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Liga dos Campeões

Antes, havia o Fergie Time. Agora, o United está a ser salvo pelo Ronaldo Time

Pelo terceiro jogo esta época na Liga dos Campeões, o internacional português voltou a evitar uma derrota do Manchester United com um golo nos últimos minutos. Desta vez, a soluçante equipa de Solskjaer, que apelidou Cristiano de "simplesmente incrível", empatou a dois golos com a Atalanta

Diogo Pombo

Matthew Peters/Getty

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Fosse o Manchester United uma árvore e seria uma das que são maiores onde o olho não vê, onde o visível não chega, com ramos e folhas mais pequenas do que as raízes subterrâneas a manterem-na umbilicalmente presa a tempos mais felizes, quando os seus adeptos festejavam vitórias e os heróis que as concretizaram.

Neste clube, essas epopeias começaram nos anos 90 e prolongaram-se pela primeira década deste século, quando contente era Alex Ferguson a mascar pastilha com a sua seriedade no banco de suplentes, instituindo-se no United por conquistas várias e mitos criados. Um deles, de que treinava uma equipa de Manchester que, chegado a esse suplício, se salvava a si própria à última, com golos tardios — no Fergie Time, como se foi banalizando.

Estando o United, por estes dias, preso à máquina do saudosismo e oxigenando o tempo de Ole Gunnar Solskjaer como treinador, apesar de ir na quarta época sem títulos e um futebol aos solavancos, um certo trintão com os quarenta mais perto do que a primeira face dos trinta está a fazer por renomear essa altura dos jogos em que salvações urgentes são necessários.

Esse tempo em que a equipa se auto-resgatava com urgência está a virar o Ronaldo Time.

Pela terceira vez esta época, o Manchester United não perdeu ou empatou um jogo da Liga dos Campeões porque o cada vez mais finalizador-mor, o homem que se desenvolveu e adaptou para ter o remate como sinónimo de primeiro toque, apareceu para marcar um golo quando o jogo já esgotava os minutos.

Esta terça-feira, em Bérgamo, Cristiano Ronaldo pontapeou, aos 90' e à primeira, a bola que fez o 2-2 com que os ingleses empataram com a Atalanta — antes, já fizera o golo inaugural da equipa, a passe de Bruno Fernandes. Há duas semanas, o português marcara o 3-2 com que o United venceu a mesma equipa italiana, em Manchester. Em setembro, o capitão da seleção nacional marcou aos 90'+5 contra o Villarreal para também evitar um empate frente aos espanhóis.

No final deste salvamento feito pelo português, Solskjaer descreveu-o como "simplesmente incrível" e comparou-o o que é para o Manchester United com o que Michael Jordan foi para os Chicago Bulls. "Queres que a bola caia para ele nos últimos momentos, ele é o tal, já fez isto para nós tantas vezes", desabafou o treinador, para quem o tempo que voltou a ter com Ronaldo — jogaram juntos, na primeira passagem de ambos pelo clube — já livrou de algumas agruras.

  • O Manchester United de Solskjaer. Ou como ninguém espera por gigantes presos no passado
    Crónica

    Um exemplo paradigmático de Ole Gunnar Solskjær no Manchester United é o milagre de Paris, há dois anos, quando a desfalcada equipa inglesa conseguiu uma vitória épica sobre o favorito Paris Saint-Germain. Analisar resultados sem ter em conta as circunstâncias que os provocam leva demasiadas vezes a decisões imediatistas e esse jogo, escreve o analista de futebol Tomás da Cunha, agarrou o treinador norueguês ao cargo — até hoje, que tem melhor plantel, mas continua a não conseguir montar uma equipa. E a Premier League, no topo, já não aceita a mediania coletiva