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That's all, folks!

Já chega de emoção por uma semana, não? O Chelsea até parecia ter a eliminatória bem encaminhada quando Loftus-Cheek fez o 1-0, mas Luka Jovic - sempre ele - fez o 1-1 e o segundo finalista da Liga Europa só foi decidido nos penáltis. Com mais um toque de dramatismo à mistura, claro: Gonçalo Paciência falhou e Eden Hazard marcou

Mariana Cabral

Tim Goode - PA Images

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Ainda se lembra do golão de Kompany? Na segunda-feira à noite, o defesa central do Manchester City desafiou a lógica ao marcar o seu primeiro golo da época - e da sua carreira enquanto jogador do City - de fora da área, deixando o campeão inglês a um passo do bicampeonato. Enquanto Kompany pensava em rematar, os colegas gritavam-lhe para não rematar, tal como Guardiola, a partir do banco, lhe pedia telepaticamente para não rematar.

Mas ele rematou. E marcou. E salvou a equipa.

Porque o futebol tem este lado terrivelmente irónico: vemo-lo e estudamo-lo tanto que já achamos todos, com muita certezinha, que sabemos o que vai acontecer.

Só que segunda-feira já parece, sei lá, um dia longínquo de 1999 naquilo que é a memória coletiva futebolística, porque, na terça-feira, o Liverpool rebentou a escala da nossa incredulidade ao contrariar todas as previsões sensatas e vencer o Barcelona por 4-0.

Como se isso não fosse suficientemente impressionante para chocar até os pais do Diogo Pombo, na quarta-feira, novo momento dramático: quando tudo parecia mais do que encaminhado para o Ajax chegar à final da Champions, com um belíssimo 2-0, o Tottenham marcou três golos na Holanda - e o último só apareceu literalmente no último minuto do jogo.

E foi assim que chegámos a quinta-feira à noite (ainda se lembra da segunda-feira?)

Alex Grimm

Na 2ª mão das meias-finais da Liga Europa, as equipas inglesas eram claramente favoritas: o Arsenal venceu o Valência por 3-1, em casa, no primeiro jogo; e o Chelsea empatou na Alemanha, frente ao Eintracht Frankfurt, por 1-1.

Se o Arsenal rapidamente confirmou a passagem à final, o Chelsea preferiu dar-nos um bocadinho mais de dramatismo, na sequência da semana de loucos que já estávamos a viver.

A equipa de Sarri, hoje evidentemente com Eden Hazard como titular (na 1ª mão ficou no banco, para "descansar", explicou o treinador), entrou melhor no jogo e rapidamente se instalou como dona da bola.

Aos 28', depois de uma incursão fantástica de Hazard pela esquerda, o belga ofereceu o golo de bandeja a Loftus-Cheek e o jovem inglês aproveitou para fazer o 1-0 - já depois de Luiz e Giroud também terem estado a centímetros do golo.

Darren Walsh

O que parecia vir a ser, enfim, uma noite tranquila nas competições europeias, rapidamente mudou de curso. Apesar do domínio inglês na 1ª parte, na 2ª parte houve bem mais Eintracht: os alemães subiram a pressão no meio-campo adversário, provocando ainda mais erros adversários, e não demoraram muito para empatar.

Aos 49', num lance fenomenal do melhor marcador da prova, Luka Jovic não só trocou as voltas a David Luiz, à frente e atrás do defesa brasileiro, como fez o 1-1, na cara de Kepa.

OLIVER GREENWOOD

Com tudo empatado, o equilíbrio passou a ser a nota dominante no jogo, ainda que tenha havido oportunidades de um lado e de outro, com Kepa e Trapp sempre em grande nível.

No prolongamento, mais duas partes divididas: na 1ª, só deu Eintracht, na 2ª, Chelsea. Primeiro, foi Haller a ver David Luiz e Zappacosta (tinha entrado para o lugar de Christensen, lesionado), respetivamente, a tiraram a bola em cima da linha de golo. Depois, foi Emerson a ver Hinteregger negar-lhe o golo - e Azpilicueta a marcar de forma ilegal, ao empurrar Trapp.

Clive Mason

Já com o jogo totalmente partido, para um lado e para o outro, era impossível prever o desfecho da eliminatória. E foi assim que se chegou aos penáltis.

E, aí:

Haller marcou;

Barkley marcou;

Jovic marcou;

e Azpilicueta falhou (e Trapp defendeu).

O Chelsea parecia acabado... mas esta quinta-feira ainda tinha mais drama para distribuir:

De Guzmán marcou;

Jorginho marcou;

Hintereggen falhou (e Kepa defendeu - na verdade só teve de fechar as pernas, já que a bola foi para o meio);

David Luiz marcou;

Gonçalo Paciência, que tinha entrado aos 118', falhou (Kepa defendeu);

Harriet Lander/Copa

e... no final do que poderia ser um belo guião de cinema (também pela redenção de Kepa, depois da rábula da final da Taça da Liga), Hazard marcou. Fim.

E o Chelsea de Sarri, o treinador que nunca ganhou nada, está mesmo na final da Europa. E é assim que, em 2018/19, pela primeira vez, há quatro finalistas ingleses nas duas finais das competições europeias. That's all folks!