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Uma renovação coletiva

Na semana em que Bruno Fernandes renovou com o Sporting, toda a equipa apareceu renovada, protagonizando uma exibição como há muito não se via em Alvalade e carimbando a presença nos 16 avos de final da Liga Europa com uma goleada (4-0)

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Numa semana que ficou marcada pela renovação de Bruno Fernandes com o Sporting, não surpreenderia ninguém que o capitão fizesse uma grande exibição com o PSV. O que foi surpreendente, esta noite, em Alvalade, foi a exibição de todos os outros, ou, melhor dizendo, a exibição coletiva da equipa, que entrou em campo de forma renovada.

E o que é que isso quer dizer, na prática?

Quer dizer que o Sporting, mesmo com um jovem de 20 anos em estreia nas competições europeias na baliza (a saber, os titulares: Luís Maximiano, Rosier, Ilori, Mathieu, Acuña, Doumbia, Wendel, Bruno Fernandes, Bolasie, Luiz Phellype e Vietto), pareceu sempre, ao contrário de outras ocasiões, uma equipa perfeitamente tranquila e coesa nos seus processos, tanto ofensivos como defensivos.

É certo que os holandeses mostraram desde cedo muitas debilidades a defender a sua baliza - logo a abrir, Bruno Fernandes assustou o guarda-redes Lars Unnerstall -, mas o Sporting também mostrou muito mais segurança na sua construção do que é habitual, saindo a jogar confortavelmente com Doumbia (o médio que, ainda assim, parece mais desadequado na forma de jogar de Silas) metido entre os centrais Mathieu e Ilori, permitindo a subida no campo dos laterais Acuna e Rosier, e ocupação do corredor central por parte de Wendel, Bruno Fernandes e Vietto, este último sempre mais "médio" do que extremo.

O Sporting entrava bem no jogo e não demoraria a concretizar as boas intenções: aos 9', num lançamento de linha lateral, Acuna encontra Bruno Fernandes, o capitão cruza e Luiz Phellype desvia, de cabeça, para o 1-0.

O Sporting continuava a dar boas indicações quando Bruno Fernandes - sempre ele -, do meio da rua, tirou do bolso uma daquelas bombas que já o caracterizam: remate fortíssimo de fora da área e 2-0, aos 16'.

Do outro lado do campo, os holandeses só faziam cócegas, com exceção para uma entrada rápida de Bruma - assobiado sempre que tocava na bola - na área, que foi rapidamente interrompida por uma excelente saída de Maximiano, que ouviu uma enorme salva de palmas de Alvalade, claramente agradado pela aposta no jovem da formação.

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Com o Sporting sempre a dominar o jogo, já em cima do intervalo, num canto, o terceiro golo quase surgiu, tanto por Bolasie como por Doumbia, mas a bola milagrosamente não entrou... dessa vez. Logo na jogada seguinte, em novo canto, Mathieu surgiu isolado ao segundo poste e, de primeira, com o pé esquerdo, fez o 3-0.

A vantagem do Sporting ao intervalo era tão justa - pela exibição - quanto surpreendente - recorde-se que a equipa tinha perdido na Holanda, por 3-2, ainda no tempo de Leonel Pontes - e mesmo na 2ª parte não houve grandes diferenças.

É certo que o PSV tentou aproximar-se mais da área de Max e, logo no primeiro minuto, o guarda-redes teve de se aplicar a sério para defender um remate de Mohammed Ihattaren, mas os holandeses nunca criaram grandes problemas ao Sporting.

Pelo contrário, na área oposta, Vietto viu a bola rasar a barra e, pouco depois, Acuna foi derrubado na área, na sequência de uma grande arrancada do argentino desde o meio-campo.

Como é habitual, Bruno Fernandes não falhou o penálti e fez o 4-0, confirmando a (justíssima) goleada, que ainda permitiu colocar Mathieu a descansar e dar minutos a Jesé e Camacho. E o Sporting está, assim, qualificado para os 16 avos de final da Liga Europa, com uma equipa renovada.

PS: A única nota negativa do jogo surgiu já nos descontos: mais uma vez, as claques localizadas no topo sul entoaram cânticos contra Frederico Varandas. O restante estádio respondeu com assobios.