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City ou PSG: a final de quem tiver a bola

Após a vitória dos ingleses por 1-2 em Paris, a eliminatória continua em aberto, sobretudo porque Neymar, Mbappé e companhia conseguem fazer quase tudo. Mas só o conseguem se tiverem bola. Mais do que na primeira mão. Impedi-lo é o desafio do City de Guardiola

João Almeida Rosa

Anthony Dibon

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Foi, como se perspetivou, uma primeira mão bastante equilibrada aquela em que Paris Saint-Germain e Manchester City se encontraram, há uma semana, que terminou com o triunfo dos citizens por 1-2. Com uma primeira parte em que os franceses estiveram melhores, mas uma segunda com domínio inglês, o resultado acabou por conferir vantagem (e favoritismo) à formação de Guardiola.

Ainda assim, desengane-se quem achar que as contas estão feitas ou sequer perto disso. É difícil imaginar um jogo em que uma equipa com o poderio do PSG não marca e um golo é tudo o que é preciso para relançar a eliminatória. Não chega para passar à final, é certo, mas caso a equipa de Pochettino marque primeiro a meia-final fica relançada – fica a faltar apenas um outro para colocar os franceses na frente.

Com menos a perder, por já estarem em desvantagem, é expetável que a postura dos parisienses seja mais descomplexada, ofensiva e de maior risco; assim, e porque defender Neymar, Mbappé, Di Maria, Verratti e logo veremos quem mais é dificílimo, o Manchester City terá de ser capaz de ter bola, empurrar o adversário para longe da sua baliza e monopolizar o jogo – no fundo, como fez na 2.ª parte da 1.ª mão. E, todos sabemos, se há equipa capaz de o fazer, é a de Guardiola.

Para tal, o técnico catalão fez subir João Cancelo na ala esquerda e desviou Phil Foden da linha para o corredor central, criando superioridade numérica no terreno central e mais uma linha de passe que se revelou importante para desencaixar as marcações do PSG. Agora, com esta estratégia ou uma diferente, é fundamental para os ingleses voltar a conseguir roubar a iniciativa àquela que é provavelmente a equipa com o trio de ataque mais perigoso a nível mundial.

Caso contrário, se o Manchester City não for capaz de tirar tempo de ataque ao Paris Saint-Germain, perspetivam-se (pelo menos) 90 minutos muito compridos pela frente: entrelinhas e por dentro, Neymar é dos melhores do mundo; na profundidade, não há ninguém mais perigoso do que Mbappé; e até nas bolas paradas os franceses são fortes, como de resto mostraram no primeiro jogo em que Marquinhos apontou o único golo dos franceses.

A bola, imprescindível para quem ataca, será hoje fator de diferenciação também para quem quer defender. Com ela, o City pode chegar a uma inédita final da Liga dos Campeões; sem ela, poderá ver o PSG repetir a presença na final da época passada. Que comece o jogo e que ganhe quem a tratar melhor!