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Sar(r)ilho evitado. E adiado para Londres

O Chelsea de Maurizio Sarri começou a perder - e a tremer - em Frankfurt, com um golo de Luka Jovic, mas conseguiu empatar - e reequilibrar -, por Pedro, e acabou perto de vencer a 1ª mão das meias-finais da Liga Europa

Mariana Cabral

Chris Brunskill/Fantasista

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É uma discussão interessante, ainda que dificilmente possa ser consensual: um treinador só é verdadeiramente bom quando ganha títulos, ou, pelo contrário, pode ser igualmente bom estando apenas de forma regular nos momentos em que se lutam por títulos?

Tivemos, recentemente, o excelente exemplo de Nuno Dias, treinador de futsal do Sporting. A equipa esteve na final europeia da modalidade em 2016/17, mas foi goleada pelo Inter, por 0-7; repetiu a presença em 2017/18, mas foi novamente derrotada pelo mesmo Inter, por 2-5; mas, finalmente, em 2018/19, conquistou o torneio ao vencer o Kairat, por 2-1 (e, no jogo anterior, venceu o Inter, por 5-3).

Se, por acasos do destino ou das vontades alheias, Nuno Dias não tivesse continuado a treinar o Sporting em 2018/19, teriam - equipa e treinador - conquistado o título europeu?

A pergunta não tem, obviamente, resposta, mas dá que pensar, numa era em quem não ganha raramente tem o reconhecimento devido.

Na verdade, o mesmo exercício poderia ser feito com Jürgen Klopp, que tem elevado o Liverpool a patamares de antigamente (em 2015/16, chegando à final da Liga Europa, mas perdendo; em 2017/18, chegando à final da Liga dos Campeões, mas perdendo; e, esta época, nas meias-finais da Liga dos Campeões e na Premier League, bom, logo se vê), apesar de ainda não ter conseguido conquistar nada desde que está em Inglaterra.

Vem isto tudo a propósito, evidentemente, de Maurizio Sarri.

DANIEL ROLAND

O antigo bancário, adorado em Nápoles por ter criado uma equipa que encantava os adeptos e chegava ao final da Serie A a dar luta à eterna campeã Juventus, tem sofrido em Inglaterra, entrando em conflito com alguns jogadores (chegando ao cúmulo da rábula com Kepa, na final da Taça da Liga - que perdeu) pela rigidez do seu 4-3-3 e sofrendo críticas ferozes dos adeptos, que chegaram a entoar o infame cântico "fuck Sarriball".

O Chelsea não tem estado, por isso, ao nível que prometia no início da Premier League, quando somou 18 jogos consecutivos sem perder, mas, ainda assim, é 4º, a dois pontos do 3º, o Tottenham, e está nas meias-finais da Liga Europa.

E é na Liga Europa que Sarri pode, finalmente, conseguir o que lhe falta: ganhar um troféu. Só que nem o italiano de 60 anos parece particularmente preocupado com isso. Esta noite, em Frankfurt, deixou o melhor jogador da equipa, Eden Hazard no banco - "jogou os últimos 10 jogos consecutivos, precisa de descansar; não quero que jogue 90 minutos" - e o Chelsea começou a 1ª mão de forma tremida.

Foi o Eintracht Frankfurt a assumir-se inicialmente na partida, cortesia de dois desequilibradores que irrompiam constantemente pelas alas: Danny da Costa pela direita e Filip Kostic pela esquerda. Foi numa dessas incursões, aos 23 minutos, de Kostic, então solicitado por Luka Jovic num contra ataque rápido, que o internacional sérvio olhou para a área e cruzou para a cabeça do mesmo homem que tinha começado o lance: Luka Jovic, o avançado de 21 anos que já vai com nove golos na Liga Europa - com mais só Olivier Giroud, que tem 10, mas esta noite não marcou.

Chris Brunskill/Fantasista

Se a primeira metade da 1ª parte foi do Eintracht, a segunda foi do Chelsea. Os ingleses, com muitas perdas na construção - Christensen ia metendo a pata na poça -, demoraram a assentar, mas foram chegando cada vez mais perto da baliza dos alemães, especialmente através de Pedro.

E foi precisamente o internacional espanhol a conseguir o empate, já depois de também ter estado quase a marcar num remate de longe. Na sequência de um canto, já em cima do intervalo, a bola acabou nos pés do Pedro e o remate acabou no fundo das redes de Kevin Trapp.

picture alliance

Na 2ª parte, elevados pelo golo (fora), os ingleses assumiram bem mais o jogo e estiveram sempre mais perto do 2-1 do que os anfitriões: Loftus-Cheek esteve a centímetros de marcar e David Luiz acertou em cheio na trave - e, depois, permitiu a defesa de Trapp -, numa altura em que Eden Hazard já dinamizava o ataque (por troca com Willian).

O Eintracht, já com Gonçalo Paciência em campo, ainda conseguiu voltar a balançar o campo para a baliza de Kepa, mas David Abraham, com a baliza escancarada, num canto, cabeceou por cima.

No final, o empate sabe a vitória para a equipa de Sarri, que fica em vantagem para a 2ª mão e, por isso, bem perto da final da Liga Europa. Será desta, Sarri?

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