Tribuna Expresso

Perfil

Liga Europa

Sofrer, resistir e desistir

A eliminatória estava praticamente definida com a derrota na Pedreira por 2-0 e um golo de Dzeko pouco depois dos 20 minutos fechou a porta a qualquer esperança do Sp. Braga. Os minhotos até reagiram bem, mas na 2.ª parte o jogo partiu-se e o Sp. Braga acabou por baixar os braços. O 3-1 final deixa a equipa de Carlos Carvalhal (e Portugal) fora da Liga Europa

Lídia Paralta Gomes

ETTORE FERRARI/EPA

Partilhar

Há aquele livro, best-seller máximo, que deu um filme com a Julia Roberts, blockbuster máximo, que também tinha assim três verbos seguidos, aquele em que a Julia em Roma conhece as magias do verbo comer antes de orar e amar em partes mais exóticas do Mundo. O Sp. Braga nem sequer saiu de Roma e foi no Olímpico local que também viveu uma peça em três verbos, mas três verbos menos simpáticos, que acabou com um adeus à Liga Europa, um adeus português nos 16-avos de final da prova depois da eliminação do Benfica um par de horas antes.

O 2-0 na Pedreira deixava tudo já bem encaminhado para a Roma, foi ali que tudo se perdeu quando os minhotos deveriam ter equilibrado mais e em Itália era preciso uma noite total de glória do Sp. Braga para mudar a história. E talvez Carlos Carvalhal não estivesse assim tão confiante que essa glória fosse chegar: deixou Ricardo Horta, Fransérgio e Al Musrati no banco, rodou peças, talvez a pensar já no tanto que ainda há dentro de portas para lutar, talvez ainda com a ténue esperança que um golo precoce ainda os fizesse saltar lá para dentro mais frescos.

Mas o golo não apareceu, quer dizer, aparecer apareceu, mas foi para os da casa, Dzeko, o inevitável bósnio pouco depois dos 20 minutos de jogo, felino a ir à caça de uma bola que El Sharaawy rematou e o poste devolveu. Ninguém do Sp. Braga foi rápido o suficiente e Dzeko estava ali não só para abrir a contagem como para matar a eliminatória - ainda mal se tinha começado a jogar e o jogo já tinha a história mais ou menos contada.

É claro que à falta de glória ainda há a honra e o certo é que os minutos que se seguiram ao golo da Roma foram os melhores do Sp. Braga, uma resistência forte, com alguns vislumbres de qualidade coletiva, como aos 30’ quando Sporar e Zé Carlos combinaram bem, mas o brasileiro Piazon deu mal na bola já na grande área. O ex-Chelsea que logo a seguir voltou a assustar, com um remate de longe que passou por cima mas que tinha escrito que o Sp. Braga podia estar fora da eliminatória, mas estava dentro daquele jogo.

ETTORE FERRARI/EPA

O honroso resistir bracarense foi por ali fora e em menos de nada nova oportunidade, num remate de Sporar, até o poste negar a Pedro mais um golo para a Roma, aos 40’, e avisar que, apesar de tudo, aquela ainda é a casa dos de cor de vinho.

A 2.ª parte já foi um desemaranhado de futebol sem grande regras táticas, espaço em barda, jogo partido - com um pouco de cabeça fria talvez o Sp. Braga pudesse ter sido mais feliz. Lances de perigo já só dentro dos últimos 20 minutos, com a Roma a falhar uma grande penalidade aos 72’, por Pellegrini - e até no pontapé frouxo do italiano se viu que já ninguém estava exatamente focado no jogo - para logo a seguir o Sp. Braga cheirar o golo. E não marcando, foi novamente feliz a Roma, com Carles Pérez a aparecer completamente esquecido no lado esquerdo do ataque e a receber de primeira e com estrondo um cruzamento de Pellegrini. Um golo impensável de sofrer se Sp. Braga já não tivesse desistido de querer ganhar o jogo.

Ainda assim, já com toda a gente liberta de qualquer pressão ou objetivo, os último minutos trouxeram um golo para o Sp. Braga, aos 88’, auto-golo de Cristante depois de uma interessante jogada de envolvimento minhoto, com Borja Mayoral a fechar as contas já nos descontos, em mais um golo fácil, em que já ninguém marcou ninguém e já ninguém festejou nada e toda a gente já parecia querer estar em casa.

Era complicada a tarefa do Sp. Braga, que perdeu em casa a oportunidade de disputar a eliminatória até ao fim. E não obstante a boa reação no final da 1.ª parte, fica a sensação que a equipa de Carlos Carvalhal já entrou em campo com outras coisas na cabeça - o que é natural, a época é longa, difícil e o Sp. Braga ainda se pode sair muito bem nela.