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Liga dos Campeões
João Almeida Rosa

João Almeida Rosa

Treinador de futebol

PSG-Man City: o confronto entre o todo e a soma das partes

É dia da mais empolgante meia-final da Liga dos Campeões: o PSG de Neymar, Mbappé, Di Maria e companhia enfrenta o Manchester City de… Pep Guardiola e o seu estilo incomparável. De um lado, várias individualidades capazes de ganhar por si só; do outro, uma equipa que parece ser capaz de trocar a bola eternamente

João Almeida Rosa

Visionhaus/Getty

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Após um Real Madrid-Chelsea que, apesar de ter proporcionado alguns bons momentos, sobretudo por parte dos londrinos, acabou mesmo por ser, como perspetivado, um jogo algo pragmático e amarrado, nessa quarta-feira teremos o main event: o PSG-Manchester City!

Dois clubes catapultados para o estrelato e para as grandes decisões pelo impulso de muito investimento externo enfrentam-se no que, além de um grande jogo, será também um confronto de estilos. O Paris Saint-Germain que, mais do que de qualquer treinador, é o clube de Neymar e Mbappé, sobretudo, mas também de Di Maria (que época está a realizar aos 33 anos!), Verratti, Paredes, Marquinhos e etc; e o Manchester City, que mais do que de Kevin de Bruyne, Bernardo Silva ou Foden, é a equipa de Pep Guardiola e do seu estilo ímpar que apaixonou o Mundo em Barcelona.

Assim, surge a primeira questão: que estratégia irá Maurício Pochettino, o treinador da equipa que parece sempre mais uma soma das individualidades do que um todo, escolher para fazer face a este conjunto de Pep Guardiola que conhece tão bem? De recordar que, no Tottenham, os dois técnicos já se enfrentaram, na altura nos quartos-de-final da prova, e foi o argentino quem levou a melhor naquela que foi uma caminhada até à final, onde foi derrota pelo Liverpool.

Contudo, aí, Pochettino usou o estatuto de underdog dos Spurs para oferecer a bola ao Manchester City e jogar no erro. Com craques da dimensão de Neymar, Mbappé e companhia irá fazer o mesmo? Ainda por cima tendo em conta que a primeira mão é em sua casa…

Caso seja essa a opção, e monte a sua equipa num bloco baixo, com os setores próximos e por isso os 10 jogadores de campo a formar um bloco muito compacto – à semelhança daquilo que fez o Dortmund na anterior eliminatória – perspetivo um jogo difícil para a equipa de Guardiola. Por um lado, porque retira espaço aos seus melhores jogadores; por outro, porque convida a equipa a subir, ficando assim mais exposta aos contra-ataques do trio Neymar, Mbappé e Di Maria.

Por outro lado, caso opte por tentar dividir o jogo, pressionar alto no terreno e “jogar olhos nos olhos”, vislumbro um jogo onde a formação inglesa pode ter vantagem. Coletivamente, o Manchester City parece uma máquina bem mais oleada, além de ser inquestionavelmente a equipa mais confortável em construir sob pressão. Perante um bloco mais alongado, e por isso com inevitavelmente mais espaço entrelinhas, os pupilos de Pep Guardiola costumam ser quase imparáveis.

Do lado da equipa britânica, sobra a dúvida sobre o muito badalado “overthinking” de Guardiola, que mais não é do que uma crítica cada vez mais apontada ao treinador catalão que o acusa de pensar em demasia nos jogos grandes, levando a mais mudanças do que as aconselháveis para estas partidas, sobretudo na Liga dos Campeões.

A verdade é que, na época passada, os citizens foram eliminados pelo Lyon após Guardiola optar por uma mudança no sistema tático de forma a conter o ataque dos franceses. Esta época,

perante um trio ofensivo ainda mais forte, irá o técnico repetir os ajustes ou apostar na continuidade do seu 4-3-3 que tantas vezes acaba por se desmontar num 3-4-3 losango?

Perante tantas interrogações sobre as estratégias de um lado e de outro, com tantos craques capazes de fazer a diferença a qualquer momento, o palpite é o menos arriscado possível: 50% de chances para cada lado; 99% de probabilidade de termos um incrível jogo de futebol!