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“Estado Puro” #FIM. França é campeã do Mundo, Croácia é um belíssimo destino turístico - tudo como se previa (por Luís Franco-Bastos)

Luís Franco- Bastos

Ryan Pierse

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Segunda-feira: França é campeã do Mundo, Croácia é um belíssimo destino turístico - tudo como se previa”

C’est fini. O mundo inteiro estava do lado dos underdogs. Talvez não o mundo inteiro, mas uma parte substancial. E, como bons underdogs, titubearam no jogo decisivo. A grande questão é: como é que eu consegui aguentar um mês de crónicas sem usar o verbo “titubear”, que é mais uma prova cabal da minha bagagem e do meu vocabulário. Nunca saberemos. Podia tê-lo feito logo no início, para marcar uma posição, mas titubeei. 2-0. Classe.

Didier Dechamps é, como cerca de 677 jornalistas só na zona da Grande Lisboa referiram ontem, o terceiro na história a sagrar-se campeão do mundo como jogador e treinador. O grande passo que se segue é ser embaixador das clínicas dentárias Maló. Perdoem-me por estar sempre a bater nesta tecla mas Dechamps tem, justamente, um teclado demasiado irresistível - humoristicamente falando. Fez um trabalho notável e apresenta um registo 100% vitorioso em finais contra equipas não orientadas por Fernando Santos. Consta que o Engenheiro terá sido contactado vorazmente a dias da final para assumir a selecção croata, mas esteve demasiado ocupado a ajudar Ronaldo a colocar as suas toucas de banho por ordem alfabética de cores, já que a mudança para Turim está a acontecer.

A máxima é sabida por todos: “As finais não se jogam, ganham-se”. Desta feita, Deschamps aprendeu. Tudo foi planeado de forma a que a França não corresse o mínimo risco de se distrair e, a dada altura, jogar futebol por um instante que fosse. Nem acidentalmente. “Oh, que disparate, joguei aqui à bola 3 a 4 segundos”, nem isto. A Selecção Francesa foi besuntada com um repelente anti-futebol. 9 Citroens empilhados em frente à baliza e, de quando em vez, dois Fórmula 1 Renault lá arrancavam para ferir cirurgicamente os croatas.

Neste Mundial, a Croácia foi uma selecção apaixonante e a França foi a selecção vencedora. A equipa mais pura e mais inocente encantou, e a equipa mais madura e matreira ganhou. A França, que havia sido mais pura em 2016, não correu o risco de deixar a história repetir-se em 2018.

Lembro-me dum anúncio da Nike onde Cantona dava o mote para o sucesso no futebol: “Never grow up”. Só na publicidade é que isto resulta. Agora que os franceses cresceram, constatam que fizeram bem em crescer. Há sempre a excepção que confirma a regra, mas a regra tem sido clara: os miúdos não levam a taça para casa.