-2-1, como se pretenda considerar) que impôs em Londres desde o dia um. No total, são 16 jogos sem sofrer golos em 21 disputados desde a chegada do técnico alemão, contando-se apenas duas derrotas, sendo que uma delas, com o FC Porto na 2.ª mão dos quartos-de-final, acabou por chegar para assegurar a qualificação para estas meias.

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Por isso, resta perceber se o treinador do Real Madrid vai manter o 4-3-3 habitual ou se vai montar uma estratégia semelhante àquela que adotou no jogo com o FC Barcelona, em que baixou Valverde para compor uma linha de 5 perante um sistema tático também com 3 centrais, tal como este do Chelsea.

O mais expetável é que entre com Courtois, Carvajal, Militão, Varane e Nacho; Casemiro, Modric e Kroos; Vinicius, Asensio e Benzema, organizados no 4-3-3 do costume, mas com Nacho a juntar aos centrais em organização ofensiva, deixando o corredor esquerdo para Vinicius, sendo o direito entregue a Carvajal, que liberta Asensio para atuar mais por dentro.

Já no Chelsea o 11 esperado é Mendy, Azpilicueta, Thiago Silva e Rudiger; Reece James, Jorginho, Kante e Chilwell; Werner, Mason Mount e Havertz.

Pode seguir o jogo ao minuto na Tribuna Expresso, AQUI.