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O abominável futebol nas neves

Lisonjeira a derrota por apenas 2-1 do Benfica na Ucrânia frente ao Shakhtar perante 90 minutos de tão pouco futebol. A eliminatória está em aberto, mais culpa do desperdício da equipa de Luís Castro do que dos méritos de um Benfica inofensivo na frente e errático na defesa

Lídia Paralta Gomes

SERGEI SUPINSKY/Getty

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Faz frio por estes dias na Ucrânia, o campeonato está parado, paredes de gelo e neve adornam as laterais dos relvados que não vêem ação vai para dois meses. Também faz frio por estes dias no futebol do Benfica, um frio cortante nas últimas semanas, aliás, e é possível que a derrota por 2-1 trazida de Kharkiv, a Donetsk emprestada, seja um resultado lisonjeiro, tal a superioridade do Shakhtar, principalmente na 2.ª parte. Um Shakhtar que, recordemo-nos, não jogava de forma oficial há um par de meses e que mesmo assim ganhou o duelo físico e tático à equipa portuguesa.

Depois de uma 1.ª parte jogada a ritmo quase tão baixo quanto a temperatura, mas em que o Shakhtar foi quase sempre a equipa com mais iniciativa, o início da 2.ª parte colocou desde logo o Benfica em grandes apuros. Mesmo sem esplanar em campo o seu habitual jogo de posse a toda a largura do campo, foi logo imediatamente a seguir ao regresso dos balneários que equipa ucraniana teve mais facilidade em trotar meio-campo defensivo do Benfica adentro, face a geral apatia encarnada. Aos 46’, Junior Morais aproveitou um erro de abordagem de Ferro para rematar, com Vlachodimos a salvar. Cinco minutos depois, foi a vez de Tomás Tavares falhar um corte, com Ismaily a rematar cruzado, rente ao poste.

Não foi à primeira, não foi à segunda, seria à terceira: aos 56’, com todo o espaço do mundo, o ataque do Shakhtar teve autorização para trocar a bola, com Alan Patrick, à entrada da área, a rematar em jeito, colocadíssimo junto ao poste esquerdo de Vlachodimos.

SERGEI SUPINSKY/Getty

Com o golo do Shakhtar, vislumbrou-se uma tímida reação do Benfica, que aos 67’, graças a uma boa jogada individual de Tomás Tavares, ganhou uma grande penalidade que Pizzi converteu.

Mas os erros individuais voltariam para assombrar o Benfica: aos 79’, Rúben Dias perdeu o duelo corpo-a-corpo com Taíson junto à linha de fundo, o brasileiro deixou para Junior Moraes que de forma imediata cruzou para Kovalenko. O ucraniano rematou cruzado, fora do alcance de Vlachodimos, deixando o Shakhtar de novo com uma vantagem merecida e até escassa face ao futebol quase sempre paupérrimo do Benfica em termos coletivos e aos inúmeros erros individuais, com Florentino, Tomás Tavares, Ferro e Rúben Dias a comprometerem.

À equipa de Luís Castro faltou mais cabeça fria no último terço. Com ela, talvez o Benfica tivesse saído de Kharkiv com a eliminatória definitivamente perdida. Mas o golo de Pizzi, de grande penalidade, num dos poucos remates enquadrados do Benfica durante todo o jogo, dá uma hipótese de redenção à equipa de Bruno Lage. Mas, em Lisboa, é preciso fazer muito mais para a merecer.