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Duas ou três coisas sobre contas-poupança (hoje sem Pedro Andersson mas com Luís Cristóvão)

O Expresso Diário, que muito orgulhosamente publica à segunda-feira as Dicas de Poupança que Pedro Andersson também explica na SIC mas aí sob o nome Contas-Poupança, apresenta nesta edição uma variação com menos economia de bolso e mais economia de plantéis: Galatasaray-Benfica (quinta-feira, 20h, Sport TV) e Sporting-Villarreal (quinta-feira, 20h, SIC) são o motivo da reflexão e Luís Cristóvão explica quem não iremos ver jogar e porquê neste regresso da Liga Europa

Luís Cristóvão

Quem sabe se este duelo não se vai repetir nas eliminatórias mais adiante da Liga Europa

José Sena Goulão / EPA

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Todos me querem, eu quero mais do que um, quero tudo aquilo que me faça ganhar algum: a sabedoria popular está aqui alterada porque, chegando fevereiro, para as equipas que seguem na Liga Europa cada semana de jogo é uma semana de balanço de prioridades, entre o que cada uma pode alcançar no seu campeonato e aquilo que um percurso de sucesso numa prova europeia pode oferecer.

A história do Benfica terá mudado drasticamente no último mês, tendo em conta a aproximação ao primeiro lugar da Liga portuguesa, o que fará com que Bruno Lage empreenda a viagem até à Turquia com uma série de poupanças na bagagem. No caso do Sporting, a situação é mais complexa, tendo em conta que, afastado dos seus objetivos na Liga, não pode deixar de continuar a tentar aproveitar perdas de pontos dos seus rivais. Algo que, por exemplo, não passa pela cabeça do Villarreal, que em risco de sobrevivência em LaLiga assume que esta busca pelo tesouro da Liga Europa não será bem para si.

NÃO SE PODE MUDAR NUM MÊS, AI NÃO

Se quanto ao Benfica estamos falados, porque as mudanças impostas por Bruno Lage têm configurado uma enorme oportunidade para o renascer das possibilidades encarnadas na corrida ao título, diga-se que o Galatasaray também não deixou o capítulo de mudanças de fora das prioridades deste mercado de inverno. Ao contrário do Benfica, não conseguiu ainda a aproximação ao primeiro classificado da Superlig turca, mantendo-se a seis pontos de distância, mas o ataque ao mercado permitiu uma melhoria de sectores onde sentiam fragilidades.

Temos todos ideia do Galatasaray que defrontou o FC Porto na fase de grupos da Champions: uma equipa que respeita muito o modelo turco, de luta e procura de um ataque de choque, mas com bastantes fragilidades no momento defensivo. Para colmatar esses problemas há uma nova dupla de centrais, composta por Marcão (ex-Chaves) e Luyindama (ex-Standard Liège), enquanto para a frente de ataque chegou Mbaye Diagne, o que fortalece o capítulo de finalização. Mitroglou, ex-Benfica que também chegou em janeiro, não está inscrito nas provas europeias.

O grande perigo do Galatasaray vem do seu meio-campo, cada vez mais oleado e com forte pendor criativo, onde Fernando gere como pivô, Badou Ndiaye é o mestre das dinâmicas e ligações e Younès Belhanda serve como o elemento de desequilíbrio. Sem esquecer ainda Feghouli a partir de uma das faixas. O Benfica deixou em Lisboa Grimaldo e Pizzi e com eles ficaram dois dos elementos que mais contribuem para as mudanças posicionais no ataque encarnado, não havendo no plantel quem lhes possa simular as ações com o mesmo nível de qualidade.

Trata-se de uma estreia europeia para Bruno Lage com foco na conta-poupança. Porque o objetivo principal da equipa está na Liga, onde se prepara um ataque à liderança, e porque na Liga Europa há uma possibilidade no jogo da segunda mão de resgatar as coisas que corram menos bem. O Benfica tem na Turquia espaço para dar oportunidades a alguns jogadores menos utilizados e isso também é uma forma de procurar o tesouro. Não no imediato, mas no que pode trazer para o futuro.

AS SAUDADES QUE EU JÁ TINHA DE UMA JORNADA EUROPEIA

Marcel Keizer sabe que há crises bem piores que a do Sporting. Apesar da distância que tem para os dois primeiros lugares na Liga portuguesa, o holandês viu a Taça da Liga no autocarro do Sporting e isso permite-lhe um sorriso mesmo no meio da tempestade. Parece certo que a prioridade dos Leões passou para as provas a eliminar, com a Taça de Portugal também na ementa que se segue, mas, ao mesmo tempo, o clube não costuma lidar bem com temporadas em que fica de fora do pódio no campeonato nacional. Mas lá chegaremos.

O Villarreal visita Alvalade a tentar retirar a cabeça debaixo de água. A perspetiva é terrível. Uma equipa que num espaço curto de tempo caiu à Segunda Divisão, subiu de volta a LaLiga, chegou ao playoff da Liga dos Campeões e joga este ano na Liga Europa ao mesmo tempo que evita nova queda nos campeonatos secundários. A administração tenta lidar com a situação como quem aproxima um fósforo de um posto de combustível. Despediu e readmitiu Javi Calleja, que acredita que uma segunda oportunidade na vida pode ter um efeito redentor.

Em LaLiga, o Villarreal não vence um jogo desde o final de novembro, ainda Calleja era o treinador. A última vitória da equipa em jogos oficiais aconteceu na derradeira jornada da fase de grupos da Liga Europa, na receção ao Spartak de Moscovo, já com Luís Garcia como técnico, o mesmo que acabaria por ser substituído. As jornadas europeias têm sido o momento de tranquilidade para esta equipa espanhola e, é certo, em Lisboa procuram um resultado positivo. Mas também é demasiado evidente que o foco do conjunto está em casa.

O técnico Javi Calleja foi claro na forma como colocou as coisas. A prioridade é a manutenção. Também por isso a viagem até à capital portuguesa faz-se com uma lógica de rotação do plantel, dando descanso a muitas das figuras essenciais da equipa. O Sporting pode acabar por optar por algo semelhante: mesmo tendo em conta que vê esta prova como uma oportunidade, há peças a pedir descanso e este jogo permite dar minutos a outros jogadores. As contas-poupança estão em alta nesta prova, mesmo que o desejado tesouro possa acabar por aparecer na rota de quem nem sempre se focou em lá chegar.