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Liga dos Campeões

O Manchester City não pensou demasiado. E está na final da Champions

Um golo em transição e outro em contra-ataque. Foi a jogar simples, sem rendilhados, contra, dizem alguns, ao seu ADN, que o Manchester City confirmou a vantagem que já trazia de Paris, fazendo cair o PSG com uma vitória por 2-0 que coloca os ingleses pela primeira vez na sua história na final da Liga dos Campeões - e o regresso de Guardiola ao jogo decisivo, dez anos depois

Lídia Paralta Gomes

Simon Stacpoole/Offside/Getty

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A história até podia começar assim: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, uma série de amantes de futebol haveriam de recordar aquela tarde remota de maio em que uma televisão os levou a conhecer o gelo em Manchester... e em que o City se apurou pela primeira vez na sua história para a final da Liga dos Campeões”.

Seria belo arranque de livro, há uma história para contar aqui e é a história de como o City, depois de um início de temporada em que se falou até de fim de ciclo, porque a equipa de Guardiola andou pelas metades erradas da tabela da Premier League, vai terminar campeão de Inglaterra e com a sua primeira final de Champions no bolso, o único objetivo que faltava desde a chegada dos petrodólares de Abu Dhabi.

E tudo começou com uma improvável saraivada de maio, que deixou o relvado do Ethiad branco, como se de repente tivéssemos voltado a outro futebol, às noites europeias dos anos 90 em Trondheim. Esse futebol já não existe, agora há milhões de um lado e de outro, mas há coisas no futebol que não mudam e uma delas é que uma equipa terá sempre mais probabilidades de ter sucesso se for um coletivo e não um conjunto de individualidades - e essa foi a grande diferença entre o Manchester City e o PSG nesta meia-final de Champions.

Matt McNulty - Manchester City/Getty

Guardiola, sabe-se, é muitas vezes acusado de nos jogos grandes se perder nos seus próprios raciocínios, talvez por isso desde 2011 não fosse a uma final da Liga dos Campeões. Desta vez, o City não pensou demais. Aliás, com a vantagem de 2-1 trazida da 1.ª mão, os ingleses foram, acima de tudo, pragmáticos. Um pragmatismo tal que aos 11 minutos de jogo já venciam, depois de até aí terem passado mal com a pressão do PSG, que entrou com mais bola, assim estava obrigado, uma bola que costumamos ver quase sempre nos pés dos jogadores que equipam de azul bebé.

Com os jogadores do PSG a defender com linhas altas e atraídos pelos médios do City, Ederson viu Zinchenko a fugir pela esquerda e a bola foi direitinha para lá. O lateral viu então Kevin de Bruyne a cavalgar por entre uma defesa parisiense descompensada, com o remate do belga a encontrar na recarga Mahrez, que assim abriu o score. Uma jogada rápida, na profundidade. Futebol simples. Às vezes, até os maiores amantes da bola precisam de se adaptar às circunstâncias para chegar aos objetivos.

O golo do City acabou por estancar um pouco do ímpeto inicial do PSG, mas os campeões franceses foram sempre a equipa mais virada para o ataque na 1.ª parte. Marquinhos enviou uma bola à barra aos 16’ e aos 18’ Di Maria quase aproveitava uma reposição deficiente de Ederson. Com o aproximar do intervalo, o City foi conseguindo ter mais bola e acabou a 1.ª parte em cima da baliza de Navas.

Após o intervalo, e com o ataque do PSG sem conseguir dar a volta à defesa do City (Rúben Dias esteve monstruoso, com vários cortes decisivos e foi mesmo o man of the match), Mauricio Pochettino mexeu, tirando Icardi, que esteve apenas em corpo presente na vez do lesionado Mbappé, para a entrada de Moise Kean, na esperança que o jovem italiano fosse melhor companhia para Neymar e Verratti.

Jan Kruger - UEFA/Getty

Ideia que caiu por terra já que segundos depois o City arrumou definitivamente com a eliminatória. E mais uma vez, contrariando os mitos mais verdadeiros ou mais preconceituosos que vão acompanhando as equipas de Guardiola desde Barcelona: numa jogada perfeita de transição, Foden e De Bruyne combinaram a um, dois toques, com o jovem inglês a fazer o cruzamento final para Mahrez ao segundo poste fazer o 2-0.

A partir daí, o jogo acabou. Mais ainda quando Angel Di Maria foi expulso aos 70’, após uma entrada feia e intencional sobre Fernandinho - o esforço de Pochettino passou então por conseguir que o Paris Saint-Germain terminasse com pelo menos 10 jogadores.

No meio da confusão, Foden ainda enviou uma bola ao poste e o que merecia um golo o miúdo inglês, a espalhar classe e boas decisões pelo campo, pouco amedrontado pelo peso histórico do feito: a primeira final de Champions para o City, ele que acabou por sair para dar lugar a Sergio Aguero, o futuro e o presente do clube, juntos agora num dos momentos mais importantes da história recente da equipa.

O City fica agora à espera de Real Madrid ou Chelsea na final de Istambul.

  • City ou PSG: a final de quem tiver a bola
    Liga dos Campeões

    Após a vitória dos ingleses por 1-2 em Paris, a eliminatória continua em aberto, sobretudo porque Neymar, Mbappé e companhia conseguem fazer quase tudo. Mas só o conseguem se tiverem bola. Mais do que na primeira mão. Impedi-lo é o desafio do City de Guardiola