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Liga dos Campeões

"Não sei o que deves fazer para os parar, honestamente. Eles são tão bons": Pep, Messi e o PSG

Na terça-feira joga-se o PSG-City (20h, Eleven Sports 3), será a quinta vez que Pep Guardiola e Lionel Messi se vão defrontar. Nas ocasiões anteriores, em Bayern-Barcelona e City-Barcelona, o argentino fez cinco golos em quatro jogos. "O que ele fez na carreira dele é mais do que excecional e oxalá amanhã possa jogar, para bem do jogo"

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Laurence Griffiths

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Já não se estranha assim tanto vê-los separados. Pep Guardiola e Lionel Messi viveram tempos felizes em Barcelona, onde ganharam 14 troféus juntos, mas agora nenhum deles está onde ganhou nome. Manchester City e PSG voltam a encontrar-se na terça-feira, agora na fase de grupos da Liga dos Campeões, reeditando a meia-final da temporada passada.

O assunto, claro, anda sobretudo à volta do reencontro com o génio argentino. “Foi um bocado surpreendente para todos, mas aconteceu o que aconteceu, já toda a gente aceitou”, respondeu o treinador catalão, na conferência de imprensa de lançamento do jogo, quando questionado sobre a transferência de Messi para o Parque dos Príncipes.

“Há muito tempo ou há alguns anos não o imaginarias, mas aconteceu. No futebol nunca sabes, tal como na vida, não sabes o que vai acontecer num futuro próximo. Estou certo que ele será feliz em Paris”, disse.

Pep parecia estar em agonia naquela sala de conferência de imprensa, onde as perguntas surgiam por um qualquer aparelho sonoro, uma rotina que deve saturar os mais pacientes entre os pacientes. E, claro, lá o tentaram espremer mais e mais sobre Lionel Messi.

“Este tipo de jogadores, especialmente Messi, falam no relvado. Temos sorte de o ver durante nestes 15, 16 anos, não sei quantos são como profissional. Messi fala por ele, não temos de falar sobre ele. O que ele fez na carreira dele é mais do que excecional e oxalá amanhã possa jogar, para bem do jogo”, desabafou, numa alusão à ausência recente do futebolista, com um problema no joelho.

Com Guardiola, Messi esteve em 47 jogos da Liga dos Campeões, dos quais venceu 28 (quatro derrotas) e nos quais marcou 43 golos, conta este artigo do “Goal”. Juntos, venceram duas Champions, ambas contra o Manchester United de Alex Ferguson.

Depois da glória e de a energia se evaporar do corpo, em 2012, Pep Guardiola seguiu para Nova Iorque para descansar e ter jantaradas com Kasparov e outros ilustres. O regresso deu-se em Munique, no banco do mítico Bayern, onde acabariam, Pep e Messi, por se reencontrar, agora em trincheiras diferentes.

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Em 2014/15 defrontaram-se pela primeira vez, com o argentino a acabar por ser mais feliz, marcando dois golos na primeira mão, num 3-0 redondo em Camp Nou para os blaugrana. Na segunda mão, o Bayern até venceu por 3-2, mas foi insuficiente. Esse Barça de Luis Enrique, com Luis Suárez, Neymar Jr. e Messi a derreter equipas de futebol inteiras, seria campeão da Europa.

Em 2016/17, o canhoto foi ainda mais impiedoso, quando Pep Guardiola, já no Manchester City, voltou a defrontar o seu Barcelona. Na primeira volta do Grupo C, Messi fez um hat-trick num doloroso 4-0 para os cityzens, na Catalunha. Na segunda volta, os ingleses conseguiram garantir a vitória (3-1), mas não evitaram mais um golo de Leo Messi.

Ou seja, em quatro jogos contra Pep, Messi fez cinco golos. Agora reencontram-se num atraente e endinheirado PSG-City (20h, Eleven Sports 3), em Paris.

"Eles são tão bons"

Pep foi ainda questionado sobre o PSG e sobre o duelo da época passada, em que os britânicos bateram os franceses para garantir a passagem à final. Guardiola foi seco: “Foi na época passada. Eles eram uma equipa fantástica, foi um jogo renhido, e agora têm o Messi. Ganham muitos títulos e são grandes competidores, mas isso foi na época passada. Novos jogos, nova competição, nova fase de grupos, veremos”, respondeu, pouco entusiasmado.

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A seguir, ainda na conferência de imprensa, lembrando que Pep escolhe o Barça de Luis Enrique e o Liverpool de Jürgen Klopp como os rivais mais difíceis em que tropeçou, perguntaram-lhe se o PSG poderia atingir esse patamar de rival mais complicado de tragar. “Tem qualidade para isso. O ataque do Barça de Luis Enrique tinha jogadores incrivelmente excecionais e boa organização. O treinador do PSG pode fazê-lo e os jogadores que tem na frente é do mesmo nível das equipas que mencionou. Podem fazê-lo. O futebol precisa de tempo, quando normalmente as pessoas do futebol não nos dão."

Então, qual será a maneira de travar esta gente que agora encanta as ruas de Paris? “Com esta quantidade de qualidade, não sei o que deves fazer para os parar, honestamente”, riu como quem está à vontade de ver o jogo. “Eles são tão bons. Controlar esta quantidade de talento é muito difícil. Temos de defender bem, sem bola, e temos de os fazer correr quando temos a bola”, explicou.

O City lidera o Grupo A, depois da vitória ao Leipzig por 6-3, enquanto o PSG desiludiu na estreia do trio galático na Europa, empatando com o corajoso Club Brugge.