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João Félix e os Acompanhantes de Luxo em Zagreb

Os oitavos-de-final da Liga Europa começam, para o Benfica, em Zagreb, onde defrontam o feroz dominador do futebol croata há mais de uma década. Se o nome do adversário não assusta, o seu percurso na presente temporada talvez obrigue a repensar o alívio sentido, por muitos, no momento do sorteio. Ainda assim, o Benfica é, por estes dias, como uma banda que sai em tour pela Europa, cheia de juventude a querer mostrar a face no palco onde os tubarões do futebol costumam pescar

Luís Cristovão

Gualter Fatia

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Bruno Lage vive da segurança que o seu conhecimento do clube, dos jogadores e do contexto mental onde estes se sentem confortáveis permite. Tal como já havia “arriscado” na Turquia, e olhando para a convocatória, tudo indica que teremos, de novo, um Benfica marcado pela juventude a ir a jogo na Croácia. Oportunidade para dançar ao som de um grupo de jogadores que se transformou, por completo, no dono da bola a vestir de encarnado.

“Entretanto trago a bola, agora é tudo amigo meu”

Com a chegada de Bruno Lage ao comando técnico dos encarnados, o futebol da equipa começou a mudar e, se há peça que ajuda a essa transformação, é João Félix. Depois de ter iniciado a temporada a merecer minutos com Rui Vitória, a afirmação e a titularidade chegaram com o novo técnico. Félix confirma e supera as expetativas que o seu talento alimentava, na forma como lida com a responsabilidade de ser um dos elementos mais preponderantes da equipa aos 19 anos.

Se, no campeonato, a transformação já conduziu a equipa ao primeiro lugar, foi na Europa que Bruno Lage terá lançado as bases para um Benfica futuro que se entrevê em várias das suas opções. Na Turquia, perante o assustador ambiente criado pelos adeptos do Galatasaray, o Benfica venceu com um onze onde, para lá de João Félix, também brilhavam o capitão Rúben Dias, na companhia de Ferro no centro da defesa, Yuri Ribeiro, Florentino e Gedson Fernandes. O dono da bola e os amigos completavam mais de metade de uma equipa que venceu em momento de afirmação.

Na lista de convocados para Zagreb, Bruno Lage dá mais um passo. Mile Svilar e Jota já tiveram oportunidades e não podem ser vistos, sequer, como surpresas, mas o treinador do Benfica não quer ficar por aqui e junta ao grupo Nuno Santos, que esteve no grupo que acabou por ser eliminado da UEFA Youth League e é presença regular na equipa B. André Almeida, Pizzi e Jonas ficaram de fora da convocatória para esta viagem, preparando-se a rotação e descansando duas peças que têm estado entre as mais utilizadas da equipa.


“Deixar que o que faço diga mais que o que digo”

O calendário apresenta, no período da próxima semana e meia, desafios de monta para a equipa encarnada. Porque a subida ao primeiro lugar, se traz glória, também transfigura a responsabilidade que se impõe ao conjunto. Se Bruno Lage tem sido eficaz na forma como fala do seu trabalho, também ele quererá que sejam as ações da equipa e os resultados a evidenciarem essas mudanças.

Para lá do compromisso europeu, com a possibilidade de voltar a colocar o Benfica nos quartos-de-final da Liga Europa, prova onde, na última década, os encarnados têm alcançado o seu maior palco internacional, também os próximos adversários na Liga NOS apresentam um teste à capacidade dos encarnados. Na primeira volta, o Benfica perdeu dois jogos consecutivos, com o Belenenses SAD, no Jamor, e com o Moreirense, em casa, entre dois jogos com o Ajax que também acabaram por ser fundamentais para o seu afastamento da Liga dos Campeões.

Agora, com Bruno Lage no comando, a prova dos nove pretende-se com o afirmar do sucesso ao nível europeu, enquanto os jogos frente a dois adversários que estão entre as equipas mais complexas de defrontar na Liga portuguesa são centrais na corrida ao título, permitindo que o Benfica segure o primeiro lugar até à derradeira pausa para jogos de seleções da temporada.

“Dá jeitinho a ver se dá”

O Dínamo Zagreb venceu doze dos últimos treze campeonatos croatas, sendo a única equipa que mantém um mínimo de regularidade de presenças a nível internacional, entre passagens tímidas pela Liga dos Campeões e Liga Europa. Desde que em 1969/70 atingiu os quartos-de-final da Taça dos Vencedores das Taças, nunca tinha chegado tão longe como agora. É que esta temporada, na Liga Europa, apenas perdeu uma vez, com o Plzen, fora, na ronda anterior, depois de ter vencido um grupo onde superou Fenerbahce e Anderlecht.

Com 14 pontos de vantagem na Liga croata, o Dínamo Zagreb aposta tudo nesta corrida europeia. E, tal como o Benfica, é no talento de um jovem que se baseia grande parte da qualidade do seu jogo. Dani Olmo saiu adolescente de La Masia, academia do Barcelona, mudando-se para Zagreb onde desde os 16 anos começou a ser utilizado na equipa principal. Em temporada de plena afirmação, conduz a equipa que tentará surpreender o Benfica através da transição rápida, imagem de marca nos jogos da Liga Europa, onde se resguarda da iniciativa do adversário para tentar explorar fragilidades na velocidade.

Com os croatas a apostarem na surpresa, Bruno Lage volta a montar a banda com João Félix e os seus Acompanhantes de Luxo, uma geração de jovens que, pelo seu sucesso, até se arrisca a predizer mais daquilo que será o futebol português do que será, provavelmente breve, a sua vida em conjunto neste Benfica.