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Como se ressaca de uma bebedeira sem compras? Comprando muito, recomenda o Chelsea

O Chelsea esteve impedido de contratar jogadores durante dois períodos de transferência, devido a uma suspensão da FIFA, teve que se ver com quem tinha e está agora a vingar-se, sendo o clube que, até ao momento, mais compras sonantes tem feito: os londrinos confirmaram, esta sexta-feira, Thiago Silva, defesa central de 35 anos que é a quinta contratação para a próxima época

Diogo Pombo

Darren Walsh/Getty

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Os menores, sendo menores, não podem ser transacionados no futebol, como meros bens ou objetos, existindo para isso regras, regras que o Chelsea não respeitou no caso de 29 jogadores com menos de 18 anos. Isso detetou e disse a FIFA, no verão do ano passado, quando multou o clube londrino e o castigou com uma sanção que foi ao nervo do que é o Chelsea moderno, este Chelsea deste século desde que um bilionário russo se apoderou do clube.

A FIFA proibiu os londrinos de contratarem jogadores em duas janelas de transferências, em suma as duas que afetaram a última época. O excêntrico comprador de futebolistas desde 2003/04, a primeira das temporadas do "Chelski", como se chegou a alcunhar a nova faceta do clube, ficava sem o poder que muito o empoderou, viu-se obrigado a confiar nas capacidades de um pouco experimentado Frank Lampard em modo treinador e a acreditar num mini-projeto para o qual nunca pareceu muito para lá virado nos últimos 15 anos.

Com os jogadores que já tinha, mais vários jovens da casa (Tammy Abraham, Mason Mount, Fikayo Tomori ou Reece James), o Chelsea lampardizado logrou terminar no quarto lugar da Premier League, qualificar-se para a Liga dos Campeões e aproveitar os mínimos do tempo que tinha obrigatoriamente de dar ao tempo até poder voltar a beber do líquido que mais o tem caracterizado neste século: o licor das contratações sonantes, caras e de muito bons jogadores.

A última, confirmada esta sexta-feira, foi a de Thiago Silva, incumpridora de uma dessas características porque nada o Chelsea teve de pagar a um clube. O defesa central brasileiro terminou o contrato com o Paris Saint-Germain e decidiu espremer os derradeiros anos da carreira (está com 35) no futebol inglês. Thiago Silva é um dos melhores centrais da sua geração, dos que pouco falha nos duelos, muito pouco se desposiciona em campo e pode dar bastante à equipa do que já viveu (Mundiais, finais de Liga dos Campeões).

Também de graça, se olharmos apenas para quantias devidas a outros clubes, chegou Malang Sarr, um central vindo do Nice como o Chelsea não tinha - é canhoto e dá assim uma opção à equipa para sair a jogar de ambos os centrais cujo pé mais forte é o do lado da defesa onde jogam. Sarr tem apenas 21 anos.

Darren Walsh/Getty

Há dias, por qualquer coisa à volta dos 50 milhões de euros, o Chelsea contratou Ben Chilwell ao Leicester City. É, de momento, o provável melhor lateral esquerdo inglês. De corpanzil reto e peito feito a correr para a frente e para trás no corredor, do pé esquerdo saem-lhe cruzamentos tensos quer pelo ar, quer pela relva, e capaz também é de olhar para o centro do campo para se associar à equipa com a bola.

A mais badalada contratação de todas já tem algumas semanas. Uns €53 milhões terão sido pagos por Timo Werner, o mais goleador e em forma avançado alemão esta época, todo ele um poço frenético de velocidade, ataque aos espaços nas costas da defesa e capacidade de finalização enquanto sprinta com a bola controlada. Marcou 95 golos pelo RB Leipzig em quatro épocas e a vidência da teoria diz que o alemão é avançado para liderar o ataque do Chelsea por muitos anos.

Ainda antes de a janela de transferências abrir, os londrinos já tinham garantido Hakim Ziyech, o marroquino que maravilhou muita gente na anterior edição da Liga dos Campeões, cuidando da bola com carinho em espaços curtos e lançando-a teleguiadamente à distância no jogo do Ajax que chegou às meias-finais da prova, em 2019. O marroquino um centro criativo em qualquer jogada e dos jogadores que provocam movimentos e tabelas em quem têm à volta. Custou €40 milhões.

Estes cinco já seriam prova da ressaca a que o Chelsea se está a impor, neste pós-bebedeira sem contratações, mas de rumores tem estado o clube cheio e o maior deles é que para breve estará, também, a contratação de Kai Havertz. O miúdo alemão do Bayer Leverkusen, nascido em 1999, é já pródigo a aproveitar os espaços entre linhas, dele saem passes para deixar outros em melhor posição e por ele se tem dito que o clube pode até pagar cerca de €100 milhões.

Um ano sem poder ir às compras dá nisto: um reforço milionário do plantel e, aparentemente, planeado com pés e cabeça.

  • Timo Werner no Chelsea, timão à vista

    Futebol internacional

    O alemão Timo Werner que muito queria o Liverpool e era querido por Jürgen Klopp, preferiu o Chelsea de Frank Lampard assim que o mais que provável campeão inglês recuou nas suas intenções. Em Londres, o avançado, que terá custado quase 60 milhões de euros, terá a garantia de liderar o ataque de uma equipa que se está a reforçar como nenhuma para a próxima época