Tribuna Expresso

Perfil

Liga Europa

Rosenborg 0-2 Sporting: uma crónica sobre uma nobre e respeitável atividade física chamada footing

O Sporting bateu o Rosenborg (2-0) num jogo que controlou sem grandes dificuldades perante um adversário que, à falta de melhor expressão, é fraco. Este triunfo e a derrota do PSV contra o LASK permite aos leões subir ao primeiro lugar do Grupo D da Liga Europa

Pedro Candeias

OLE MARTIN WOLD

Partilhar

Aligeirando a coisa, digamos que o Rosenborg é seguramente a equipa mais frágil que o Sporting encontrou esta época - o que é bem diferente de dizer que o Rosenborg é fraco ou mau, os adjetivos mais adequados para o definir.

Se querem um exemplo, dou-vos dois e um deles até resultou no segundo golo do Sporting: ao minuto 35, os defesas do Rosenborg trocaram a bola de um lado para o outro, da esquerda para o lado oposto, dentro na sua grande área, como se Bruno Fernandes não estivesse lá para a cortar e, depois, chutar mal; a seguir, ao minuto 38, Doumbia rouba a bola ao médio norueguês que achou por bem fintar desacompanhado, esta sobrou para Bruno Fernandes que correu com ela, fintou Hovland e rematou para o tal golo.

O pior de tudo é que isto aconteceu a uma velocidade próxima do footing, aquela respeitável atividade física de fim de semana cuja maior dificuldade implica pôr um pé à frente do outro.

Resumindo, o Rosenborg 0-2 Sporting foi demasiado semelhante a um jogo-treino de pré-época e por isso demasiado longe da exigência de uma quarta jornada da segunda competição europeia de clubes; a ausência de gente nas bancadas do estádio em Trondheim sublinharam esta impressão.

Ora, Silas sabia o que o esperava na Noruega e daí deixou Acuña e Mathieu em Lisboa, para banhos e massagens, e trouxe vários suplentes ao onze que se dispôs inesperadamente em 3x5x2 ou 5x3x2: Renan; Ilori, Coates e Neto; Rosier, Eduardo, Doumbia e Borja; Bruno Fernandes; Vietto e Bolasie. Sistema novo com jogadores pouco utilizados é geralmente um convite à asneira, e o Sporting até teve algumas, na ocupação de espaços, na falta de profundidade do seu ataque e no número de passes errados, insuficiências que o talento de Bruno Fernandes e de Vietto foram resolvendo sem grandes esforços, tal o tempo que o Rosenborg lhes dava para pensar.

Por outro lado, os dois chutões para a bancada na cara de Renan, deram a ajuda definitiva para que tudo se compusesse. Na primeira-parte, o jogo terminou justamente 2-0: ao minuto 16, não vos contei, Coates acorrera a um cruzamento de Neto após uma defesa incompleta do guarda-redes do Rosenborg.

Na segunda-parte, após Bruno Fernandes ter trocado a manga curta pela comprida, prevendo o que ali viria, e perante o evidente destrambelhamento alheio, o Sporting entrou num rame-rame, no transe que acomete as equipas que se encontram a vencer diante de um adversário que não oferece resistência. A consequência imediata foi esta: o jogo, na sua globalidade, piorou para níveis aflitivos, que só mexeu num penálti não assinalado por falta sobre Vietto, num cabeceamento que levou a bola rente à baliza de Renan, no rodízio de disparates de Borja e nas raríssimas acelerações de Bruno Fernandes.

O tempo foi passando e passando, aborrecido, e o Sporting foi-se acomodando ao resultado positivo - o mantra que Silas repete para si e para o público -, esquecendo-se de jogar à bola, deixando o Rosenborg subir para percentagens, à partida, impensáveis, quase 70% de posse, que não resultou em coisa palpável porque houve duas defesas extraordinárias de Renan nos bocejos finais. Mas, bem, o que é que isso interessa quando, no final de contas, o Sporting é 1.º do Grupo D da Liga Europa, pois o LASK ganhou ao PSV?

Para Silas, o futebol pode esperar. Para os sportinguistas, o futebol tem de esperar.

Grupo D

1.Sporting 9 pontos
2. LASK 7 pontos
3. PSV 7 pontos
4. Rosenborg 0 pontos