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Luís Franco-Bastos

"Estado Puro" #29. Vistas do Google Earths, a dentadura de Deschamps e Marvila são impossíveis de distinguir (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco-Bastos nasceu em Lisboa, nomeadamente num hospital privado. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e a média com que concluiu o curso é, no seu entender, um assunto do foro privado. É humorista e proprietário de imóveis, mas sobretudo humorista. Foi contratado só para esta crónica e, se alguém do Expresso tiver dois dedos de testa, não se seguirá mais nenhuma colaboração

Luís Franco- Bastos

Anadolu Agency

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A vida é feita de escolhas. Ontem escolhi. Arrependi-me. Caí, levantei-me. Pedras? Guardo todas. Um di... Desculpem.

Foi colocado no meu caminho um dilema - daqueles que, acredito, um dia a vida se encarregará de me explicar porque motivo me foi colocado e etc, adiante - à mesma hora, jogavam França contra Bélgica, e Benfica contra Napredak. Fui obrigado a optar. Não era possível torcer por Benfica e Bélgica em simultâneo, com a intensidade que ambos mereciam. Não gosto de fazer as coisas pela metade - exceptuando talvez, toda e qualquer actividade da minha vida pessoal e profissional - e decidi então ver o jogo da equipa que achei que precisava mais de mim naquele momento, na esperança de ver uma vitória. Essa esperança esfumou-se.

Abdiquei de ver o meu Benfica vulgarizar o poderoso Napredak (que, como todos sabemos, é uma equipa oriunda da bjhgsdgfrtt, exacto), para ver o meu coração destroçado na derrota da Bélgica.

Já o tinha dito e repito: nada tenho contra esta França, pelo contrário, muito respeito e admiração por esta super-equipa. Mas, obviamente, estava a ter um romance de Verão com esta Bélgica que, agora, vai para o jogo mais inútil do mundo, logo a seguir à Supertaça Eslovaca de The Sims: a atribuição de 3.º e 4.º lugar.

Não sei o que sairá do Inglaterra-Croácia de hoje, mas mantenho a convicção que tenho desde o início: esta é dos gauleses. Depois de ter sido campeão do mundo como jogador, penso que ser campeão do mundo também como treinador é o tónico motivacional que Didier Deschamps precisa para, duma vez por todas, ir ao dentista e não termos de ver mais aquele complexo industrial abandonado que é a sua boca. Vistos do Google Earths, a dentadura de Deschamps e a Marvila são impossíveis de distinguir. Torço assim pela França. Por uma higiene bocal decente no futebol.