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Palavra de Paulo Futre: "Daqui a quatro ou cinco anos, João Félix pode ser o líder e capitão do Atlético"

Em declarações à Tribuna Expresso, Paulo Futre fala das semelhanças entre a sua ida para o Atlético e a possível transferência do jogador do Benfica para Madrid e lembra que apesar da muita pressão que o vai rodear, na sua altura era diferente: "Se falhasse, matavam-me"

Tiago Oliveira

Futre protagonizou a primeira grande transferência portuguesa para o Atlético de Madrid quando chegou do FC Porto. Agora pode ser a vez de João Félix agitar as águas colchoneras

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Ainda nada está confirmado e a reviravolta (improvável) pode acontecer, mas a conversa segue como se já estivesse feito: "É uma loucura pensar que isto pudesse acontecer, há cinco ou seis anos atrás. Fico contente que se voltem a portar como uns tubarões, como foi na minha altura."

A voz inconfundível, desde Madrid, é a de Paulo Futre e, à Tribuna Expresso, o antigo jogador do Atlético não esconde o contentamento pela praticamente acertada transferência de João Félix. "É um orgulho, como português, que um clube pague tanto por um português. Ainda por cima porque é o meu clube", confessa.

Uma das maiores referências de sempre da história do clube da capital espanhola, Futre acredita que a pressão colocada nos ombros do jovem português "será imensa", ao mesmo tempo que não tem dúvidas que o jogador de 19 anos já deu provas de que é capaz de lidar com ela: "Nesta reta final do Benfica, cada jogo era uma final e ele não se assustou, assim como na Liga dos Nações."

JOSE SENA GOULAO

Pelo valor de €120 milhões que se fala, os adeptos "só vão parar de exigir no momento em que ele esteja consagrado" e Futre deixa um conselho a João Félix: "Em Espanha, os jornalistas assumem o clube e ele vai logo começar a ter inimigos. Eles só vão parar quando ele conseguir mostrar algo." Algo que ainda não teve oportunidade de dizer em primeira mão ao jogador.

De resto, encontra paralelos com a sua mudança com 21 anos para o Atlético de Madrid, em 1987, quando também se transformou então na transferência mais cara de sempre realizada por um clube português, apesar de algumas diferenças. "Eu talvez já tivesse mais currículo, tinha acabado de ser campeão europeu com o FC Porto e já tinha participado num Mundial, já tinha mais estaleca."

E já era mais conhecido porque "metade de Espanha" tinha visto o seu desempenho na campanha e final da Taça dos Campeões Europeus em que foi um dos destaques. "Do João Félix ainda não sabem tanto, começaram agora a ver uns vídeos", aponta.

D.R.

Se espera a João Félix "um Wanda Metropolitano cheio e muita loucura" na apresentação, não terá também laivos tão arriscados como a chegada de Futre a Madrid: "Vim de Milão com o Pinto da Costa e fomos para uma discoteca onde estavam sete ou oito mil adeptos à minha espera. Foi a primeira vez que vi adeptos mais radicais. Pensei que se falhasse, matavam-me."

Nada de tão radical agora, até porque mesmo com toda a pressão que haverá, Futre acredita que os colchoneros "perdoam e terão mais paciência que os adeptos de Real Madrid."

Para o futuro, as expectativas são as melhores e Futre tem fé que tudo vai correr pelo melhor. "O João Félix é uma aposta de presente mas muito mais para o futuro. Há que ter cuidado com os miúdos que já lá estão, como o Koke ou o Saúl", defende, concluindo om uma certeza: "Daqui a quatro ou cinco anos ele pode ser o líder e capitão do Atlético."