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Liga Europa

Paulo Fonseca entrou no confessionário: não gosta de defender atrás, nem é fã da marcação ao homem

O treinador português defrontará, com a Roma, o Manchester United na primeira mão das meias-finais da Liga Europa (20h, SIC) e, em conversa com a "ESPN", explicou que a equipa "não pode ir lá só defender" e terá de "ter a bola, a iniciativa e a coragem" para jogar contra os ingleses

Diogo Pombo

Stanislav Vedmid/DeFodi Images via Getty Images

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Roma é lugar mascarado de museu ao ar livre, há incontáveis monumentos e edifícios de outras eras a resistir ao avanço do tempo, quase intemporais, e no símbolo de um dos clubes da cidade está a Loba Capitolina a dar de mamar a Rómulo e Remo, o primeiro dos gémeos foi fundador da cidade onde, há dois anos, chegou Paulo Fonseca.

O português dos adornos formais em dia de jogo - as camisas, dos fatos, dos fraques e da ocasional boina reminiscente uma série televisiva - está a ter mais dificuldades nesta segunda época com a Roma. Não ganha há quatro tentativas, está em 7.º na Serie A, de momento sem um lugar que garante ao clube o regresso à UEFA onde está prestes a competir nas meias-finais da Liga Europa, contra o Manchester United.

Tem sido a corda agarrada pela equipa, a via para se manter na relevância da disputa por troféus ao fim de nove meses, resumindo, ricos em peripécias - perdeu pontos num jogo por fazer jogar Diawara, que estava mal inscrito na federação italiana; não teve diretor-desportivo até janeiro; houve quezílias com Dzeko, o melhor avançado da Roma, e o bósnio deixou de ser capitão; Zaniolo, o quiçá jogador mais relevante, continua lesionado; o clube, entretanto, mudou de proprietários americanos e as lesões em nomes importantes (Mkhitaryan, Smalling, Pedro) têm sido uma constante.

Em entrevista à "ESPN" a dia de jogar a primeira mão das meias-finais da Liga Europa contra o Manchester United - ou a "grande oportunidade para o clube, a cidade e os adeptos" -, o treinador português reconheceu a "dificuldade" de lidar com tudo, lamentando sobretudo as mazelas que "surgiram em momentos cruciais". Até março, sublinhou, a equipa "estava no top-quatro" da liga italiano, onde luta por um lugar "com outras sete equipas".

Mas, especialmente nas últimas semanas, a equipa tem-se apresentado menos como o técnico sempre advogou: com menor capacidade para ter a bola e sair com ela da própria área, em posse, cometendo mais erros no passe e controlando menos os jogos, impondo-se até menos aos adversários a todo o campo (os jogos contra o Ajax, a Atalanta e o Sassuolo exemplificaram-no).

Silvia Lore/Getty

Paulo Fonseca defendeu que essa não é a intenção. "Não, não gosto de jogar atrás e de esperar pelo contra-ataque. Pode acontecer às vezes, mas não é o meu estilo de jogo", defendeu, vincando o que realmente pretende quando confrontado com os jogadores do Manchester United - "são jogadores incríveis que podem decidir o desenlace do jogo com uma situação, num segundo (...) e tenho de confessa, não podemos ir lá só defender, temos de ter a bola, ter a iniciativa, ter a coragem de jogar contra o Manchester United".

O treinador atribuiu as falhas recentes da equipa a "erros individuais", especialmente na primeira fase de construção e nas saídas de trás. Acredita que a Roma "pagou mais caro por esses erros do que é normal" e "esse tem sido o maior problema", mas não abdicará do estilo de jogo que "pode ser arriscado, mas que, a longo-prazo, será bem-sucedido".

De entre a qualidade que reconheceu a Bruno Fernandes, o treinador destacou-lhe "a personalidade", falou das dinâmicas e características que o United ganha com Paul Pogba a jogar a partir de uma ala e admitiu o desgosto pelo aparecimento, aqui e ali, de equipas que optam por ter referências individuais de marcação a todo o campo. "Temo-lo visto em equipas como a Atalante, o Verona e o Bolonha, e não só em Itália. Quando me estava a formar como treinador, era tudo sobre zonas de pressão e defender coletivamente. Não sou fã da marcação ao homem, não é o meu tipo de futebol, mas dá resultado. Tens que saber jogar contra isso", explicou, na conversa com a "ESPN".

No final, concedeu um obrigado "aos adeptos, aos treinadores, aos jogadores e a todos os que lutaram" contra a Superliga Europeia e os grandes clubes que apoiavam a ideia - "compreendo que queiram mais dinheiro, mas também são os que gastam mais e os que pagam €100 milhões por jogadores".