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Ações da Nike em queda depois de campanha com jogador que protestou contra o racismo e Trump

Há dois anos, Colin Kaepernick recusou levantar-se para escutar o hino nacional. Agora, está desempregado, mas foi a cara de um polémico anúncio publicitário

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Acredita em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo”: esta é uma das mensagens da nova campanha publicitária da Nike. E a marca escolheu um homem que sacrificou tudo por algo em que acreditava. Colin Kaepernick, antigo quarterback da NFL, ficou sem clube depois de ter protestado contra o racismo nos EUA. Agora, foi escolhido para protagonizar o anúncio e tem gerado alguma polémica. Aliás, as ações da Nike estiveram a cair 3% esta terça-feira.

Pouco depois de o anúncio se tornar publico começaram a surgir as criticas. Segundo a Reuters, #NikeBoycott foi um dos tópicos mais comentados a nível mundial. Houve até quem publicasse fotografias a rasgar roupas e a queimar ténis da marca desportiva.

Por outro lado, algumas vozes do deporto norte-americano, incluindo a tenista Serena Williams (que também participa na campanha) e os basquetebolistas LeBron James e Kevin Durant mostraram apoio a Kaepernick.

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Apesar de não ter comentado a polémica, a Nike, que só na segunda-feira confirmou a presença de Kaepernick na campanha, já considerou o atleta “como um dos mais inspiradores da sua geração”.

Há dois anos, Kaepernick, que era quarterback dos San Francisco 49ers (futebol americano), ficou sentado durante cerca de um minuto e meio enquanto se ouvia o hino dos EUA. “Não me vou levantar para mostrar orgulho num país que oprime pessoas negras e de outras raças. Para mim, isto é maior do que o futebol e seria egoísta desviar o olhar. Há corpos nas ruas e pessoas que cometem homicídios e saem impunes”, explicou o jogador após a partida, questionado sobre as suas motivações.

Em causa estava novamente o debate sobre a discriminação racial e a violência policial. “As pessoas estão a morrer em vão porque este país não lhes dá o que prometeu. Quando houver uma mudança significativa e sentir que a bandeira representa o que é suposto representar neste país, levantar-me-ei. As pessoas estão a morrer em vão porque este país não lhes dá o que prometeu.” A postura do atleta de 29 anos teve forte impacto e vários outros jogadores acompanharam o movimento, mostrando-se solidários para com a situação. Muitos começaram a ajoelhar-se enquanto tocava o hino norte-americano.

No começo de 2017, Kaepernick deixou os San Francisco 49ers e desde então tem sido um jogador desempregado. Os proprietários da NFL não gostaram da atitude do jogador e o próprio Presidente Donald Trump chegou a admitir responsabilidades na situação.

“Houve um artigo em que se disse que os donos da NFL não o querem em nenhuma equipa porque não querem receber um ‘tweet’ desagradável de Donald Trump, acreditam? Se eu me lembrar dessa, vou reportá-lo à população do Kentucky, porque eles gostam quando as pessoas realmente se levantam pela bandeira americana”, disse Trump meses depois, num encontro no Louisiana, admitindo que tem poder de decisão sobre os proprietários da NFL, que segundo o jornal “The Guardian”, são conservadores. Doaram quase 930 milhões de euros aos Republicanos contra 20 que atribuíram ao Partido Democrata durante a campanha para as presidenciais.

Em setembro do ano passado, num comício, Trump também voltou falar no assunto e questionou os 10 mil apoiantes na plateia se não gostavam que os donos dos clubes da NFL tirassem do campo aqueles “filhos da mãe” e os despedissem de cada vez que não se levantassem para escutar o hino. A multidão aplaudiu. Depois, apelou a que as pessoas abandonassem os estádios de cada vez que presenciassem um protesto que desrespeitasse o hino e a bandeira dos EUA. A multidão voltou a aplaudir.