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A crise chegou ao mercado de transferências: a Premier League bateu mínimos históricos

Depois de ter investido mais de 200 milhões de euros (ME) nas últimas cinco épocas, a Premier League refletiu uma crise económica sem precedentes com despesas de 85,56 ME em janeiro, batendo mínimos desde 2009/10, quando se ficou pelos 40,74 ME

Lusa

Ash Donelon/Getty

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A janela de inverno do mercado de transferências de futebolistas encerrou na segunda-feira com o tradicional domínio dos clubes ingleses, embora sob uma inequívoca recessão causada pelos efeitos da pandemia de covid-19.

Depois de ter investido mais de 200 milhões de euros (ME) nas últimas cinco épocas, a Premier League refletiu uma crise económica sem precedentes com despesas de 85,56 ME em janeiro, batendo mínimos desde 2009/10, quando se ficou pelos 40,74 ME.

O West Ham United sobressaiu como o clube mais gastador, ao pagar 23,1 ME ao Brentford para acionar a cláusula de Said Benrahma e assegurar as cedências de Jesse Lingard (ex-Manchester United, por 1,7 ME) e Frederik Alves (ex-Silkeborg, por 1,6 ME).

Em sentido inverso, os londrinos cobraram 22,5 ME pela venda de Sébastien Haller ao Ajax, naquele que constituiu o segundo negócio internacional mais caro em 2021, logo à frente dos 21 ME gastos pelo Manchester United na compra de Amad Diallo à Atalanta.

Os 'red devils' venderam ainda Timothy Fosu-Mensah ao Bayer Leverkusen (1,7 ME) e ficaram sem o emprestado Odion Ighalo, de regresso ao Shanghai Shenhua, enquanto o rival Manchester City limitou-se a entregar 8,5 ME ao Partizan por Filip Stevanovic.

Dominador do mercado de verão, com 247,2 ME investidos, o Chelsea prescindiu de reforços de inverno, acertou as cedências de Fikayo Tomori (AC Milan) e Danny Drinkwater (Kasimpasa) e libertou Lucas Piazón a custo zero para o Sporting de Braga.

Igual registo adotou o Tottenham, treinado por José Mourinho, ao devolver Gedson Fernandes ao Benfica, agora no Galatasaray, ao invés do Liverpool, novo destino de Ben Davies (ex-Preston, por 570 mil euros) e Ozan Kabak, emprestado pelo Schalke 04.

Mais ativo esteve o Arsenal, que garantiu Martin Odegaard (Real Madrid, por dois ME) e Mathew Ryan (Brighton) até junho, cedeu Sead Kolasinac (Schalke 04) e vendeu Sokratis (Olympiacos), Mustafi (Schalke 04) e Mesut Ozil (Fenerbahçe) sem custos adicionais.

Já o Wolverhampton, de Nuno Espírito Santo, apostou no empréstimo de Willian José (ex-Real Sociedad) e recuperou Morgan Gibbs-White (ex-Swansea), além de ter libertado Roderick Miranda para o Gaziantep, de Ricardo Sá Pinto, e cedido Patrick Cutrone ao Valência.

Dos cinco principais campeonatos europeus, os clubes espanhóis mostraram maior contenção e investiram uma quantia total de 21,25 ME, inferior às últimas oito épocas e liderada pelos 20,75 ME do Atlético de Madrid em Geoffrey Kondogbia (ex-Valência).

Os 'colchoneros' supriram a rescisão de Diego Costa com o empréstimo de Moussa Dembélé (ex-Olympique Lyon), a contemplar uma cláusula de compra no verão de 33,5 ME, enquanto o Real Madrid voltou a não comprar e cedeu Takefusa Kubo ao Villarreal.

Em urgente contenção de custos, o FC Barcelona resolveu emprestar Carles Aleñá ao Getafe e desviar Jean-Clair Todibo do Benfica para o Nice, revelando menor mestria negocial que o Sevilha, ao receber 10 ME da Real Sociedad por Carlos Fernández.

Os andaluzes contrataram Papu Gómez por apenas 5,5 ME e desfalcaram a Atalanta do seu antigo capitão, numa realidade compensada através de Viktor Kovalenko, que abandonou o Shakhtar Donetsk, orientado por Luís Castro, por 500 mil euros.

O clube de Bérgamo adquiriu ainda Joakim Maehle (ex-Genk, por 11 ME), gastando bem mais do que a Roma, de Paulo Fonseca, por Bryan Reynolds, emprestado pelo Dallas, e o regressado Stephan El Shaarawy, em final de contrato com o Shangai Shenhua.

Se o Inter Milão descartou reforços e voltou a emprestar Radja Nainggolan ao Cagliari, o AC Milan pagou 500 mil euros ao Torino pela cedência de Soualiho Meité, fez regressar Mario Mandzukic ao ativo e vendeu Mateo Musacchio à Lazio sem custos adicionais.

Sami Khedira rumou de maneira idêntica ao Hertha Berlim a partir da Juventus, que colocou Daniele Rugani a rodar em Cagliari e pagou 18 ME por Nicolò Rovella, num negócio a pensar em 2021/22 e que permitiu encaixar 10 ME por Manolo Portanova.

Com 77,68 ME desembolsados, Itália foi o segundo país mais gastador em janeiro, à frente da Alemanha, onde a compra do promissor Dominik Szoboszlai (ex-Red Bull Salzburg) pelo Leipzig perfez 20 dos 45,7 ME de despesas totais na Bundesliga.

Perante a inatividade de Bayern Munique e Borussia Dortmund, Jeremie Frimpong (ex-Celtic, por 11 ME) e Demarai Gray (ex-Leicester, por dois ME) reforçaram o Leverkusen e Kouadio Koné (ex-Toulouse, por nove ME) assinou pelo Borussia Monchengladbach.

O Eintracht Frankfurt destinou um milhão de euros ao Real Madrid pelo regresso de Luka Jovic, num empréstimo sem opção de compra no final dos seis meses, capaz de colmatar a saída do ex-avançado do Sporting Bas Dost para o Club Brugge por quatro ME.

À procura de renegociar a venda de direitos televisivos, a Liga francesa despendeu 29 ME, dos quais 20 ME valeram a aquisição de Krépin Diatta (ex-Club Brugge) pelo AS Mónaco, que cedeu Jemerson (Corinthians) e Henry Onyekuru (Galatasaray).

O Paris Saint-Germain manteve-se praticamente inalterado e rescindiu com Jesé, futebolista com passagem por Alvalade e que assinou pelo Las Palmas sem custos, à semelhança de Islam Slimani, que se desvinculou do Leicester para rumar ao Lyon.

Já o Marselha, de André Villas-Boas, acolheu os emprestados Pol Lirola (ex-Fiorentina), Arkadiusz Milik (ex-Nápoles) e Olivier Ntcham (ex-Celtic), lucrou com Morgan Sanson (Aston Villa, por 15,8 ME) e trocou Marley Aké por Franco Tongya com a Juventus.